terça-feira, 30 de dezembro de 2014

As marcas esportivas nos Mundiais de 2014


Para os amantes dos esportes, principalmente os coletivos, 2014 foi ótimo, pois nele foram disputados os campeonatos mundiais de basquetebol, futebol e voleibol masculino.
Excetuando o futebol, as versões femininas destes campeonatos também aconteceram, porém como o objetivo do artigo é analisar o comportamento das marcas esportivas em cada país que tenha disputado ao menos uma das competições, focaremos as competições masculinas, já que a amostra é maior.

Os mundiais de voleibol e basquetebol foram disputados por vinte e quatro seleções, já o de futebol por trinta e duas.
Ao todo cinquenta e dois países estiveram presentes em pelo menos um desses campeonatos. Desses, oito estiveram nos mundiais dos três esportes, doze estiveram em duas disputas e os demais trinta e dois em apenas uma.




Dos oito países que competiram nas três modalidades, cinco - Argentina, Austrália, França, Irã e México - tiveram um fornecedor esportivo diferente para cada um dos campeonatos. Os outros três – Brasil, Coréia do Sul e EUA – tiveram o mesmo fornecedor em duas modalidades.

A competição de futebol, apesar de ter tido o maior número de participantes, foi a que teve o menor número de marcas presentes, oito, contra dez do basquete e onze do vôlei.
Vinte e quatro marcas vestiram ao menos uma seleção em alguma das competições e apenas uma equipe não dispôs de patrocínio nessa categoria de produto, a do Egito no basquete.

A Nike foi a marca mais presente – vinte equipes. Se considerarmos a Air Jordan nesse cálculo, já que a marca pertence à Nike, o número sobe para vinte e um. Em segundo vem a Adidas com quinze equipes e em terceiro a Puma com oito.
Quando focamos a análise em número de modalidades, temos a Adidas como a única que teve seleções nos três campeonatos, ao passo que Nike e Joma marcaram presença em dois (futebol e basquete) e as demais em um.

Em relação à nacionalidade das marcas, a Itália lidera com cinco, seguida por Alemanha e EUA com quatro, China e Japão com duas. Brasil, Equador, Irã, Peru, Sérvia e Suíça têm uma marca cada.

Considerando a classificação a partir dos semifinalistas de cada campeonato, vemos que:
  • Adidas e Nike empatam em número de seleções patrocinadas na fase semifinal, no entanto, a Adidas está presente em todas as modalidades ao passo que a Nike está em duas, já que não teve nenhum representante no futebol.
  • Quando analisamos as seleções finalistas, a Adidas lidera com 3 equipes (duas no futebol e uma no voleibol), enquanto a Nike tem apenas uma, número igual ao da Olympikus e da chinesa Peak.
  • A Adidas teve as seleções campeãs de futebol (Alemanha) e voleibol (Polônia), já a Nike, teve na seleção norte-americana de basquete, sua única equipe campeã.
Quando focamos as seleções dos países que sediaram os mundiais, temos a Nike marcando presença no futebol com o Brasil e no basquete com a Espanha, ao passo que a Adidas vestiu a Polônia no voleibol.
Outra iniciativa importante em termos de patrocínio de marcas esportivas diz respeito à compra dos direitos em ser a marca oficial da categoria nas competições. Nessa modalidade, mais uma vez a Adidas se destacou, pois foi a detentora no futebol e no voleibol, já no basquete essa propriedade ficou com a Champion.

Como podemos ver, a disputa entre as marcas foi tão árdua e envolvente quanto às dos mundiais, o que mostra mais uma vez que a competição de mercado tem muito a se inspirar no que acontece no esporte, e vice-versa.




terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Os atletas e as causas sociais



A utilização de atletas consagrados para o endosso de produtos tem sido uma ferramenta bastante utilizada pelas empresas, afinal de contas, trata-se de um vencedor e para chegar nesse nível é fundamental fazer boas escolhas. 
Evidentemente, a responsabilidade desses atletas também aumenta quando atingem a posição de ídolos e protagonistas de suas modalidades, já que passam a ser, mesmo que involuntariamente, exemplos e modelos de comportamento, o que não é tão fácil, já que como seres humanos são sujeitos a deslizes e tentações. 
E o pior, quando pegos em falhas, mesmo que não tão graves como doping e assassinatos, são muitas vezes “linchados” pela imprensa e opinião pública. 

Faz parte do sucesso, infelizmente. 

Claro que uma reação de destempero, muito comum no meio esportivo é ruim, no entanto, essas muitas vezes têm sua repercussão amplificada de forma desproporcional, ao passo que outras, como o fato de certas personalidades não usarem seus prestígios e popularidades em defesa de causas sociais é ignorado solenemente. 

Custa a crer que alguns ídolos do esporte não tenham ciência do tamanho de suas influências, que são personagens globalizados e que detêm a capacidade de atingirem todas as classes sociais, culturas, religiões, etnias e faixas etárias. 
Nem entro na discussão sobre o grau de preocupação com certas causas por parte desses atletas de sucesso, pode até ser que não possuam a devida consciência social, mas penso que, mesmo como forma de causarem um impacto positivo para eles, valeria emprestar sua imagem para a defesa de alguma causa. 
Enfim, creio que independente da motivação ou do tipo de causa a ser encampado, o mais importante é o engajamento daquele que chegou àquele estágio de sucesso graças, entre outras coisas, ao dom recebido. 

Felizmente, há bastante bons exemplos nesse sentido, entre os quais podem ser citados: 

  • The Didier Drogba Foundation – do atacante da Costa do Marfim que, além de focar o incentivo à prática esportiva, auxilia no combate à pobreza e erradicação de de doenças. 
  • Ali Center – do maior pugilista de todos os tempos, Muhammad Ali, que lutou ferozmente contra a segregação racial, e cuja instituição incentiva o desenvolvimento de pesquisas nas áreas da saúde e educação. 
  • Fundacion Leo Messi – do jogador Lionel Messi voltada aos projetos de educação e inclusão social. 
  • Serena Williams Foundation – da tenista #1 do mundo, que apoia famílias vítimas de violência doméstica e jovens sem acesso à educação. 
Recentemente, a tenista promoveu em Miami, uma corrida na qual ela e sua irmã Venus participaram, cuja arrecadação da prova foi toda revertida para a fundação. 
Uma iniciativa bastante interessante, pois deu a oportunidade de pessoas estarem ao lado da tenista num evento esportivo, mesmo não sendo a modalidade que a consagrou, e cujos recursos empenhados foram voltados a uma causa social. 

São muitas as iniciativas nesse sentido, porém, poderiam ser muito mais, afinal:

"Quando a desigualdade nāo é resultado de fatores meritocráticos, ela é extremamente prejudicial à sociedade" - Thomas Piketty




terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Patrocínios duradouros

O fim da parceria Fluminense/Unimed traz à tona uma discussão que julgo ser bastante pertinente: os patrocínios duradouros.

Não resta a menor dúvida que ter um bom patrocinador pelo maior tempo possível é algo extremamente benéfico e que todos os clubes, confederações e atletas sonham com esse cenário.
Me refiro aqui  ao patrocínio máster, por esse tomar o maior espaço do uniforme e assim ficar com sua marca mais associada à do clube.
No entanto, deve também ser considerado que a perspectiva de uma parceria eterna é utópica, sendo assim, penso haver dois cuidados numa relação como essa:
  • Não deixar que a marca do patrocínio seja uma espécie de extensão da própria marca do clube ou confederação, pois isso, principalmente em países onde a compra de camisas oficiais por parte do consumidor não tenha uma frequência considerável, faz com que o ex-patrocinador se mantenha demasiadamente incorparado ao patrocinado.
Essa situação faz com que potenciais patrocinadores venham a preferir estampar suas marcas em clubes/confederações com graus de simbiose menores.
Para fugir um pouco do futebol, citamos a seleção brasileira de vôlei, patrocinada pelo Banco do Brasil, como um exemplo do que queremos dizer.
As próprias cores do banco, coincidentemente, similares às da seleção corroboram para essa dependência. 
Houve até uma tentativa de alteração das cores do uniforme por parte da confederação - o time feminino usaria rosa e o masculino preto – o que não foi em frente em função da oposição feita pelo banco.
Voltando ao futebol, temos a Inter de Milão sendo patrocinada pela Pirelli desde 1991 e o Bayern de Munique pela Deutsche Telekom desde 2006, o qual se encerrará em ao fim da temporada 2018/2019.
Com essa observação sobre o time alemão, passamos para o 2º cuidado:
  • Fazer contratos e negociações, nos quais haja um tempo razoável para as partes se organizarem no caso de uma não continuidade da relação.
Há que se ter em mente que a empresa patrocinadora tem, geralmente, seu plano de ações definido com relativa antecedência e que uma ruptura do planejado pode alterar toda estratégia traçada.
O mesmo, sem tanta antecedência assim, ocorre no caso de clubes, confederações e atletas.
A utilização do case do Bayern Munich pode servir como benchmarking aqui, já que o próximo patrocinador máster já está definido, a Audi. 
Devemos, entretanto considerar que a Audi é uma das acionistas do clube, assim como a Adidas, seu fornecedor de material esportivo e a Allianz, que detém o naming rights de sua arena.
Numa situação como essa dá até para se almejar uma relação eterna, mas como sabemos que é difícil, que seja pelo menos eterna enquanto dure.



terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Dependendo da ótica...

“Marketing no futebol é bola dentro da casa. Se a bola entrar naquela casinha, você vende até Modess pra homem. É só colocar o escudo do Atlético.” Alexandre Kalil, presidente do Atlético MG de 2008 a 2014.

Esse tipo de frase tem a capacidade de causar arrepios em qualquer profissional de marketing, afinal, todos que militam seriamente na área reconhecem a suma importância desse departamento para qualquer instituição.
Entretanto, todos que militam seriamente na área concordarão, após o impacto inicial da frase supostamente sem nexo, que há certa dose de razão na fala do ex-presidente mineiro e para argumentar a respeito, não utilizarei a máxima de que "até um relógio parado está certo duas vezes ao dia", mas sim, argumentos relacionados aos aspectos relacionados ao marketing e ao esporte.

Creio não restar dúvida de que o bom desempenho esportivo ajuda bastante na obtenção de receitas, sejam essas advindas de patrocínios, bilheterias, direitos de tv e/ou licenciamento.
Obviamente, uma boa estrutura de marketing contribui para potencializar os efeitos de jornadas vitoriosas e minimizar os períodos menos frutíferos.
Aqui chegamos ao segundo ponto em que a declaração polêmica pode ganhar mais alguns contornos de assertividade.
Reparem que fiz questão de utilizar as expressões: “todos que militam seriamente na área” e “boa estrutura de marketing”.

Pretendo com o enaltecimento dessas expressões provocar a reflexão sobre a eficácia de se ter uma área de marketing despreparada e sem a vivência necessária na disciplina.

Outro fator que também corrobora para deixar a tese do “desprezo ao marketing” discutível é a própria falta de preparo do presidente, que se não souber efetivamente o que é marketing, o que se pode obter com ele e quais os objetivos a serem alcançados através da área, de fato estará certo na opção de extinguir o departamento.
Seria uma medida mais honesta do que incluí-la no organograma por razão de "status" ou por querer uma grife que possa respaldar sua gestão em termos de imagem, evitaria dessa forma que ficasse evidente sua incapacidade de avaliar resultados ou  de dedicar um orçamento adequado à área tão importante.

Apesar das observações acima terem sido originadas no meio esportivo, o qual reconheço ser mais carente de mandatários, executivos de marketing e até “especialistas e críticos” capacitados, o cenário de desconhecimento acerca do marketing é extensívo ao mundo corporativo.
Infelizmente, muito mais comum do que se possa imaginar, existem presidentes de empresas que investem em estruturas de marketing sem terem a mínima noção do que querem, ou melhor, sem saber se o que querem é factível com o orçamento disponibilizado ou mesmo se estrategicamente é adequado àquela conjuntura de mercado.
Nessa situação de presidente, digamos, pouco brilhante, só restam duas opções: torcer para o executivo de marketing ter um poder de convencimento superior à incapacidade do mandatário ou torcer para a bola entrar na “casinha”.


terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Pré-temporada, não basta copiar.


Depois de muito tempo, os clubes brasileiros passarão a ter um período de preparação um pouco maior para a temporada que se iniciará em 2015, aqui se inclui férias (descanso?) e pré-temporada, sobre essa última versará o artigo que pretende discutir a eficácia de se realizar tal etapa fora do país, sob o prisma de preparação técnica e mercadológico.
Primeiramente precisamos refletir sobre o argumento “internacionalização da marca”, que nada mais é do que fazer com que a marca seja, ou desperte o desejo de ser, consumida pelo mercado externo.


Vamos então analisar as linhas que compõem a matriz de receitas de marketing de um clube de futebol com o devido cruzamento em relação ao mercado externo.
  • Captação de patrocínios - não acho que a pré-temporada seja tão importante para esse fim, visto que os eventuais patrocinadores procuram os clubes visando uma maior exposição da marca e/ou associar a um posicionamento mercadológico da mesma. Sendo assim, não será a realização de algumas partidas nos EUA que despertará a atratividade da marca.
  • Venda de produtos licenciados – além de não representar uma soma significativa, ainda depende da distribuição por parte dos fornecedores e da divulgação da oferta.
  • Venda de títulos ou bilheteria nos jogos - também me parecem desprezíveis em termos de valores no mercado externo.
  • Cotas de TV – não tenho conhecimento se houve comercialização desses direitos, e se houve, precisaríamos saber qual foi o montante.
Podemos ainda incluir como benefício de marketing, a divulgação da marca para que no médio e longo prazo, as eventuais negociações sejam facilitadas.
No entanto, para esse fim, é necessário que o binômio cobertura/frequência tenha índices consideráveis.
Cobertura vem a ser o número de pessoas impactadas pela presença do clube no exterior, enquanto que frequência vem a ser o número de vezes que a marca aparecerá até o período em que se almeje colher o retorno.
Outra variável importante para a avaliação da pré-temporada no exterior é o papel que o clube lá desempenhará, pois caso os resultados sejam ruins, pode fazer do clube uma versão internacional do simpático Íbis de Pernambuco.
E aqui reside o meu maior temor: prejudicar o lado técnico de uma equipe que terá pela frente calendário e campeonatos dificílimos na temporada.

Deixo a avaliação científica sobre esse tema ao preparadores físicos, médicos e fisiologistas, mas penso que a fase “chamada” de base, aquela que ocorre na pré-temporada, é vital para dar a sustentação aos treinos específicos e minimizar os riscos de contusão no decorrer temporada.

Diante de tantos argumentos contra a pré-temporada, teremos provavelmente leitores ávidos para contrapô-los alegando que essa prática é bastante comum entre os times europeus, sendo inclusive uma excelente fonte de receitas para os clubes.
Alegação que sou obrigado a concordar, porém não posso deixar de afirmar que tratam-se de realidades diferentes e explicarei a razão baseado na análise que fiz de 11 times europeus em relação à temporada 2014/2015: Inter, Juventus e Milan da Itália; Barcelona e Real Madrid da Espanha; Arsenal, Chelsea, Liverpool, Manchester City e Manchester United da Inglaterra;Bayern Munique e Borussia Dortmund da Alemanha.

Entre as principais diferenças valem ser citadas:
  • A temporada dos times europeus costuma durar cerca 280 dias, já a nossa ultrapassa os 320 dias, o que consequentemente exige um grau maior de esforço dos atletas.
  • Apesar de não constar na minha análise, suponho que as distâncias percorridas pelos times europeus sejam menores que as dos brasileiros, além do estado dos gramados ser melhor.
  • O clube que teve o menor período de férias na amostra foi a Inter de Milão, 50 dias e o que teve maior descanso foi o Chelsea, 62 dias. O Fluminense terá no apenas 29.
  • O time que teve a pré-temporada mais curta foi o Real Madrid, 28 dias, apenas três dias a mais do que a do Fluminense, porém os espanhóis vinham de 57 dias de férias e fez o primeiro jogo em outro continente 12 dias após o início da pré-temporada, enquanto nosso time fará o seu jogo com 8 dias de treino. 
  • As maiores pré-temporadas foram do Milan e da Inter de Milão com 50 e 52 dias respectivamente.
  • Bayern Munique e Juventus fizeram seu primeiro jogo de pré-temporada em outro continente depois de 23 dias de treinamento.
Creio não pairar nenhuma dúvida que o calendário do futebol brasileiro é extremamente prejudicial a ações “internacionais”, o que se agrava quando essa acontece logo no início da temporada.

Diante do exposto, penso que, principalmente no que tange aos clubes brasileiros, a ferramenta mais eficaz para se auferir receitas de marketing é ter um time vencedor, pois assim, se consegue auferir mais receitas tanto através da valorização do patrocínio, como também das vendas de produtos licenciados, títulos do clube e ingresso, além, é claro, de aumentar o poder nas negociações com os detentores dos direitos de transmissão.



terça-feira, 25 de novembro de 2014

Não debateram o esporte...


De forma proposital deixei passar o período eleitoral para abordar um tema que não foi debatido entre os candidatos à presidência do Brasil: a política esportiva.
Até entendo que existam outros temas prioritários como educação e saúde, porém o esporte de forma bem gerida pode ser uma excelente ferramenta de colaboração nessas áreas.
Isso também não significa que tal discussão seria decisiva para a escolha do candidato, mas certamente poderia dar ao eleitor alguns indicativos do programa de governo do candidato.
Uma das poucas coisas que ouvi a respeito, e nem tenho confirmação se a declaração efetivamente ocorreu, foi sobre a intenção da candidata Marina Silva em abolir o Ministério dos Esportes.
Sendo verídica ou não a declaração, vale a análise sobre essa proposta.

Muitos do que militam no esporte acham que o fim desse ministério seria maléfico para o esporte, o que discordo.
Não por achar que o esporte seja inferior a outras pastas, mas por acreditar que o nível hierárquico da função tem menos importância do que a forma de gerir e os recursos da pasta.
Na verdade, esse tipo de “briga” por status não é exclusividade de órgãos governamentais, pois em empresas também acontece de um executivo ficar “chateado” por sua área não ser uma vice-presidência como outras, não importando se seu salário e orçamento é igual ou maior do que a VP.

Mas voltando ao ministério do esporte, não vejo problema em vê-lo como uma secretaria ou mesmo subordinado a outros ministérios como o da educação, por exemplo.
Seria até uma maneira de diminuir a exagerada quantidade de ministérios.
Só não abriria mão de ter como titular da pasta, alguém preparado, correto e com vivência no esporte, de modo que sua equipe contemplasse pessoas com amplo conhecimento nas três manifestações esportivas: desporto educacional, desporto de participação, desporto de rendimento.
A partir dessa premissa, bastaria incorporar um orçamento compatível com os objetivos que o esporte deve propiciar ao país e daí estabelecer e divulgar indicadores de desempenho no curto, no médio e no longo prazo.

Fica para a próxima...







terça-feira, 18 de novembro de 2014

Imprevistos acontecem...

O ATP World Tour Finals 2014 teve um desfecho totalmente inesperado, o qual não tem nenhuma relação com os resultados esportivos, visto que os dois melhores jogadores da atualidade, Roger Federer e Novak Djokovic, chegaram à decisão.
A surpresa se deu com a desistência do suíço Federer antes do jogo final, que com fortes dores nas costas considerou que, por respeito ao público presente, seria mais apropriado não entrar em quadra.

Não me sinto à vontade para julgar o tenista, já que muito provavelmente eu não teria a isenção necessária, visto a admiração que nutro pelo atleta, no entanto, creio ser interessante analisar sob o prisma do esporte e do marketing as implicações de sua decisão.

Penso que a presença em quadra de um atleta sem condições é extremamente prejudicial, tanto para o atleta que não consegue atuar dentro das expectativas do público, quanto do adversário que ficaria constrangido em jogar contra quem não oferece resistência. 
Evidentemente não podemos também desprezar a frustração daqueles que se programaram para assistirem à final, seja pessoalmente, seja pela TV. 
Para esses, os organizadores tiveram uma solução que julguei bastante razoável, promover uma partida “exibição” entre Djokovic e o melhor jogador da Grã Bretanha, o escocês Andy Murray, já que o torneio aconteceu em Londres.
Eventuais críticas à desistência de Federer não me parecem corretas, tanto em função do seu histórico de superação, como também por seus bons antecedentes como atleta, o que nos leva à conclusão de que as dores eram realmente insuportáveis, o que, aliás, é bastante comum no esporte de alto rendimento.
Todavia, uma parte importante dessa engrenagem foi bastante prejudicada: os patrocinadores do Federer e os da competição.
Creio que para Nike, patrocinador de Federer, a desistência, mesmo com seu substituto sendo patrocinado pela rival Adidas, tenha tido pouco impacto, até porque, um eventual agravamento da lesão poderia fazer com que o prejuízo fosse maior em função do tempo de recuperação, vide o exemplo de outro atleta patrocinado pela empresa, o espanhol Rafael Nadal, que tem estado ausente de grandes competições, inclusive essa que deu origem ao tema, em função de contusão.
Já os patrocinadores do evento, tiveram provavelmente um prejuízo maior, visto que a audiência do principal jogo deve ter sido menor em função da perda da importância da partida, o que consequentemente gerou uma exposição abaixo do esperado.
Situações como essa podem acontecer, principalmente em esportes individuais onde não há a substituição do atleta na competição, e o pior, não vejo nenhuma forma de evitar que imprevistos como esse aconteça. 
Contudo, imagino que possam existir formas de remediar o estrago, entre as quais cito:

  • Pelo lado do patrocinador, através da associação de sua imagem ao fato de que mais importante do que a vitória e a competição em si, está  a integridade dos atletas e o respeito ao público.
  • Já para os organizadores e espectadores, poderia ser criado uma espécie de seguro que incluíssem casos de contusões de atletas e até intempéries climáticas.
No mais, resta torcer para que a superação dos limites ocorra de forma que a saúde dos grandes atletas não sofra maiores danos.


terça-feira, 11 de novembro de 2014

A imprensa como ferramenta


Ao contrário de alguns setores da economia e de grande parte das modalidades esportivas, o futebol consegue obter espaço na mídia sem a necessidade de fatos extremamente relevantes. 

Obviamente, algumas notícias possuem uma maior capacidade do que outras no que se refere à audiência, porém, a garantia de espaço mínimo que cada clube dispõe permite que esses, de alguma forma, tenham condições de planejar sua comunicação. 
Os objetivos que, em tese, permeiam ou deveriam permear as táticas de comunicação dos clubes são os seguintes:
  1. Deixar em evidência durante o maior tempo possível suas conquistas; 
  2. Fazer com que os noticiários negativos não perdurem em demasia;
  3. Minimizar os sucessos dos rivais
Desses objetivos, talvez o mais difícil seja o primeiro, visto que está mais sujeito aos “ataques” dos rivais e que uma conquista de título tem prazo de validade meio que padrão, no que tange ao noticiário.
A diminuição da “vida útil” da crise também é de difícil gestão, no entanto, acaba sendo ajudada em função da “fértil indústria de escândalos” da sociedade de forma geral e da própria capacidade do clube em crise gerar agendas positivas.
Em contrapartida, ofuscar o sucesso dos rivais, apesar de particularmente julgar como dispensável, é de mais fácil condução, basta ter algum fato, saber valorizá-lo e soltá-lo no momento adequado. 

A importância desses objetivos está ligada à torcida, pois notícias boas têm a capacidade de trazer mais torcedores e engajá-los, sendo a recíproca verdadeira. 
Além disso, certas notícias ainda têm o poder de desestabilizar ambientes, seja no âmbito da direção como no da comissão técnica.
Isso ganha ainda maior gravidade em função da velocidade que a comunicação ganhou através da internet e redes sociais, onde boatos crescem de forma incontrolável e a mobilização dos torcedores fica facilitada. 

Também não pode ser desprezada em termos de estratégia de comunicação, a diferença de tratamento que parte da imprensa costuma dedicar aos clubes, provavelmente fruto de interesses comercias e/ou passionais.
Títulos que quando conquistados por certas equipes saturam o noticiário, têm muitas vezes uma exposição comparativamente reduzida quando o vencedor é outro... 
Da mesma forma, desclassificações vexatórias de certas equipes não têm a mesma duração na mídia do que outras, enquanto contextualizações erradas e mentiras povoam os noticiários do "menos queridos" pelos jornalistas.

Convém ressaltar que o presente texto tem como objetivo mostrar o quanto que o planejamento de comunicação pode ser útil na gestão de um clube, principalmente num cenário onde muitas vezes o teor das matérias guarda estreita relação com a antipatia ou simpatia do jornalista com o time que é objeto do conteúdo.





terça-feira, 4 de novembro de 2014

Crowdfunding


O pomposo termo em inglês que dá título a esse artigo poderia ser traduzido como algo na linha de "financiamento coletivo", se quisermos "tropicalizá-lo" ainda mais, poderemos chegar, guardadas as devidas peculiaridades, na famosa “vaquinha”.
Essa ferramenta em termos de plataforma para o processo de financiamento surgiu em 2007 e se popularizou bastante em 2008, quando o presidente Barack Obama utilizou um aplicativo chamado Mobilize para angariar recursos em prol de sua campanha à presidência.
No entanto, os pesquisadores apontam que a primeira iniciativa de financiamento coletivo se deu em 1997, ainda que desestruturada, através dos fãs da banda inglesa Marillion que captaram cerca de US$ 60 mil para o grupo musical fazer uma turnê nos EUA.

Como não podia deixar de ser, a iniciativa acabou chegando no meio esportivo, principalmente no futebol.

Alguns clubes dessa modalidade utilizam a plataforma como meio de conseguir recursos para contratar jogadores e/ou pagar dívidas.

Outros, como o Fluminense, usam para produzir livros e homenagear ídolos.


Conceitualmente, penso que o financiamento coletivo não deveria ser usado para fins relacionados às obrigações do clube, tais como o saneamento financeiro e as contratações de jogadores, afinal de contas, o direcionamento da gestão financeira e esportiva, entre outras, deve ser isento de influência externa.
Além do que, existem outras formas de se contribuir para o clube, tais como se associar, comprar produtos oficiais e ir ao estádio, ações que, inclusive, propiciam uma maior regularidade no que tange ao fluxo de caixa.
Quanto às homenagens aos ídolos, não tenho uma opinião muito formada a respeito, pois por um lado acho que caberia ao clube essa responsabilidade, porém por outro, penso tratar-se de uma oportunidade para os torcedores retribuírem de alguma forma as alegrias recebidas através desses jogadores.
Entretanto, creio que as homenagens póstumas deveriam vir associadas a causas relacionadas a esses ídolos.
O Fluminense, por exemplo, perdeu uma excelente oportunidade de agregar ao crowdfunding do casal 20 – Washington e Assis – alguma campanha de conscientização sobre as doenças que causaram a morte prematura dos dois craques.
Já em relação a livros e toda ordem de “produtos” culturais sou totalmente favorável, vide o livro lançado pelo Fluminense para comemorar os 110 anos de sua fundação - Guerreiros desde 1902 - o qual julgo ser o case mais significativo no esporte brasileiro, pois além de solidificar uma data importantíssima na história do clube, proporcionou inúmeras recompensas aos que aderiram ao projeto.


Outra ressalva que faço a esse tipo de iniciativa diz respeito ao risco da banalização da ferramenta, caso seja usada sem a devida parcimonia, pois é mandatório que o torcedor que participe desses financiamentos jamais veja a ação como uma coisa rotineira, aliás, muito pelo contrário, é necessário que ele a encare como algo extraordinário e que acredite que sua participação é de tal forma fundamental, que ficará registrada como algo único na história de seu clube.

Para não ficarmos apenas com o futebol, vale finalizar o tema citando o case da InfoMotion, uma startup americana que para por no mercado uma bola de basquete desenvolvida com sensores e aplicativos capazes de medir a força dos arremessos - https://www.youtube.com/watch?v=TU7fM6pUohc#t=118 - usou o financiamento coletivo não apenas como forma de arrecadar recursos, mas também para medir o grau de atratividade do produto.




terça-feira, 28 de outubro de 2014

O legado dos Jogos

Quando se discute sobre o legado que os Jogos Olímpicos deixam para um país, abordam-se na maioria das vezes as melhorias que a cidade-sede recebe em termos de infraestrutura, o que, sem dúvida, é de extrema importância. 
A oportunidade de passar a ser um destino turístico mais atrativo, graças ao fortalecimento do perfil internacional adquirido pelo evento, também é uma realidade. 
No entanto, muito pouco é citado sobre a transformação da cultura esportiva do país devido à atmosfera que passa a imperar na nação.
Pouco se discute, também, sobre as instalações esportivas que, em tese, ao serem construídas facilitariam a prática de algumas modalidades que, até então, não faziam parte das potenciais opções esportivas da nação.
É sabido ou inferido, entretanto, que muitas modalidades não “pegam” em certos países, razão que leva os Comitês Organizadores Locais a optarem por instalações temporárias.

O estádio onde foram disputadas as competições de basquetebol nos Jogos de Londres é um exemplo disso, com capacidade para 12 mil espectadores e custo de R$ 110 milhões, a instalação foi totalmente desmontada, tendo sido inclusive cogitada a possibilidade de ser transferida para os Jogos do Rio 2016 ou para Glasgow 2014 (Commonwealth Games).
Aqui vale uma pausa para reflexão: Será que a Grã-Bretanha tem desempenho ruim no basquetebol por falta de instalações de bom nível ou a falta de instalações de bom nível é reflexo da performance ruim dos britânicos nessa modalidade?Obviamente o questionamento acima é exagerado e tem como único objetivo provocar a reflexão de que, talvez, seja necessário insistir na existência de espaços para todas as modalidades, mesmo que as performances não sejam satisfatórias nos curto e médio prazos.


Na verdade, o que se pretende com o artigo é avaliar a melhor forma de oferecer instalações adequadas às competições, sem que essas fiquem subutilizadas posteriormente e que a modalidade ali praticada não seja relegada ao ostracismo.



Vejamos o caso do estádio olímpico Ninho do Pássaro em Pequim, que teve um investimento superior a US$ 500 milhões e raríssimas vezes consegue colocar um público que chegue perto dos 80 mil lugares.
Em Londres, das quatro grandes edificações: Velódromo, Centro Aquático, Pavilhão de Handball e o Estádio Olímpico, apenas o primeiro não terá seu uso reduzido para atender à demanda pós-Jogos. O Centro Aquático que foi projetado para acomodar 18 mil espectadores, dificilmente receberá mais de 6 mil numa competição regional.

Diante desses exemplos e de muitos outros que não teriam espaço suficiente no artigo, podemos concluir que a solução mais razoável para esse impasse seria a construção de instalações definitivas, porém com a parte relativa aos assentos sendo temporárias.
Há ainda a possibilidade de aproveitamento dos espaços dos assentos desmontáveis em construções que possam ser dirigidas tanto ao segmento esportivo - centros de treinamento e ginásios, como também a instalações de cunho social - como colégios, creches e bibliotecas.

Creio que dessa forma, seja possível não apenas ter locais apropriados para receber os megaeventos dentro dos parâmetros estabelecidos pelas autoridades, como também deixar um legado social e esportivo ao país.
Por fim, não custa reforçar que tais soluções terão validade reduzida, caso o legado relativo à infraestrutura e revitalização das áreas não se efetive.


terça-feira, 21 de outubro de 2014

Liderança é nata, caráter também...


Aproveitando a proximidade das eleições, achei pertinente escrever um texto sobre liderança, o qual, em linhas gerais, pode ser aplicado para instituições esportivas, corporativas e governamentais.

Engana-se quem acha que exercer alguma função de liderança significa ser líder. Essa afirmação ganha ainda mais força quando observamos o elevado número de pessoas que chegam a posições de destaque, mas vivem solitárias, e o mais triste, sem despertar a mais tímida admiração por parte de seus comandados, de seus pares e até da família.
São pessoas mentirosas, que não preservam suas equipes publicamente e, quando confrontados pessoalmente são incapazes de sustentar o que falam por trás. 
O resultado dessa combinação é trágico, pode variar da ridicularização, do isolamento e do desprezo por parte dos que com eles convivem até humilhantes tapas na cara que, obviamente, não são revidados, tamanha a covardia.
Vendem-se por elogios, fazem “amizades” por interesses, “afinam” para seus agressores e guardam rancores que não permitem passar por cima de desavenças e desentendimentos nem em momentos nos quais os “opositores” perdem entes queridos.
“Lealdade”, então, é verbete que falta em seus dicionários, já “falsidade” aparece em todas as páginas.
Citar exemplos de indivíduos com esse perfil seria deselegante, mas tenho certeza de que todos os leitores conhecem ou já conviveram com alguém assim.
Por outro lado, existem pessoas que não precisam efetivamente estar em cargos de liderança para serem seguidas e reconhecidas como tal.
Aqui vale mencionar exemplos públicos, gostem os leitores ou não das pessoas que serão citadas, afinal, o tema do artigo é liderança e não simpatia.


No esporte, penso que o melhor exemplo de liderança nata é a do técnico de voleibol Bernardinho que, desde cedo, tanto como jogador nas divisões de base como em seu círculo de amizades, sempre foi visto como uma pessoa confiável, leal, amiga e diferenciada.
Não é à toa que, mesmo com sua forma exigente e algumas vezes explosiva, é adorado por seus liderados e convidado frequentemente para assumir cargos de liderança seja na vida esportiva ou até na política.

Falando em política, é impossível não trazer exemplos de líderes, independentemente de serem de esquerda ou de direita, que mesmo fora dos holofotes do poder têm seus títulos preservados tamanha a reverência que causavam. O governador Leonel Brizola foi um exemplo disso, valendo recordar nesse texto sua presença no velório de um de seus maiores, se não o maior, desafeto, o Sr. Roberto Marinho, opositor eterno, onde proferiu elegantemente a frase: “Roberto Marinho foi um adversário cortês. É do confronto de ideias que surge a verdade. Embora existissem grandes diferenças entre nós, ele nunca me negou espaço”.
Não cabe aqui concordância ou discordância em relação aos envolvidos no episódio, mas é impossível não reconhecer a demonstração de respeito e aproveitar uma frase do eterno governador que muita relação tem com liderança:”Venho e volto do campo e os bois são os mesmos: não mudam de caráter. Já os homens...”

Na verdade, peço licença ao grande engenheiro para divergir um pouco da frase, pois caráter não se muda, é nato.
Sendo assim, finalizo o texto com uma frase do escritor francês Henri-Marie Beyle, também conhecido como Stendhal:"Pode-se adquirir tudo na sociedade, exceto caráter."



terça-feira, 14 de outubro de 2014

Avis, a número 2

  
A Avis, apesar de ter uma trajetória interessante em termos de pioneirismo no lançamento de alguns serviços como gerenciamento de reservas em tempo real e oferta de carros adaptados a pessoas com necessidades especiais, não será analisada nesse artigo sob esse aspecto.
Também não exploraremos a ligação da empresa com o esporte, a qual é bem tímida, se resumindo basicamente a golfe, hipismo e ações pontuais.
Preferimos aqui, abordar o posicionamento que a empresa adotou para combater sua principal concorrente, a Hertz, que detinha 75% do mercado americano e uma verba de publicidade 5 vezes maior, o que fez com que a Avis resolvesse, assim, assumir a condição de vice-líder de mercado.


O anúncio ao lado traduz bem como foi a linha adotada pela empresa.
“Avis é apenas a número 2 em locação. Então, por que vir conosco? Nós trabalhamos mais duro, nós nos esforçamos mais”.

O slogan utilizado “We try harder” é considerado até os dias de hoje como um dos melhores de todos os tempos.

Tal conceito foi de fato um sucesso e fez com que a empresa se tornasse um gigante no ramo, com presença em mais de 160 países e uma frota de cerca de 400 mil veículos.

Essa estratégia, além de interessante pelo inusitado, já que todos buscam algum tipo de liderança, também pode servir conceitualmente como inspiração para clubes que não tenham a maior torcida e modalidades esportivas cujo número de praticantes e fãs seja inferior a outras em suas disputas pelo mercado.
Ter mais torcedores não é garantia de melhores resultados, sejam esses esportivos ou econômicos, assim como melhores resultados esportivos não necessariamente refletem maiores lucros, ou seja, de nada adianta quantidade se essa não vier acompanhada de uma identidade que a proteja de eventuais ataques indiretos a sua eficácia.
Evidentemente, o fato de se ter uma maior quantidade pode se transformar numa identidade, porém essa, de forma isolada, corre o risco de ser confrontada pela concorrência com posicionamentos calcados na qualidade, conforme vimos no case da Avis ou, voltando no tempo, à Atlantic com o consagradíssimo “Quem não é o maior tem que ser o melhor”.

No futebol isso pode ser bem observado através dos valores de patrocínios masters, os quais muitas vezes são mais altos para equipes cujas bases de torcedores são menores.
Na verdade, até no caso de patrocínio de fornecedores de material esportivo, onde os valores deveriam ser proporcionais à quantidade de torcedores, essa relação proporcional não acontece.
Também é possível constatar tais “fenômenos” se analisarmos as verbas que circulam entre as modalidades esportivas. Muitos esportes cujo número de praticantes, cobertura da imprensa e “torcedores” não é tão expressivo possuem patrocínios superiores a outros de maior representatividade quantitativa.

Em resumo, o fato de não se ter a maior quantidade não é justificativa para acomodação, ao contrário, é uma excelente oportunidade para utilizar o marketing e encontrar conceitos que posicionarão o clube, a empresa ou o esporte como "único" no mercado em que atuam.





terça-feira, 7 de outubro de 2014

Nenhuma mentira interessa


A utilização de mentiras e propagandas enganosas para valorizar um produto ou serviço é uma das causas do marketing ser visto de forma distorcida.
Para evitar mais distorções, convém ressaltar, de novo, que marketing e propaganda são coisas diferentes e que a primeira pode usar, ou não, a propaganda como parte da estratégia.
Voltando ao tema do artigo, reiteramos que tal prática, além de ilegal, pois engana o consumidor, ainda faz com que o marketing seja muitas vezes chamado de a “arte de iludir” e, por mais que os órgãos reguladores tentem coibir esse tipo de ação, elas continuam acontecendo, até porque muitas das vezes nem é possível a retratação.
Um anúncio publicado em jornal é um bom exemplo disso, pois mesmo que alguma denúncia seja acatada, o prazo necessário para julgamento e eventual retirada do veículo de circulação não permite que isso aconteça, já que com sua periodicidade diária fica impossível o recolhimento.

Sendo assim, uma das formas de minimizar a incidência dessas práticas é a aplicação de multas de valores aparentemente desproporcionais, para assim servir de exemplo e prevenção.

Nos EUA isso já é feito, ou melhor, multas são aplicadas aos que se valem de propaganda enganosa, mas não há como precisar se os valores são suficientemente altos para evitar reincidência ou mesmo se afetam significativamente os resultados do infrator.
Um case que ilustra bem essa situação é o do tênis FiveFingers, aquele com espaço separado para os dedos e que, segundo o fabricante, a Vibram, fortalecia os músculos dos pés e prevenia lesões.
A falta de uma comprovação científica desses benefícios levou uma consumidora a processar o fabricante, ato seguido por outras, até que se formou uma ação coletiva.
A empresa perdeu o processo e concordou em pagar US$ 3,75 milhões - o que equivaleria a US$ 94 por tênis comprado - e parar de veicular os benefícios alegados nas campanhas sobre o produto.
Curiosamente, o CEO da empresa alegou que o acordo foi feito com a intenção de evitar os custos que envolvem um litígio prolongado, mas que nega terminantemente as acusações da ação.
Nesse caso, creio que o mais prudente para a Vibram seja mudar o posicionamento da empresa, até porque o mercado dos tênis minimalistas, aqueles reproduzem com mais fidedignidade a pisada descalça, já começa a dar sinais de saturação com a entrada de inúmeras marcas concorrentes, sendo que estas não sofreram acusações com a divulgação de processos judiciais.

Vale ainda acrescentar que esse não foi a primeira condenação de uma marca de tênis, visto que em 2012, a Skechers também foi condenada por divulgar que seus calçados tinham a propriedade de tonificar a musculatura e fazer com que se perdesse peso.
Guardadas as devidas proporções, vejo alguns equipamentos para a prática de exercício quase como um medicamento que, como tal, deveria ser ministrado através da recomendação de um especialista.
Obviamente, o endosso feito subliminarmente pelos atletas que usam efetivamente alguns equipamentos em seus treinos e competições é aceitável, já o testemunhal é discutível, até porque, no caso do tênis, por exemplo, existem individualidades que se não forem respeitadas podem comprometer a saúde do indivíduo.
Realmente é lamentável que fabricantes de produtos voltados à atividade física usem dessas artimanhas para conquistar clientes e mais ainda que chamem isso de marketing.





terça-feira, 30 de setembro de 2014

A fé remove até Carrefour

Como já foi abordado em artigos anteriores, a escolha de ponto, principalmente quando se fala do setor varejista, é algo que requer os mais rígidos cuidados, pois um erro pode fazer com que negócios promissores não tragam o retorno esperado.
Outra situação que também exige extrema atenção é a que contempla o processo de expansão, pois, além da necessidade de maiores investimentos, há mais uma vez a desafiante tarefa da escolha de ponto.
Podemos inclusive considerar que na fase de expansão, a dificuldade é ainda maior em função de já existir um formato/layout “estabelecido” - o que exigirá espaço similar - e da menor oferta de bons pontos, já que a disputa costuma ter uma velocidade maior do que a do crescimento das cidades.

Tamanha dificuldade faz com que muitas vezes certos detalhes sejam subestimados. Um bom exemplo para ilustrar o tema é o case Carrefour - San Lorenzo de Almagro, o time do Papa Francisco.
Esse clube do tradicional bairro de Boedo em Buenos Aires, teve ali sua casa, o Estádio Gasômetro, desde 1916 até 1979, quando a ditadura militar desapropriou o estádio, sob a alegação de precisar da área para um projeto de reurbanização, e o demoliu em 1983.
A tal urbanização prometida nunca se concretizou e tempos depois a rede Carrefour abriu no local um dos seus hipermercados.
No entanto, os executivos da rede francesa não consideraram a reação da torcida do San Lorenzo, 3ª maior da Grande Buenos Aires, que deixaram de comprar no hipermercado, além de promoverem boicotes, pichações e protestos.
A rejeição foi tão grande, que um dos principais concorrentes da rede, o Walmart, chegou a ser o patrocinador da equipe estampando a marca nas camisas do time durante algumas temporadas.
Os protestos então foram tomando cada vez mais corpo, até que em 2012 os torcedores do Ciclón, como é conhecido o time do Papa, reuniram cerca de 100 mil pessoas para marcharem até a Praça de Maio, ponto tradicional de protesto na capital argentina, e pleitearem a “volta para casa”, ou à "Terra Santa", como eles se referem ao Estádio Gasômetro.

Tamanho engajamento culminou na aprovação da Lei de Restituição Histórica, a qual devolveu o espaço ao San Lorenzo.
Houve ainda a necessidade de uma negociação com o Carrefour, findada em 2014, que, além de receber uma compensação financeira, terá direito a uma loja menor naquele espaço.
Como resultado do processo, muito em breve os torcedores poderão assistir às partidas do seu time no novo velho estádio.

Não me arrisco a fazer nenhuma previsão quanto à reação dos torcedores do San Lorenzo em relação ao Carrefour, mas creio que os gestores que tomaram ciência do ocorrido passarão a considerar a “paixão” como uma das variáveis nas futuras decisões de expansão. 

Por fim, deve ser destacada e valorizada a mobilização dos torcedores rubro-celestes, que deram uma prova de que jogar junto com o time não é apenas torcer nas arquibancadas, mas também exercer seu papel de “cidadão” daquela instituição.



terça-feira, 23 de setembro de 2014

Marcas esportivas Voleibol - Polônia 2014

O campeonato mundial de voleibol masculino realizado na Polônia em 2014 foi o foco de mais um estudo da Jambo Sport Business, que analisou as marcas de fornecedores esportivos das seleções participantes, assim como os patrocinadores que ostentavam suas marcas nos uniformes.


As japonesas Asics e Mizuno foram as marcas que mais vestiram seleções, cinco cada, vindo a seguir a Adidas com três, a qual também foi patrocinadora do campeonato.
Com duas seleções cada, apareceram as italianas Errea e Zeus e a brasileira Olympikus. Completam a lista de fornecedores, a sérvia Dacapo, a iraniana Merooj, a alemã Stanno e a peruana Walon.

Já em relação aos patrocínios nas camisas, foram 15 as seleções que usufruíram dessa possibilidade de receita, sendo que a Polônia teve duas marcas como patrocinadoras.
O segmento Financeiro foi o mais presente - 8 seleções (6 deles provenientes de bancos e dois de seguradoras). A seguir apareceu o setor de Telecom com 3 seleções. Bens de Consumo veio na 3ª posição com duas seleções, seguido por Mineração, Petróleo e Transporte com uma cada.

Das seis seleções que chegaram à 3ª e penúltima fase do Mundial - Brasil, Polônia, Rússia, França, Alemanha e Irã - , cada uma tinha um fornecedor de material esportivo diferente: Olympikus, Adidas, Mizuno, Errea, Stanno e Merooj, respectivamente.
Chamou a atenção o fato da Asics, mesmo presente em 5 seleções, não ter classificado nenhuma delas para essa fase.
Em relação ao segmento dos patrocinadores, tivemos nessa fase, 4 do setor financeiro com Brasil, Rússia, França e Irã, uma de bens de consumo com a Alemanha e uma de petróleo com Polônia, que também era patrocinada por uma empresa de telecomunicação.
Para as semifinais se classificaram Polônia, Brasil, Alemanha e França.

Geralmente as marcas de material esportivo não investem de forma relevante na comercialização das camisas das seleções nacionais de esportes como o voleibol.
Dessa forma, suas maiores fontes de receitas advêm da venda de calçados ou acessórios para a modalidade.
Não obstante a isso, a competição foi bastante positiva para as 4 marcas que chegaram à última fase.

Errea e Stanno passaram a ser melhor percebidas como “boas” marcas esportivas pelo mercado, o que contribui para a construção da imagem institucional e, consequentemente, auxilia nos eventuais lançamentos de produtos voltados à modalidade. Mesmo porque, nem calçados para voleibol as duas empresas fabricam ou comercializam.
Para a Olympikus, a 2a colocação do Brasil contribuiu para fortalecer ainda mais sua associação com o voleibol, o que ajuda a valorizar a marca, fato bastante importante numa situação em que os resultados operacionais da empresa não estejam bons. A marca está entre as que, além de patrocinarem equipes da modalidade, fabricam calçados específicos.
Já a Adidas conseguiu uma ótima exposição com a seleção polonesa e pode, através do patrocínio à competição, divulgar sua tecnologia “boost” também para calçados voltados ao voleibol. Uma estratégia sinérgica e eficiente, ainda mais num mercado amplamente dominado por Asics e Mizuno, ambas fora das finais.
Sobre a Mizuno, vale comentar que ao patrocinar as seleções da Rússia e dos EUA, focou tanto a associação com equipes vencedoras, visto que as duas ocupavam respectivamente 2ª e 4ª posição no ranking, como também em mercados com elevado potencial de consumo.
Por fim, vale comentar que a Nike, apesar de não patrocinar seleções deste esporte e nem ter uma linha de produtos voltados a ele, patrocinou alguns atletas, o que fez com que os mesmos utilizassem tênis de basquete nos jogos.

Como podemos ver, o Campeonato Mundial de Voleibol Masculino de 2014 teve, além das disputas entre as 24 seleções, uma competição bastante interessante pelo prisma de marketing entre as marcas de material esportivo.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Marcas esportivas nas 20 principais ligas

Um levantamento da Jambo Sport Business identificou a movimentação das marcas esportivas nas 20 principais ligas de futebol da 1ª divisão nas temporadas 2013-2014 ou 2013 e 2014-2015 ou 2014. 
Dessa forma, a amostra contou com 363 times na 1ª temporada e 365 na atual, visto que Portugal acrescentou dois times ao seu campeonato.

As informações referentes aos clubes com mais títulos naquele país, aos de maiores torcidas e às marcas que suprem as seleções complementaram o estudo, visto que as mesmas têm forte correlação com a demanda de produtos esportivos da categoria futebol, principalmente uniformes.

Em função da riqueza de informações, serão citadas a seguir apenas as que julgamos mais importantes, as demais podem ser acessadas através do link http://pt.slideshare.net/jambosb/marcas-esportivas-nas-20-ligas-de-futebol-mais-valiosas-do-mundo-20132015

  • Na 1ª temporada, apenas 4 clubes não tiveram fornecedor de material esportivo, número que foi reduzido para 3 na temporada atual. Já a quantidade de marcas subiu de 54 para 56.
  • A Nike foi a marca líder em número de times nas duas temporadas, ambas com 91 equipes, seguida pela Adidas (73 e 74) e Puma (31 e 28). 
  • Em relação ao número de seleções, o ranking ficou com Adidas em primeiro com 10, seguida por Nike com 8 e Puma e Burrda com uma cada.
O estudo não focou os valores dos contratos envolvidos, visto que muitos deles não podem ser revelados e a utilização de cifras especulativas poderia contaminar a fidedignidade dos números utilizados.
Contudo, a análise baseou-se numa lógica que permite considerar como pontos positivos ser o fornecedor de equipes de sucesso e/ou de grande torcida, afinal a demanda por uniformes é altamente influenciada pelo bom momento do time, porém, de nada adianta vencer se a quantidade de torcedores for inexpressiva.
Obviamente, patrocinar a seleção do país também é vantajoso e o fato dos campeonatos que mais mobilizam torcedores, tipo Copa do Mundo, Copa das Confederações, Eurocopa e Eliminatórias terem uma frequência menor e menos jogos, é compensado pelo aspecto de “não rejeição” no próprio país, afinal, as camisas de times são compradas apenas por seus torcedores e simpatizantes, enquanto que as das seleções são adquiridas por qualquer pessoa.
Vale também ser lembrado que muitas vezes a estratégia de se patrocinar um clube pode estar ligada ao posicionamento que se queira dar à marca. Associação a times vencedores, penetração em regiões estratégicas ou mesmo confrontar com empresas rivais são algumas das motivações para se investir em algumas equipes.

Diante do exposto, o que se permite concluir através da análise é que a grande disputa se dá entre Nike e Adidas, ambas com estratégias similares de estarem presentes nos principais campeonatos, nos times mais vencedores e de maiores torcidas, além das seleções.
Entretanto, não é possível apontar, nessa análise, um vencedor desta “batalha” já que o estudo tem um caráter mais macro, porém a situação em cada um dos 20 países poderá ser observada nos trabalhos referentes à cada continente, cujos links constam na apresentação principal.