terça-feira, 26 de junho de 2012

Critérios Olímpicos


Os critérios de classificação para os Jogos Olímpicos, apesar de definidos previamente, só costumam ter a atenção do público às vésperas das competições classificatórias. 

Assim como as características diferem entre modalidades esportivas, os critérios também variam, tanto no que tange a esportes como aos países. 
Explicar todos eles requereria um espaço muito maior, mesmo assim, a título de exemplo, vamos citar algumas modalidades.
Nos esportes coletivos, o país sede tem a vaga garantida, enquanto as demais são definidas em torneios pré-definidos. 
Os esportes individuais como natação e atletismo têm um tempo estabelecido como índice para cada prova e só podem participar das Olimpíadas os atletas que obtiverem um tempo igual ou menor. 
No caso de países que tenham mais atletas com índice do que vagas - 2 por países na natação e 3 no atletismo - a classificação se dá através de competição, o que difere aqui é o período em que essa ocorre. 
Nos EUA, o famoso “trials” para as modalidades citadas acontece bem perto das Olimpíadas – o da maratona com cerca de 6 meses de antecedência – enquanto em outros países a antecedência é superior.
A principal justificativa para uma data tão perto é a de que essa proximidade consegue reproduzir uma pressão similar à dos Jogos, e assim, se consegue selecionar os atletas mais bem preparados sob todos os aspectos.

No Triathlon, 55 vagas por sexo são disputadas e cada país pode levar até 3 representantes por gênero, limitados a 8 países. 
Sobre esse esporte, a Jambo Sport Business realizou um estudo http://www.slideshare.net/jambosb/triathlon-nos-jogos-olmpicos-20002012
que, além de detalhar os critérios de classificação desse esporte, faz um comparativo entre o desempenho das nações nas Olimpíadas desde 2000, ano em que a modalidade passou a fazer parte dos Jogos. 
Pelo fato dos critérios de classificação não terem sofrido grandes alterações, foi possível utilizar também esse parâmetro como indicativo de performance.
O estudo mostra que Austrália, EUA e Japão mandaram equipes femininas completas – 3 atletas - em todas as edições desde Sydney, entretanto o Japão nunca conquistou medalhas e os EUA obteve apenas uma de bronze. 
No masculino, os países que sempre estiveram presentes com equipes completas foram França, Inglaterra e Nova Zelândia, desses apenas o último conquistou medalhas. 

A análise também contempla a evolução dos países e mostra, por exemplo, que a Rússia não levou nenhum atleta em 2000, classificou apenas um em 2004 e teve equipe completa tanto no masculino como no feminino em 2008, o que se repetirá em 2012.
O Brasil, apesar de ainda não ter conquistado nenhuma medalha, é o 11º país em número de atletas classificados, sendo que nas duas primeiras Olimpíadas levou equipes completas no masculino e no feminino. 

Os dados apresentados não indicam correlação entre medalhas conquistadas e atletas classificados, contudo, é possível identificar como está o grau de desenvolvimento de cada nação em relação ao Triathlon.

Por fim, é importante frisar que tal tipo de estudo não tem a pretensão de substituir a sensibilidade e conhecimento dos profissionais envolvidos com a parte técnica do esporte, mas serve para complementá-la, além de servir para que os gestores esportivos busquem informações mais aprofundadas sobre as nações que se destacam.


terça-feira, 19 de junho de 2012

A lenda do boxe cubano

Inicialmente convém deixar explicitado que o presente artigo não tem a pretensão de discutir temas relacionados à ideologia ou formas de governo, mas sim homenagear um dos maiores boxeadores que o mundo já viu, trata-se do cubano Teófilo Stevenson, falecido recentemente.                                
                                                                                                     Teófilo foi um lutador da categoria “pesado” que conquistou 3 medalhas de ouro nas Olimpíadas (72-76-80) e não teve a chance de conquistar a 4ª por não ter participado dos Jogos Olímpicos de 1984 em Los Angeles devido ao boicote cubano. 

Além disso, conquistou três campeonatos mundiais (74-78-86) e venceu a maioria de suas lutas por nocaute, fato bastante raro no boxe amador. 


A vida desse boxeador cubano serve de exemplo por duas razões: persistência e gratidão

1 - Persistência - em suas primeiras 20 lutas teve 14 derrotas, mesmo assim não desistiu e passou a treinar ainda mais. 
Quantas vezes na vida profissional e pessoal pensamos em desistir em função de alguma sequencia de derrotas e fracassos? 

2 - Gratidão - apesar das ofertas milionárias que recebeu para se profissionalizar e enfrentar Muhammad Ali - outro pugilista excepcional que abriu mão de seu título por ser contra a guerra do Vietnan - não cedeu à tentação e se manteve fiel ao regime que foi um dos responsáveis pelo seu sucesso 
Sobre esse fato dizia uma frase que se tornou célebre: “Não vou deixar meu país por um milhão de dólares nem por muito mais que isso. O que é um milhão de dólares perto do amor que oito milhões de cubanos sentem por mim?” 
Quantas vezes na vida profissional e pessoal deixamos de perceber e valorizar as ajudas que recebemos? 

Não credito tal postura ao regime do país em que viveu, visto que vários outros cubanos abandonaram a nação. 
Tampouco credito aos valores que o esporte proporciona ao cidadão, pois há também inúmeros casos de atletas ingratos e sem garra. 
Creio, sem a pretensão de ser definitivo, que nenhum fator individualmente seja o responsável pela formação da personalidade das pessoas, até porque, não há como expurgar o componente “caráter” dessa formação, entretanto, é certo que bons exemplos são ótimos apelos motivacionais para se seguir em frente e valorizar aquilo que nos é ofertado. 

Jamais saberemos se Stevenson, El Gigante del Central Delicias, conseguiria no boxe profissional o mesmo sucesso técnico que teve no boxe amador, mas certamente sua persistência e gratidão ficarão marcadas na memória do povo de seu país e daqueles que valorizam os bons exemplos tanto na esfera esportiva, como na profissional e pessoal.


terça-feira, 12 de junho de 2012

Staples: Arena ou Varejo?

Eis a questão!
A Staples (Varejo) é a maior empresa do ramo de varejo de material para escritório.
Emprega cerca de 90 mil colaboradores, tem mais de 2 mil lojas físicas e está presente em quase 30 países sob alguma forma de operação, entre as quais se destacam: Varejo (superstores), Delivery (onde combina comércio eletrônico e catálogos), Staples Contract (voltado ao segmento de médias e grandes empresas e Quill (venda por correspondência, especializada em pequenas empresas, escritórios de advocacia, consultórios e instituições de ensino). 
Grande parte de suas lojas opera 24 horas por dia, todos os dias do ano. 
Além de grande variedade de produtos - mais de 45 mil itens - oferece uma linha de marca própria com mais de 2 mil itens e serviços de cópia e impressão. 
O que também chama a atenção na Staples foi a forma como foi criada, pois, como a maioria dos produtos bem sucedidos, nasceu de uma necessidade identificada por seu fundador, Tom Stemberg, executivo do ramo de supermercados que, trabalhando em casa num feriado precisou de um material de papelaria para conclusão de sua tarefa e não conseguiu encontrar nenhum local aberto para comprá-lo.. 
Identificada a necessidade, desenvolveu o projeto e em menos de um ano, maio/1986, abriu a primeira loja da Staples. 

Aqui valem duas ressalvas sobre o caso: 
1 - não bastam ideias ou identificações de necessidades para um produto ter sucesso, pois sem projetos bem estruturados nenhuma ideia sobrevive.
2 – uma necessidade particular não é obrigatoriamente uma necessidade coletiva, ou seja, é fundamental pesquisar e estimar o potencial de mercado. 

STAPLES CENTER - JOGO LAKERS
No caso da Staples o sucesso é incontestável, seu crescimento extraordinário permitiu com que focasse também o esporte adquirindo o naming rights da principal arena de Los Angeles por US$ 119 milhões pelo período de 20 anos. 
Nascia assim, o Staples Center (Arena) único a sediar jogos de quatro equipes profissionais nos EUA, além de ter abrigado o velório de Michael Jackson. 
Trata-se de uma arena com aproximadamente 19 mil lugares, porém, dependendo da configuração pode ter sua capacidade alterada. 
STAPLES CENTER - JOGO CLIPPERS
Para os jogos dos Lakers, por exemplo, são disponibilizados 18.997 assentos, já para as partidas de seu rival, o Clippers são 19.060, enquanto que para o Kings – equipe de Hockey -, são 18.118. 
O mais curioso é que algumas vezes, o Staples Center chega a receber duas partidas no mesmo dia, o que requer a customização do espaço, tanto no que tange ao piso da quadra quanto à configuração dos assentos e a adequação dos camarotes, além, é claro, do planograma das lojas que vendem produtos licenciados. 
STAPLES CENTER - JOGO KINGS
Toda essa operação, pasmem, é concluída em apenas duas horas. 

A quantidade e qualidade de eventos no Staples Center somadas às excelentes práticas de operação da arena indicam que o investimento em naming rights tem sido bastante interessante sob o ponto de vista de exposição da marca, podendo servir de benchmarking para inúmeras empresas, inclusive no Brasil. 
Todavia, é primordial que os detentores dos direitos de mídia entendam que tal iniciativa é completamente diferente do marketing de emboscada (ambush marketing) http://halfen-mktsport.blogspot.com.br/2010/06/marketing-de-emboscada.html
, e que qualquer tentativa de “sonegar” o nome ou imagem dos patrocinadores só terá como efeito o afastamento dos investidores no esporte. 

Dentro dessa linha, creio que o melhor título para o artigo seja: Staples: Arena E Varejo.


terça-feira, 5 de junho de 2012

Pinterest, mais uma rede.

O fenômeno das redes sociais vem se tornando um grande desafio para os gestores de marketing e CEO's de instituições.
Saber trabalhar com elas é algo que todos buscam, porém, em função do relativo pouco tempo de existência e da velocidade da evolução tecnológica, ainda gera muita incerteza.

Por outro lado, criar uma rede social e ingressar nesse mercado é algo que pode remeter às famosas bolhas que abalaram a economia mundial, até porque, elaborar produtos atrativos e com modelos de negócios viáveis não é tarefa das mais fáceis, vide a evolução que muitos produtos sofreram, valendo aqui lembrar o telefone celular que inicialmente cobrava a tarifa de quem recebia as ligações e os pacotes de acesso à internet cobrados por minutos utilizados. 

Ter um número significativo de acessos não significa que o modelo seja lucrativo, pois mesmo adotando-se procedimentos de segmentação e busca de públicos distintos, o fator modismo ainda tem grande influência na audiência e no efetivo consumo.
Dessa forma, o declínio de algumas redes costuma ser silencioso, assim como costuma ser o crescimento e o surgimento de outras. 

Nessa linha, vale comentar o surgimento da Pinterest, uma rede social voltada à organização e compartilhamento de imagem que foi criada em 2010 na Califórnia e hoje já é a terceira mais acessada nos EUA. 
Essa rede costuma ser muito utilizada pelo segmento varejista para apresentar seus produtos e até comercializá-los, principalmente os voltados ao público feminino, o que pode explicar o fato de cerca de 80% dos usuários do Pinterest serem mulheres. 

Curiosamente, mesmo diante dessas características demográficas, o Liverpool da Inglaterra lançou sua página no Pinterest http://pinterest.com/officiallfc/, o que reforça ainda mais seu posicionamento de pioneirismo no país. 

Através do Pinterest, o Liverpool comercializa produtos licenciados e consegue ainda sob a forma de fotos e vídeos passar um pouco da história do clube, o que é bastante produtivo numa sociedade onde o bombardeio de comunicação e informações é cada dia mais intenso. 

Contudo, tão importante quanto a reflexão infindável acerca do mercado de redes sociais, é observar a atuação do Liverpool, que em suas iniciativas consegue cumprir um dos princípios básicos do marketing, o de estar ao alcance de seus potenciais consumidores, seja distribuindo de forma eficaz suas informações como também seus produtos.