terça-feira, 10 de junho de 2014

Vitória do marketing por knockout





Poucos são os atletas que conseguem a perenidade de seus nomes após encerrarem a carreira.
As tentativas costumam acontecer através da mudança de função no próprio esporte, quando se tornam técnicos, dirigentes, comentaristas, ou ainda batizando produtos que tenham a ver com a modalidade esportiva que praticavam, tal como faz o jogador Michael Jordan com a linha voltada ao basquete da Nike.
Obviamente, as lembranças de seus feitos também são pontos de divulgação de seus nomes.

Entretanto, um case chama a atenção dentro do tema que iremos abordar: o dos produtos da linha George Foreman Grill.
George Foreman foi um lutador peso pesado, duas vezes campeão mundial e medalhista de ouro nos Jogos Olímpicos de 1968 no México.
Além da vitoriosa carreira na juventude, quando conquistou o título mundial vencendo o campeão Joe Frazier, até então invicto, no 2º round e fazendo uma luta espetacular contra Muhammad Ali na qual foi derrotado no 8º round, Foreman voltou a lutar depois de 10 anos parado e conquistou aos 45 anos o cinturão dos pesos pesados pela 2ª vez.

Apesar das vitórias espetaculares na 1ª fase da carreira, foi justamente a sua volta que lhe proporcionou a possibilidade de se tornar um bem sucedido empresário.
Por estar 11 quilos acima do peso ideal, Foreman precisava de uma dieta rigorosa à base de proteína, sobre isso brincou que era capaz de comer cinco hambúrgueres numa refeição.
Atento ao mercado, o presidente da Salton, uma pequena empresa de eletrodomésticos portáteis, convidou o pugilista para se tornar sócio e dar nome à toda linha de grills portáteis fabricados pela empresa, nascia assim os produtos George Foreman Grill.
O posicionamento do produto remetia à alimentação saudável, livre de gordura, o que permitia ao pugilista ter uma dieta adequada ao esporte.
A comunicação sobre o grill baseou-se em comerciais que demonstravam o funcionamento do produto e no bordão proferido pelo ex-lutador “Knock out the fat” (Nocauteie a gordura).

O relevante sucesso do produto permitiu que novos formatos, linhas, e cores fossem desenvolvidos dentro do mesmo conceito e comercializados em mais de 100 países.

Trata-se de um processo que vale a reflexão, pois num primeiro momento, a popularidade do lutador foi o fator primordial para a credibilidade do produto, entretanto, com o passar do tempo, os novos consumidores não terão a imagem do pugilista tão fortalecida em suas mentes, já que não viram o lutar.
Nesse momento a situação se inverterá, o nome do atleta continuará em evidência, porém graças ao sucesso do produto que ele ajudou a popularizar.

Sem dúvida alguma, um case de marketing interessantíssimo, tanto pelo ponto de vista do atleta que obteve sucesso associando seu nome a um produto “não esportivo”, como da empresa que, ao identificar a necessidade de uma alimentação saudável do atleta, vislumbrou a oportunidade de atender a todo o mercado.



2 comentários:

  1. Lembro dos perfumes Gabriela Sabatini.

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  2. Fala Victor!
    Bem lembrado. A diferença nesse caso é que o perfume não guarda nenhuma relação com o desempenho esportivo, ao contrário dos cuidados com a alimentação.
    Abraço

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