terça-feira, 25 de março de 2014

Viu o que vocês fizeram?


No artigo "Contra a impunidade" -http://halfen-mktsport.blogspot.com.br/2014/03/contra-impunidade.html abordei o escândalo no voleibol brasileiro noticiado, agora, com mais frequencia pela imprensa.
Reportagens investigativas têm revelado parte do esquema que acontecia na Confederação Brasileira de Voleibol e, pelo que se comenta, muita coisa ainda pode vir à tona.

A propósito, seria ótimo se esse tipo de jornalismo fosse aplicado aos casos nebulosos do futebol.

Mas voltando à CBV, vale analisar a postura do patrocinador, no caso o Banco do Brasil, que ameaça parar de investir nessa confederação.

Num primeiro momento, essa notícia provoca revolta, principalmente no meio esportivo, afinal de contas, o esporte jamais deveria ser punido por erros de seus gestores.
Argumentação coerente e justa, porém devemos também analisar o lado do patrocinador.
O investimento no esporte, quando visto pelo prisma de marketing, tem um cunho muito mais voltado à associação da marca aos princípios e valores do esporte do que propriamente à exposição da marca.
Dessa forma, associar a marca a uma modalidade que esteja envolvida em escândalos pode gerar problemas.
Por outro lado, é importante lembrar de que é possível trabalhar os valores positivos do voleibol brasileiro, tais como suas conquistas, seus ídolos e todas as mostras de indignação da comunidade que transita nesse esporte.
Na verdade, a indignação é geral por parte daqueles que encaram o esporte com o devido respeito.

Mesmo assim, seria, infelizmente, perfeitamente compreensível caso a decisão do patrocinador seja pela rescisão, ainda mais no caso de um banco, em que confiança e credibilidade são atributos imprescindíveis.
Registre-se que, passados mais de 20 anos, há empresas que investem no esporte, mas que não cogitam, sequer, conversar com alguma confederação que já tenha se envolvido em problemas, mesmo que todo o corpo diretivo desta já tenha mudado.
Claro que são decisões que prejudicam sobremaneira o esporte e que deveriam ser revistas, até porque, a troca dos dirigentes por motivos de corrupção é uma significativa mostra de que não compactuam de práticas desonestas.

Contudo, para evitar que novas situações parecidas aconteçam e que os patrocinadores tenham segurança em seus investimentos, é mandatório que ações de governança sejam aplicadas em toda cadeia esportiva e que os culpados sejam punidos exemplarmente.


terça-feira, 18 de março de 2014

Quer apostar quanto?


Quem vai ganhar? 
Essa dúvida talvez seja a que mais provoque apostas esportivas, independentemente da modalidade.
No futebol é possível também apostar em quem será o artilheiro, em quem fará o primeiro gol e, até, no número de cartões da partida, entre outros.
Na NBA, tenta-se ainda adivinhar em qual quarto sairá mais pontos, se o resultado do jogo será par ou ímpar, qual será a vantagem do ganhador, se haverá prorrogação, etc.
Em resumo, o esporte é um farto campo para a indústria de apostas, tanto pelo aspecto de se auferir ganhos financeiros, como pela possibilidade de propiciar ao apostador uma sensação de fazer parte da equipe em que apostou, além, é claro, de colocar as fichas no seu time favorito.
Realizar apostas online e ter ao dispor estatísticas detalhadas sobre as disputas, também são fatores que ajudam na popularização desse ramo de atividade.

Por valorizar os aspectos lúdicos e princípios do esporte, preferiria que não houvesse maiores envolvimentos desse com o segmento de apostas, embora não possa negar que os patrocínios de empresas de jogos e apostas têm muito contribuído para o fomento do esporte, o que deixa a relação tolerável, desde que exercida sobre rígidos controles.
Entretanto, mesmo diante dessa condescendência, considero inadmissível o que o site de apostas Paddy Power tem feito em relação ao julgamento do ex-atleta - se é que assim ele pode ser chamado - sul-africano Oscar Pistorius.
O site, além de fazer uma associação de Pistorius com a premiação do cinema, tem incentivado as pessoas a apostarem no resultado do julgamento sobre o assassinato de uma mulher, o que em minha opinião é sórdido.
Na verdade, essa casa de apostas irlandesa, que também patrocina algumas equipes, é conhecida por promover apostas polêmicas, entre as quais podem ser citadas as que premiariam quem acertasse:
- qual seria a primeira espécie a ser extinta no Golfo do México após o derramamento de óleo da BP;
- se o presidente dos EUA Barak Obama terminaria o mandato, deixando implícita a insinuação de que ele poderia ser assinado.
A empresa também é conhecida por publicidades excêntricas, como a que mostrou jogadores de futebol com deficiência visual chutando um gato e a que utilizou a modelo Imogen Thomas numa mensagem de duplo sentido.

Pois é, será que o esporte precisa do patrocínio de empresas que não dão a devida importância aos valores morais e que se utiliza de fatos ruins do esporte para promoverem seus negócios?
Penso que não, até porque, é fundamental que o posicionamento do patrocinador guarde estreita sinergia com o do patrocinado, caso contrário deixa de ser uma ação de marketing e se torna uma simples compra de espaço publicitário.


terça-feira, 11 de março de 2014

Por um espaço também

A crescente popularização do carnaval de rua na cidade sede dos Jogos Olímpicos de 2016, tem trazido inúmeros benefícios para o Rio de Janeiro, tanto no aspecto de receitas oriundas do turismo como através dos impostos advindos de vendas, hospedagem e demais atividades ligadas ao evento.
Claro que nessa conta precisa se considerar o prejuízo que certos estabelecimentos sofrem em função da dificuldade de acesso a eles e da pouca educação de alguns “foliões” que jogam lixo no chão e urinam nas ruas, independentemente do sexo dos “necessitados”.

Isso sem contar o trânsito caótico e a perturbação sofrida por parte dos moradores que habitam nas áreas onde os blocos passam, já que várias vias são fechadas aos veículos.

Dentro desse contexto, podemos até imaginar a possibilidade de se fechar ruas e avenidas para a prática de algumas modalidades esportivas, como corrida de rua e o ciclismo.

A primeira, por exemplo, não possui nenhum local exclusivo para sua prática, os que existem são divididos com bicicletas, pedestres, carrinhos de bebê, etc., o que muitas vezes culmina em esbarrões e acidentes.
No caso do ciclismo, a situação é ainda pior, pois a velocidade que se imprime nos treinos é incompatível com as ciclovias, as quais abrigam corredores, pedestres e ambulantes, entre outros, o que deixa como único local para o esporte, as vias onde trafegam veículos automotivos, ou seja, o risco de acidentes fatais é altíssimo, vide a incidência de óbitos na modalidade.
Justiça seja feita, hoje é possível pedalar no Aterro de 2ª feira à 5ª feira de 4h às 5h30, sem a presença de carros, isso não significa que haja a devida segurança, pois já ocorreram alguns casos de assalto no espaço.
Trata-se de um horário, sem dúvida, bastante restritivo, mas melhor do que nada.

Entretanto, diante do que presenciamos no carnaval, poderia ser avaliada a possibilidade de se fecharem algumas vias em horários mais razoáveis para o treinamento de certos esportes, afinal de contas, está cada vez mais provado que a preocupação com o trânsito e o respeito à população foi relegado a planos inferiores.
Evidentemente, o parágrafo acima trata-se de uma mera provocação, pois considero a opção de fechar as ruas ao trânsito - assim como tem sido feito para os blocos - para a prática esportiva, um desrespeito à coletividade, mesmo, particularmente, sendo um grande benefício.

Também é verdade que se houvesse respeito e educação por parte da população, muitos desses problemas se resolveriam.
O governo daria menos atenção à popularidade e interditaria menos ruas, os foliões não fariam tanta sujeira nas vias, os motoristas respeitariam os ciclistas, esses respeitariam os pedestres e assim por diante...

Mas enquanto isso não acontece e as perspectivas de acontecer são pequenas, fica a sugestão de se criar locais específicos para as devidas práticas, sejam essas esportivas ou de lazer, nos quais a coletividade não seja prejudicada em demasia, assim como acontece com escolas de samba que possuem um “sambódromo” dedicado à atividade.

Não podemos esquecer que a massificação do esporte é fundamental para que apareçam expoentes, e que para isso, a atividade deve receber a devida importância, o que abrange: reconhecimento, recursos e segurança.


terça-feira, 4 de março de 2014

Contra a impunidade




Relendo alguns textos do blog pude constatar que os três assuntos que mais despertaram minhas citações de contrariedade foram:

· Os referentes aos casos de doping;

· Os supostos especialistas que sem terem uma visão total sobre algum tema, tecem considerações sem a devida preocupação com a credibilidade;

· O assassinato cometido pelo Pistorius.

Paralelamente também constatei que evitei ao máximo abordar temas políticos por querer não misturá-los com o esporte, até porque, se assim fizesse seria obrigado a entrar numa seara que não domino e repetir a mesma postura que condeno dos que não conhecem algum assunto e palpitam sem compromisso com a responsabilidade.

Apesar de pretender seguir nessa mesma linha, dessa vez não vou deixar passar em branco um fato que já chamou a atenção de parte da imprensa, mas que ainda não veio à tona como imagino que deveria vir.
Refiro-me às denúncias  de irregularidades que culminaram com a saída do superintendente da Confederação Brasileira de Voleibol.
Por uma questão de coerência, vou me eximir de julgar a situação por não conhecê-la com os devidos detalhes, porém vale ser destacado que até o momento só ouvi e li acusações, o que me parece sintomático.

Talvez a quantidade de escândalos na política já devessem ter me propiciado “anticorpos”. Graças a Deus não os criei, mas confesso que por cansaço e falta de esperança muitas vezes abstraio, mesmo deixando escapar esporadicamente uma revolta represada.
Tentei fazer o mesmo em relação ao esporte, mas diante do ocorrido não é possível, até porque, trata-se de uma situação bem similar à que serve de argumentos para a defesa de alguns políticos: os fins justificam os meios.

Afinal o voleibol é o esporte mais vitorioso do Brasil e o que teve o crescimento mais sólido.
Só esquecem de considerar nessa equação, a possiblidade do esporte ser ou ter sido ainda mais vitorioso.
Isso sem contar que o ramo esportivo por si só já sofre para ser visto pelos empresários como uma opção atrativa de investimento, e que qualquer mácula prejudica não apenas o infrator, mas toda a cadeia que orbita na atividade.
Aliás, são inúmeros os casos de confederações que sofrem até hoje dificuldades em conseguir patrocínios em função das “falcatruas” de seus antigos dirigentes, ou pior, de dirigentes de outras modalidades.

Pelo bem do esporte seria ótimo que, caso as irregularidades sejam provadas na CBV, os acusados sejam condenados, punidos e a quantia desviada volte a quem de direito.

Quem sabe o esporte não sirva, também nesse caso, como um exemplo para a nação.