terça-feira, 25 de outubro de 2011

Como entender as mulheres


As diferenças entre homens e mulheres já inspiraram livros sobre relacionamentos como “Mulheres são de Marte, Homens são de Vênus” de John Gray e até capítulos em livros de marketing como “Vamos às compras” de Paco Underhill, que com muita propriedade descreve o comportamento diferenciado entre os sexos no que tange ao consumo.
Ficar alheio a essas diferenças e ao poder de consumo das mulheres é um erro que pode custar muito caro. 
Não há como negar que elas sempre influenciaram as compras, porém, agora mais independentes, passaram também a atuar fortemente como consumidoras. 
Se antes elas influenciavam o marido na escolha do carro, por exemplo, hoje elas vão às compras e ao contrário dos homens que priorizam a potencia do motor e dimensão do porta-malas, elas buscam a satisfação dos seus anseios, no caso, através de modelos que propiciem conforto e beleza. 

Pesquisas apontam que as mulheres são responsáveis por 80% das compras em supermercados e até em categorias de produtos mais associadas ao público masculino, elas passaram a ter uma participação mais significativa, como é o caso de cerveja. 
Apesar desse quadro, muitos segmentos ainda não conseguiram se comunicar de forma correta com esse público, afinal a grande maioria das empresas ainda é dirigida por homens com grande dificuldade de entender o universo feminino. 

Atenta a esse público, a ESPN lançou em 2010 a ESPN W, inicialmente apenas com presença digital, mas com planos de expansão que podem chegar até um canal de televisão. 
Mulheres constituem 24% dos espectadores da ESPN, porém a cobertura da imprensa em relação a atletas do sexo feminino costuma ser muito baixa, exceção feita à Sports Illustrated Swimsuit, cujo conteúdo é mais voltado à exposição do corpo das atletas. 
Atenta a essas características da concorrência e da demanda do mercado, a ESPN W dedica bastante espaço às competições femininas, sem no entanto deixar de cobrir o esporte de forma geral.Mas engana-se quem acha que a iniciativa agradou a unanimidade das mulheres.
Alguns grupos a consideraram um ato de segregação, vale citar que a direção da empresa tomou o máximo de cuidado com eventuais acusações e estereotipização do portal, tanto que baniram a aplicação da cor rosa.
Tarefa difícil...Freud em sua carta à Marie Bonaparte, psicanalista francesa, escreveu: Nunca fui capaz de responder à grande pergunta: o que uma mulher quer?
Se para Freud era complicado, imaginem para meros gestores de marketing.


Considero a iniciativa da ESPN muito interessante e corajosa, o desafio de empregar uma linguagem apropriada, com um grau de detalhamento adequado a uma categoria cada vez mais sem tempo em função da necessidade de conciliar sua vida profissional, criar os filhos, se relacionar com o parceiro e cuidar de si, é digna dos mais efusivos elogios e muito contribuirá para o fomento do esporte.


terça-feira, 18 de outubro de 2011

A idade de ser feliz


 "Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se presente e tem a duração do instante que passa". 

Um agradecimento a Mario Quintana por sua obra e pela inspiração para esse artigo, que se aproveita do título e do trecho de um de seus poemas. 

O fator “idade” costuma ser muito valorizado tanto no ambiente esportivo como no corporativo, situação que leva à exclusão do mercado de uma considerável gama de executivos e atletas por razões estritamente ligadas ao preconceito. 
Mesmo com todo o progresso e o acesso a informações, ainda se avaliam profissionais por sua idade biológica, o que é um lamentável engano quando generalizado. 
Obviamente, o potencial de desenvolvimento costuma ser maior nos mais jovens, o que por si só indica que esses devam ser valorizados e retidos, porém, é no presente que o mundo vive, e bons resultados são fundamentais para que o futuro venha existir. 

Já as restrições em relação a um profissional com mais idade se voltam para a menor produtividade, desconhecimento tecnológico, estilo de gestão autoritário, resistência para mudanças e menor vigor. 
Informo que tais alegações são absolutamente preconceituosas, visto que os argumentos negativos citados a respeito não são correlacionados à faixa etária, e sim, à capacidade do profissional. 
Por esse mesmo motivo, vou me eximir de enumerar as eventuais características positivas que poderiam fazer um profissional mais velho ser superior ao mais jovem. 

Existem inúmeros exemplos que desmentem as alegações negativas citadas a respeito de um profissional de mais idade, mas devido ao reduzido espaço e para aproveitar o ambiente esportivo, fica mais interessante contestar a acusação relativa ao "menos vigor" citando dois casos de atletas que, segundo certos "gurus", já deveriam estar aposentados. 

O primeiro chama-se Haile Gebrselassie, um corredor etíope, bicampeão olímpico e tetracampeão mundial dos 10.000 m, que estabeleceu 27 recordes mundiais entre distâncias que vão dos 3.000 m à maratona. 
Tamanho currículo já seria suficiente para colocá-lo entre os maiores atletas do mundo, porém o que reforça ainda mais essa afirmação e nos embasa na argumentação de que a idade mais avançada não significa pouco vigor é o fato de que com 35 anos bateu o recorde mundial da maratona, com o tempo de 2:03’59”, para os menos afeitos à modalidade, informo que trata-se de um tempo fora de qualquer padrão de normalidade. 

O segundo caso é o da nadadora americana Dara Torres, que conquistou 3 medalhas nas olimpíadas de Pequim com 41 anos.
Entre as provas que participou nesses jogos, vale destaque a dos 50 m livre, onde conquistou a medalha de prata, perdendo por um ínfimo ´decimo de segundo para a alemã Britta Steffen de 23 anos e superando a australiana Cate Campbell de 15 anos.
Atualmente Dara Torres se prepara para participar dos Jogos Olímpicos de Londres, sua 6a olimpíada, onde estará com 45 anos. 
A trajetória dessa nadadora é um ótimo exemplo de uma IDADE PARA SER FELIZ, pois suas conquistas não se restringem as suas participações pós 40 anos, Dara Torres acumula 12 medalhas olímpicas, sendo que bateu seu primeiro recorde mundial quando tinha apenas 15 anos. 
Ou seja, sempre obteve bons resultados independente da idade.

Diante disso, não tenho dúvida em afirmar que qualquer julgamento que tenha a idade de um atleta ou de um executivo como fator determinante é tendencioso e bem típico de pessoas sem vigor, inflexíveis e autoritárias, o que reitero, nada relacionado à idade.


terça-feira, 11 de outubro de 2011

Quem deve ser patrocinado?




O noticiário esportivo australiano voltou recentemente suas luzes sobre o nadador Kenrick Monk, uma das esperanças de medalha do país para os jogos de Londres.
Infelizmente essa maior atenção não se deveu aos resultados obtidos, mas à fratura que o atleta sofreu e que pode comprometer sua ida aos jogos olímpicos. 
Contusões, apesar de indesejáveis, são comuns em esportes de alto rendimento, onde para se obter bons resultados se leva o corpo aos limites, porém o que chama a atenção nesse caso é a forma com que a fratura ocorreu. 
Inicialmente Monk alegou que tinha sido atropelado, porém posteriormente admitiu que o acidente foi devido a uma queda de skate. 

Casos como esse ocorrem frequentemente, e grande parte deles nem chegam a ser divulgados.
Dois pontos importantes devem ser refletidos em função do incidente. 
  • Até que ponto as atividades de lazer podem ser exercidas sem que haja interferência no desempenho da profissão?  
  • É justo exigir que o atleta não tenha momentos de diversão, pois tais momentos podem colocar em risco sua performance? 

Não entraremos aqui no detalhamento das atividades de lazer, pois evidentemente algumas não cabem discussão a respeito,em função da certeza quanto as suas conseqüências (inócuas ou maléficas).
Existem, entretanto, algumas que em função do potencial risco ou do exagero geram dúvidas e incendeiam os pontos colocados acima. 
Evidentemente alguns responderão que dependerá e que basta ter bom senso, porém esquecem que o tal “bom senso” é algo extremamente individual. 
Para certas pessoas, beber uma cerveja às vésperas de uma competição é algo inofensivo, para outros, o álcool deve ser afastado da vida de todas as pessoas, principalmente dos atletas. 

Algumas equipes, para evitar essa interpretação sobre o “bom senso” preferem criar “regras e regulamentos”, o que parece ser uma boa iniciativa. 
Porém, é preciso ter em mente que restrições muito severas podem abreviar a carreira de atletas, que vendo a vida “lá fora” se passar fora da redoma de disciplina imposta pelo esporte, acabam entrando num conflito que muitas vezes leva ao abandono da carreira, ou mesmo a uma carreira inconstante. 

Sob o prisma de marketing, a situação é ainda mais delicada, visto que os patrocinadores não possuem o embasamento suficiente para delimitar regras de conduta de seus patrocinados, fato que os levam a ter atitudes quase sempre de correção ou punição ao invés de prevenção. 

Diante desse quadro, vejo como fator de suma importância a realização de entrevistas, como ferramenta para avaliação do grau de comprometimento do candidato a  “patrocinado”, além de coletas de informações que permitam  traçar seu perfil e assim mnimizar erros na tomada de  decisões. 
Afinal de contas, resultados esportivos passados não são garantias de sucesso no futuro, no máximo podem ser bons indicativos. 
Trazendo para o mundo corporativo, seria como contratar algum executivo baseado apenas nas realizações que constam em seu currículo. 
Analogamente, é possível estender esse conceito para o caso de patrocínios a equipes, nesse, as entrevistas devem envolver a diretoria da equipe, além de análises sobre as experiências profissionais destes. 

Evidentemente, mesmo com toda a aplicação de entrevistas e análises, não haverá nunca a certeza quanto a escolha correta, o que se preconiza aqui é que os erros sejam minimizados, além do que, creio que seleções mais rígidas possam criar no patrocinado um grau de responsabilidade maior que o leve a ser mais cuidadoso em sua conduta.


terça-feira, 4 de outubro de 2011

A ética pune


Esse artigo, ao contrário do que possa parecer em função do título, não versará sobre a recente vitória do Fluminense nos acréscimos, aliás, já é a 2ª vez que isso ocorre contra um time dirigido pelo mesmo treinador, aquele que insiste em se auto intitular ético... 
Na verdade, o artigo fará referência ao “false advertising”, conhecido no Brasil como propaganda enganosa, alerto, no entanto, que o "tal" treinador  em nada influenciou a escolha do tema, nem tampouco, a insistência de certos veículos que, numa sobreposição aos tribunais, insistem em creditar a quem lhe é mais conveniente à conquista de alguns campeonatos. 

O que motivou a decisão foi a recente condenação que a Reebok sofreu por parte da Federal Trade Comission (FTC) - entidade que defende os direitos dos consumidores americanos – pela campanha publicitária do tênis Easytone, a qual prometia o fortalecimento dos glúteos femininos em até 28% a mais do que os demais tênis e em 11% os ligamentos e as panturrilhas. 
A decisão da FTC obrigará a empresa a reembolsar o montante US$ 25 milhões aos consumidores que adquiriram o calçado. 
Apesar do exemplo associado ao setor esportivo, esse tipo de prática ocorre no mercado de forma geral, razão pela qual citarei a seguir alguns casos e os riscos de sua utilização:

- A empresa de alimentos Danone foi condenada pelo mesmo FTC a pagar mais de US$ 20 milhões por danos aos consumidores que se sentiram enganados com a proposta de benefícios do iogurte Activia. 

- Em 2009, o anúncio de creme para os olhos Olay mostrou a ex-modelo Twiggy – na época com 60 anos - sem nenhuma ruga ao redor dos olhos numa clara ação de photoshop. 
Diante do clamor dos consumidores o Advertising Standards Autorithy da Inglaterra proibiu a veiculação do anúncio. 

- Em 2010, a Kellog’s foi condenada pelo FTC a alterar sua publicidade sobre o Rice Krispies, pois a mesma alegava que o produto supria 25% do valor diário de antioxidantes e nutrientes necessários às crianças. 

Infelizmente a incidência de casos semelhantes é muito grande, e o segmento esportivo por ter forte ligação à performance, saúde e qualidade de vida acaba muito exposto a esse tipo de ação, aliás, os próprios produtos de dopagem se valem da “propaganda enganosa” para terem seu uso disseminado. 
Contudo, o mais intrigante nesse assunto é a postura dos executivos de empresas altamente estruturadas, que não se importam em utilizar expressões como “cientificamente comprovado”, “resultado garantido” ou algo do gênero sem o devido cuidado com a veracidade e com os consumidores.
Seria disposição a correr riscos em troca de uma lucratividade maior ou simplesmente acreditam que uma mentira dita muitas vezes é capaz de se tornar uma verdade? 

Difícil responder, mas, fácil afirmar que os fins não justificam os meios, principalmente quando se trata de esportes e quando se faz realmente questão de ser bom exemplo para os filhos.