terça-feira, 8 de abril de 2014

Aliados ou concorrentes?



A escolha do Rio de Janeiro para ser a sede dos Jogos Olímpicos provocou uma grande euforia em parte da população, incluindo aqui principalmente a comunidade esportiva.
O sonho do país ter uma cidade olímpica estava realizado.
Somado a isso, o Brasil entrava no seleto mundo de países que sediariam num mesmo ciclo, a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos.

Passado algum tempo, é possível constatar que nem tudo são flores, e não me refiro aqui às obras de infraestrutura, mas a dificuldade de conciliar os dois megaeventos pelo ponto de vista de patrocínios, o que, consequentemente traz reflexos na preparação dos atletas olímpicos.

Não há como ficar cego para a força do futebol, a ponto da Brahma ter iniciado uma campanha propondo a alteração da data do “Dia dos Namorados” pelo fato dela coincidir com a da estreia do Brasil na Copa do Mundo.

Mas deixando de lado as iniciativas de oportunidade em relação ao evento, constatamos um quadro bastante preocupante em relação aos esportes olímpicos.
A quantidade de atletas e confederações sem patrocínios é absurdamente alta para a atual fase do ciclo olímpico.
Claro que o cenário econômico pode ter sua influência nesse quadro, entretanto, é importante considerar que grande parte das empresas estão voltando seus investimentos para estarem, de alguma forma, presentes na Copa do Mundo.
Criticar tais empresas sem saber quais são suas estratégias e objetivos seria irresponsável, no entanto, cabe aqui o questionamento se foi avaliada a hipótese de “apostar” num esporte ou atleta olímpico num momento em que o “preço” destes é mais baixo do que no período pré-olímpico, além de deixar a marca mais fortemente associada ao patrocinado.
Há também que se considerar que quanto mais tarde se tomar a decisão de investir, menos opções interessantes existirão e maiores as chances de serem vistos como oportunistas.

Mesmo diante de tantos argumentos pró-olimpismo, reconheço que trata-se de uma situação bem complicada, afinal os recursos para serem investidos são limitados e “ousar” ir contra a maré, ou seja não acompanhar o mercado, é uma situação de risco que poucos executivos gostam de passar.
Contudo, acho que os esportes olímpicos poderiam ser mais “estudados” pelas empresas, mesmo reconhecendo que muitos dos responsáveis pelos atletas, equipes e confederações não “formatam” de maneira adequada seus “produtos”.

Infelizmente, qualquer mudança de postura terá sido tarde demais para ter reflexos em 2016, restando apenas desejar que toda a cadeia que cerca o esporte tenha consciência do ocorrido e faça sua parte no processo, o qual já começa hoje.


2 comentários:

  1. Idel, Os esportes olímpicos, no Brasil, não conseguem competir com o futebol em termos de possibilidade de exposição da marca para o patrocinador. Nesse caso, quais dicas você daria para as organizações esportivas formatarem seus "produtos" de modo a aumentar as suas chances de que sejam atrativos para os patrocinadores?

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  2. Creio que a saída seja "fugir" da disputa por exposição de marca e entrar no campo da associação de valores ao produto.
    Seria algo como ressaltar os conceitos associados àquela modalidade esportiva e daí buscar empresas que tenham posicionamento similares.

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