terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Lacoste

Além de todos os nobres princípios e valores inerentes ao esporte, esse também vem se caracterizando como um grande influenciador de tendências  no âmbito da moda, alimentação, hábitos, etc. 
São muitos os exemplos de fabricantes de material esportivo que estenderam suas marcas para produtos casuais, porém são raros os casos de empresas que ao adotarem essa estratégia, acabaram fazendo dessa linha seu principal mercado. 

A Lacoste talvez seja o melhor caso a ser relatado sobre esse tema. 
Sua origem se deu através do tenista francês René Lacoste, que adquiriu o apelido “Le Crocodile” ao ganhar uma aposta cujo prêmio era uma mala de couro de crocodilo. 
Seu estilo agressivo nas quadras reforçou a alcunha e como segundo passo para consolidar essa marca pessoal, passou a jogar trajando um uniforme diferente do usual que trazia bordada a imagem daquele animal. 

Acometido de uma tuberculose, René afastou-se das quadras e em 1933, junto com André Gillier, fundou uma empresa para produzir e comercializar as camisas que tinha criado para uso pessoal, utilizando como logo, seu “velho companheiro”: o crocodilo.
“La Chemise Lacoste” foi a 1ª peça de vestuário que estampou a etiqueta no lado de fora da roupa, o que passou a ser uma tendência no setor de vestuário até hoje.
Além de tenistas, as camisas eram utilizadas por golfistas e velejadores, que preferiam o produto em função, principalmente, do algodão utilizado. 
Ao contrário da variedade e originalidade das cores que a Lacoste oferece hoje, na época todas as camisas eram brancas, o que reforça a consideração de que se tratava de um produto voltado basicamente ao conforto. 
Após interrupção da operação na 2ª guerra, o produto voltou ao mercado na década de 50, quando  passou a ser colorido e também direcionado ao mercado externo.
O processo de crescimento continuou com a extensão da marca para outros produtos e categorias na década de 70 e com a inauguração da 1ª loja em Paris no ano de 1981.

Coincidentemente, nesse período as vendas caíram, fruto da falta de uma política de renovação da base de clientes, fato, aliás, muito comum em certas instituições que, confiando nos resultados obtidos através clientela tradicional, se esquecem do fator mortalidade e de que a associação de uma marca a um público mais idoso pode vir a afastar consumidores mais jovens e, consequentemente, com maior potencial de consumo ao longo dos anos. 
Somado a isso, os consumidores mais jovens já não viam a Lacoste como uma marca voltada à performance esportiva, visto que a concorrência atuava - e atua - com uma política forte de patrocínio aos melhores atletas. 

Diante do cenário relatado e do agravamento de sua situação financeira, a Lacoste resolveu focar na modernização da marca, o que incluiu a inauguração de lojas em diversas cidades do mundo e na adoção de um posicionamento mais sofisticado, que incluiu a entrada em novas categorias como bolsas e óculos, entre outros. 
Contudo, mesmo focada num novo segmento e não sendo mais considerada uma marca de “equipamento esportivo”, a empresa patrocina alguns atletas de modalidades como golfe e tênis. 
Afinal de contas, o esporte dita tendências e tem forte influência no processo decisivo do consumidor.
As empresas que não percebem isso perdem ótimas oportunidades de terem sucesso no mercado.


3 comentários:

  1. Mais uma brilhante aula de alguém que conhece muito o tema.

    ResponderExcluir
  2. Grande Jackson

    Muito obrigado pelas palavras.

    Vindo de vc elas têm muito valor.

    Abs

    ResponderExcluir
  3. É sempre muito interessante saber a origem e o porquê das coisas que consumimos, na maioria das vezes, apenas por estarem na moda. Muito boa a aula!

    ResponderExcluir