terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Acabou em pizza

Não, vocês não se confundiram e entraram sem querer num blog sobre os escândalos da política nacional, continuamos a ser um blog de marketing, aliás, de “marketing esportivo”
O título, na verdade, pretende fazer uma alusão à iniciativa da Pizza Hut em ser uma das patrocinadoras do show que ocorreu no último domingo antes do XLV Super Bowl, final da NFL, entre Pittsburgh Steelers e Green Bay Packers, no estádio do Dallas Cowboys.
As pesquisas apontam que essa é a data em que mais se consome pizza nos EUA, seguida pela véspera do Ano Novo, Halloween, Noite de Thanksgiving e o Ano novo.
Baseada nessa informação e nas ações de marketing no Super Bowl, a Pizza Hut planejou vender mais de 2 milhões de pizzas no dia do evento, para isso, cerca de 120 mil funcionários foram envolvidos na operação que começou a aceitar pedidos online uma semana antes, além de disponibilizar outras opções para a encomenda, tais como mensagem de texto via celular, aplicativo no iPhone e sua página oficial no Facebook.
Mas não é só a líder mundial nesse segmento que voltou às atenções ao evento, a Domino´s concentrou sua atuação nos concierges dos hotéis, para que esses recomendassem sua marca aos hóspedes durante o jogo e a Papa John’s ofereceu uma pizza grande para qualquer pessoa, caso a partida fosse para a prorrogação. Até hoje nunca uma partida do Super Bowl foi para prorrogação.

Contudo, além da divulgação desses fatos, o objetivo desse artigo é fomentar a reflexão sobre a transformação que vem ocorrendo no esporte, e faz com que sua essência e seus valores percam espaço para sua utilização como entretenimento.
Afinal de contas, pizza não pode ser considerada um dos alimentos mais saudáveis para ser associado ao esporte. O mesmo raciocínio pode ser aplicado à cerveja, um dos principais anunciantes em grandes eventos

Se isso é bom ou ruim, vai do julgamento de cada um. Mas será que o esporte conseguiria ser lucrativo e atrativo sem a verba de certos patrocinadores?

Se formos nos basear pela média do valor do ingresso para o Super Bowl, poderíamos, talvez, até responder que sim, pois a receita de bilheteria é muito alta, vide os preços dos ingressos – os mais caros tinham como preço de face US$ 1.200 e os mais baratos US$ 200 -, sendo que às vésperas do jogo, o lugar mais barato era comercializado por sites especializados por US$ 2.309.
Mesmo com esses preços, a procura por ingressos no Super Bowl foi tão grande, que os organizadores criaram fora do estádio uma área para que o público que não conseguiu ingresso. O ingresso para essa “Party Plaza” custava US$ 800 e dava direito a assistir ao espetáculo via telão, cachecol, estacionamento e revista sobre o evento. Bebida não estava incluída e o preço de uma cerveja era de US$ 9.

Sabemos, no entanto, que é quase utópico esperar que todos os eventos esportivos atinjam tal grau de magnitude, mesmo porque, os próprios shows musicais conferem ao Super Bowl uma atmosfera que o diferencia dos espetáculos estritamente esportivos.
Ainda assim, não podemos deixar de considerar os altos custos para se manter equipes competitivas e que nem todas chegarão à final, portanto, a dependência de um único fator de receita, nesse caso, a bilheteria, não  parece salutar.

Voltando ao valor dos ingressos* do Super Bowl, vale relatar o aumento que o mesmo vem sofrendo ao longo do tempo: US$ 40 em 1981, US$ 150 em 1991, US$ 325 em 2001 e US$ 1.200 em 2011, o que nos leva a inferir que o esporte passa por um processo de elitização, o qual parece irreversível.

* preço do ingresso mais caro

No Brasil, o futebol já começa a dar sinais desse processo, tanto que vem crescendo o número de jogadores repatriados e o tempo de permanência de algumas jovens promessas. Essa conta precisará ser paga, e, muito provavelmente se refletirá também no preço dos ingressos.

Pois é, pelo visto a tal “força da grana que ergue e destrói coisas belas” está fazendo o esporte crescer e ter maior faturamento, entretanto, cabe aos seus gestores focar também a lucratividade de forma correta e honesta, sem jamais esquecer que o esporte é ferramenta fundamental para a inclusão social e a formação do cidadão.
Sem isso, voltaremos aos vergonhosos episódios políticos que acabam em pizza.



2 comentários:

  1. Idel,
    Ponto interessante e que merece análise mais aprofundada sob a ótica do marketing esportivo.
    O fã de esporte não necessariamente pratica o esporte. O quanto desses valores do esporte, conforme você comentou, são percebidos e valorizados pelos fãs do esporte? Haveria diferenças de avaliação em função da modalidade esportiva?
    Concordo com você em relação a uma, digamos, "ética" por parte dos patrocinadores.
    O entrenimento e o esporte tendem a uma convergência, e cabe aos que se utilizam desta característica uma responsabilidade de preservar e potencializar os valores fundamentais daquilo que propicia a exploração (no bom sentido) dessa convergência.
    Abraços,
    Nelson Yoshida

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  2. Fala Nelson!
    Obrigado pelo comentário.
    Respondendo suas perguntas:
    Creio que, infelizmente, tais valores não são muito valorizados pelos fãs.
    Dependendo da modalidade esportiva, esse quadro pode sofrer variações, visto que em muitas delas, o universo de fãs se resume a atletas, ex-atletas e parentes, os quais, em tese, valorizam mais os aspectos ligados à essência do esporte.
    Abraço

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