terça-feira, 30 de julho de 2013

Começos, fins, recomeços...




A maioria dos processos seletivos para cargos de liderança não costuma fugir muito das convencionais análises de currículos, entrevistas com a área de RH e com os principais executivos da empresa.
As entrevistas, por sua vez, também não variam muito no que tange ao conteúdo: um quebra-gelo inicial, questionamentos sobre as principais realizações, algo sobre hábitos pessoais e perguntas sobre os motivos da busca por novos desafios e pretensões, além, é claro, das razões de saída dos últimos empregos.

Creio, no entanto, que tão ou mais importante quanto  a razão da saída é a forma como essa se deu.

A partir daqui, vou me ater ao segmento esportivo, não só pela maior repercussão que os rompimentos nesse meio causam, mas também pelo fato de ser um blog sobre esportes, entretanto, vale deixar registrado que o texto poderia ser replicado para relações profissionais corporativas e pessoais.

São basicamente três, os tipos de reações ao fim de um ciclo de relacionamento.
  • Alguns passam a criticar publicamente a outra parte, deixando a mágoa falar mais alto, o que considero lamentável.
  • Outros, talvez a grande maioria, machucados pela dor, se esquecem dos bons momentos daquela relação e optam pelo silêncio. 
  • Porém, poucos são aqueles que, apesar da tristeza pelo fim, se portam de forma elegante e ética, deixando espaço para que no futuro, quem sabe, haja um recomeço.
Obviamente, o texto poderia ser enriquecido com exemplos para cada uma das reações citadas, mas deixarei que a imaginação de cada um se encarregue de fazê-lo, excetuando o 3º caso, onde, por uma questão de reconhecimento, justiça e admiração, deve ser feita menção ao excelente treinador tricolor Abel Braga.

Sua liderança, seus resultados, sua forma de defender a instituição, seu comportamento na despedida e, sobretudo, seu caráter são exemplos para profissionais de qualquer área.

Muito obrigado, Abelão!


terça-feira, 23 de julho de 2013

Convicção ou fanatismo

É muito tênue a linha que separa o fanatismo exacerbado de uma forte convicção, principalmente quando há dinheiro envolvido.

Um caso que ilustra bem essa introdução ocorreu recentemente com o jogador de futebol do Newcastle da Inglaterra, o senegalês Papiss Cissé, que abandonou a equipe em função do patrocínio que o clube passou a ostentar na camisa.
A marca em questão é a Wonga.com, uma empresa do segmento financeiro especializada em empréstimos de curto prazo, que tem como fonte de lucro os juros cobrados, prática que Cissé, islâmico, condena por princípios religiosos.
O contrato, que foi assinado em outubro de 2012, rende ao clube 8 milhões de libras anuais, cerca de 27 milhões de reais, valor importante para um clube de tal porte.

Não cabe aqui, como acontece em alguns países em relação a tabaco, bebida e até apostas, a proibição de patrocínios, mesmo porque, várias empresas dos mais diversos segmentos têm produtos e práticas contestados sob os mais variados argumentos e nem por isso se cogita alguma espécie de restrição.

Penso que a atitude de Cissé é digna de toda admiração, afinal ele passaria a ser remunerado por um dinheiro vindo de uma prática intolerável para ele.
Por outro lado, esse mesmo dinheiro é importante para o funcionamento de toda engrenagem do clube, inclusive salários dos demais jogadores que mantém suas famílias, as quais, talvez, não precisem dos serviços de empréstimos graças ao esporte.
Indo mais longe, poderíamos até questionar o silêncio de jogadores de clubes com patrocinadores que não prestam bom atendimento, comercializam produtos não saudáveis e até façam mau uso dos recursos financeiros.
Entretanto, mesmo respeitando a opção de cada um, creio que cabe ao profissional cumprir a tarefa que lhe é contratada, no caso treinar e jogar de forma satisfatória, não cabendo intromissão em assuntos fora do estabelecido em seu contrato, aliás, a inclusão de cláusulas que estabeleçam procedimentos relativos a patrocínios pode ser uma boa forma de prevenção para situações como essa.
Na esfera corporativa, conheço, e muito bem, executivos que se recusam a trabalhar em ramos de atividade que fabriquem produtos nocivos à saúde, mas, que aceitam trabalhar até sem remuneração em instituições que acreditem.

De qualquer forma, o caso Cissé vs. Wonga.com, conseguiu uma maior divulgação tanto da empresa como do clube, além de provocar uma maior reflexão sobre as razões do questionamento aos empréstimos de curto prazo.

Todavia, ficou ainda mais tênue a linha que separa fanatismo de convicção.



terça-feira, 16 de julho de 2013

Evolução não é por acaso

O site Grantland publicou recentemente uma interessante reportagem sobre o excelente jogador do Miami Heat, LeBron James, o qual conquistou pela quarta vez o prêmio de MVP  (Most Valuable Player - Jogador Mais Valioso) da NBA, juntando-se ao seleto grupo de Wilt Chamberlain, 4 vezes MVP, Bill Russell e Michael Jordan, 5 vezes cada e Kareem Abdul-Jabar com 6.

O artigo se chama - The evolution of King James - http://www.grantland.com/story/_/id/9109245/how-lebron-james-transformed-game-become-highly-efficient-scoring-machine  e discorre sobre a notória evolução da eficiência do jogador. 
Aqui deve ser destacado que a evolução se dá tomando como base e parâmetro números que já podiam ser considerados como ótimos. 
Porém, o mais interessante desse progresso é a forma como foi conquistado, pois serve de exemplo tanto para atletas de qualquer modalidade esportiva, como para executivos, além, é claro, de poder ser aplicado na vida de forma geral. 

Lebron explica que a atenção às estatísticas relativas ao seu desempenho nos fundamentos, cruzados com as mais diversas formas de interações ocorridas num jogo de basquete – até a maneira de como realiza as assistências para cada pivô do seu time, por exemplo – o levam ao aprimoramento.

Em resumo, ele credita sua evolução à maior consciência, reconhecendo que mesmo um inquestionável talento como o seu, precisa ser lapidado e trabalhado. 

Quantos atletas conhecemos com essas características?
Pouquíssimos, sem dúvida, e aqui não vale justificar uma eventual restrição da quantidade de dados estatísticos produzidos – scout -, pois nem esses são trabalhados de forma intensiva e eficiente.

No mundo corporativo, o cenário não é muito diferente, com a diferença de que nesse existe um maior leque de indicativos macros, os quais podem servir como objetivos e metas para algumas áreas.
Mesmo assim, não é grande o número de profissionais que dedicam parte de sua jornada ao acompanhamento frequente de algum parâmetro de desempenho.
As razões que levam a essa postura variam da falta de consciência a respeito das vantagens de se trabalhar dessa forma à falta de tempo, passando ainda pela pouca afinidade a números e a resistência ao "que não gosta e/ou não faz bem". 


Independentemente das razões, é lamentável que talentos sejam desperdiçados em função de posturas que privilegiem a preguiça, a indolência, a soberba e a irresponsabilidade. 
Aqui não me refiro apenas à preparação ou às competições esportivas e mercadológicas, mas também à busca por ferramentas de avaliação.

Para concluir, vale a reflexão sobre uma frase de Albert Einstein: “O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário”, a qual poderia ser adaptada ao esporte substituindo "trabalho" por "treino", se é que são diferentes.
 “As grandes almas têm vontade, as mais fracas somente desejos”.




terça-feira, 9 de julho de 2013

Boa propaganda?

Frequentemente ouvimos e até proferimos expressões que se referem a algum tipo de julgamento, todavia, em grande parte das vezes, tais avaliações são meramente emocionais e sem se ater se os critérios que levam a tal conclusão são adequados.

O que vem a ser um bom médico ou um bom dentista?

Existem centenas de variáveis e ponderações que poderiam, talvez, embasar esse veredito, no entanto, a própria ponderação que deveria ser aplicada às tais variáveis também necessitaria de julgamentos, os quais, certamente, também seriam questionados.

O mesmo raciocínio pode ser aplicado à propaganda.


Em conversas informais surgem algumas vezes citações sobre propagandas e campanhas publicitárias geniais, porém quando se questiona sobre a lembrança da marca ou mesmo do produto anunciado, há um silêncio revelador da pouca eficácia daquela comunicação.
Obviamente existem métricas e pré-testes que conseguem trazer indícios sobre a eficácia da campanha, no entanto, sua aplicação pode ser questionável, principalmente em função da capacidade econômico-financeira do anunciante.
Deixando a teoria de lado, podemos passar para um caso ocorrido no lançamento do smartphone Galaxy S4 pela Samsung, que se utilizou do campeão olímpico jamaicano Usain Bolt para o endosso do produto.

Uma ótima escolha, pois consegue associar o homem mais veloz do mundo a um aparelho que tem a velocidade como uma de suas vantagens competitivas.


Como parte das ações de lançamento, organizou um grande evento promocional em Westifield, no qual os visitantes poderiam testar o smartphone.
Nesse mesmo evento, como ferramenta de entretenimento, foi colocado um banner em tamanho real do corredor, de forma que as pessoas pudessem tirar foto ao lado dele e assim se passasse a impressão que era o próprio Bolt na foto.
Resultado: a maioria dos presentes ao evento preferiu fazer a foto ao lado do cartaz de Usain Bolt do que testar um dos telefones mais rápidos do mundo.

Muito provavelmente, os que foram ao evento adoraram a atração, entretanto, poucos poderão recomendar o Galaxy S4 em função da experiência de uso.
Um típico caso em que o anúncio tem uma repercussão maior do que o produto e a marca em si.

É importante destacar que o fato ocorrido não significa que campanhas não devam ser impactantes e fortes, ao contrário, no entanto, é fundamental que haja o devido equilíbrio e que os objetivos do anunciante sejam a prioridade da iniciativa.



terça-feira, 2 de julho de 2013

As marcas esportivas das seleções


Um estudo da Jambo Sport Business - http://www.slideshare.net/jambosb/marcas-esportivas-das-selees-de-futebol-2013 - identificou os fornecedores esportivos das 209 seleções que compõem o ranking FIFA e as supostas estratégias de atuação das principais marcas.


Ao todo, 14 equipes (6,7%) não possuem fornecedor de material esportivo, enquanto 61 (29,2%) são supridas pela Adidas, 29 (13,9%) pela Puma e 27 (12,9%) pela Nike.

Completa o ranking das cinco principais marcas, Umbro e Lotto com 9 seleções cada.

A grande maioria das empresas de material esportiva considera fundamental para sua operação, ser fornecedora de, pelo menos, um dos três clubes de maior torcida naquele país e da seleção nacional.
Ser o fornecedor de um dos clubes de massa propicia maiores vendas, essas, porém, ficam restritas a torcedores daquele time no país, ou simpatizantes em outras partes do mundo, desde, é claro, que haja distribuição global.
Já no caso de "seleção", os uniformes têm aceitação total no próprio país e dependem basicamente do desempenho da equipe, do poder aquisitivo da população e da cultura esportiva do país, pois caso o país não tenha o futebol como um dos esportes mais populares, a oferta desses produtos é prejudicada.

Dentro desse contexto é possível deduzir que:

A Adidas, mesmo líder absoluta no geral e na maioria dos continentes, divide a liderança quando se avaliam as 10 seleções melhores rankeadas, o que pode denotar uma política mais voltada à quantidade do que outras marcas.

A Nike, embora também foque o aspecto quantidade, parece ser mais criteriosa na formação de seu portfólio, de modo a ter proporcionalmente presença bem marcante nas seleções mais tradicionais e, principalmente, nas seleções dos países com maiores PIBs e mais populosos. 

Ainda, entre as três grandes, temos a Puma, que patrocina um número de seleções superior ao da Nike, porém de países menos expressivos em termos de tradição, população e tamanho do PIB.

Também é possível verificar que algumas empresas escolhem continentes específicos para focarem seus objetivos de quantidade de seleções: Puma na África, Umbro na Europa e Lotto na Oceania exemplificam bem essa afirmativa.

Por fim, vale ressaltar que, além de vendas significativas, as empresas de material esportivo visam também a exposição de suas marcas e a associação com conceitos que traduzam seu posicionamento mercadológico, os quais podem estar ligados, entre outros, à vitória, superação ou até mesmo à característica na sua prática, como o "futebol brasileiro joga bonito" por exemplo.