terça-feira, 18 de março de 2014

Quer apostar quanto?


Quem vai ganhar? 
Essa dúvida talvez seja a que mais provoque apostas esportivas, independentemente da modalidade.
No futebol é possível também apostar em quem será o artilheiro, em quem fará o primeiro gol e, até, no número de cartões da partida, entre outros.
Na NBA, tenta-se ainda adivinhar em qual quarto sairá mais pontos, se o resultado do jogo será par ou ímpar, qual será a vantagem do ganhador, se haverá prorrogação, etc.
Em resumo, o esporte é um farto campo para a indústria de apostas, tanto pelo aspecto de se auferir ganhos financeiros, como pela possibilidade de propiciar ao apostador uma sensação de fazer parte da equipe em que apostou, além, é claro, de colocar as fichas no seu time favorito.
Realizar apostas online e ter ao dispor estatísticas detalhadas sobre as disputas, também são fatores que ajudam na popularização desse ramo de atividade.

Por valorizar os aspectos lúdicos e princípios do esporte, preferiria que não houvesse maiores envolvimentos desse com o segmento de apostas, embora não possa negar que os patrocínios de empresas de jogos e apostas têm muito contribuído para o fomento do esporte, o que deixa a relação tolerável, desde que exercida sobre rígidos controles.
Entretanto, mesmo diante dessa condescendência, considero inadmissível o que o site de apostas Paddy Power tem feito em relação ao julgamento do ex-atleta - se é que assim ele pode ser chamado - sul-africano Oscar Pistorius.
O site, além de fazer uma associação de Pistorius com a premiação do cinema, tem incentivado as pessoas a apostarem no resultado do julgamento sobre o assassinato de uma mulher, o que em minha opinião é sórdido.
Na verdade, essa casa de apostas irlandesa, que também patrocina algumas equipes, é conhecida por promover apostas polêmicas, entre as quais podem ser citadas as que premiariam quem acertasse:
- qual seria a primeira espécie a ser extinta no Golfo do México após o derramamento de óleo da BP;
- se o presidente dos EUA Barak Obama terminaria o mandato, deixando implícita a insinuação de que ele poderia ser assinado.
A empresa também é conhecida por publicidades excêntricas, como a que mostrou jogadores de futebol com deficiência visual chutando um gato e a que utilizou a modelo Imogen Thomas numa mensagem de duplo sentido.

Pois é, será que o esporte precisa do patrocínio de empresas que não dão a devida importância aos valores morais e que se utiliza de fatos ruins do esporte para promoverem seus negócios?
Penso que não, até porque, é fundamental que o posicionamento do patrocinador guarde estreita sinergia com o do patrocinado, caso contrário deixa de ser uma ação de marketing e se torna uma simples compra de espaço publicitário.


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