terça-feira, 18 de novembro de 2014

Imprevistos acontecem...

O ATP World Tour Finals 2014 teve um desfecho totalmente inesperado, o qual não tem nenhuma relação com os resultados esportivos, visto que os dois melhores jogadores da atualidade, Roger Federer e Novak Djokovic, chegaram à decisão.
A surpresa se deu com a desistência do suíço Federer antes do jogo final, que com fortes dores nas costas considerou que, por respeito ao público presente, seria mais apropriado não entrar em quadra.

Não me sinto à vontade para julgar o tenista, já que muito provavelmente eu não teria a isenção necessária, visto a admiração que nutro pelo atleta, no entanto, creio ser interessante analisar sob o prisma do esporte e do marketing as implicações de sua decisão.

Penso que a presença em quadra de um atleta sem condições é extremamente prejudicial, tanto para o atleta que não consegue atuar dentro das expectativas do público, quanto do adversário que ficaria constrangido em jogar contra quem não oferece resistência. 
Evidentemente não podemos também desprezar a frustração daqueles que se programaram para assistirem à final, seja pessoalmente, seja pela TV. 
Para esses, os organizadores tiveram uma solução que julguei bastante razoável, promover uma partida “exibição” entre Djokovic e o melhor jogador da Grã Bretanha, o escocês Andy Murray, já que o torneio aconteceu em Londres.
Eventuais críticas à desistência de Federer não me parecem corretas, tanto em função do seu histórico de superação, como também por seus bons antecedentes como atleta, o que nos leva à conclusão de que as dores eram realmente insuportáveis, o que, aliás, é bastante comum no esporte de alto rendimento.
Todavia, uma parte importante dessa engrenagem foi bastante prejudicada: os patrocinadores do Federer e os da competição.
Creio que para Nike, patrocinador de Federer, a desistência, mesmo com seu substituto sendo patrocinado pela rival Adidas, tenha tido pouco impacto, até porque, um eventual agravamento da lesão poderia fazer com que o prejuízo fosse maior em função do tempo de recuperação, vide o exemplo de outro atleta patrocinado pela empresa, o espanhol Rafael Nadal, que tem estado ausente de grandes competições, inclusive essa que deu origem ao tema, em função de contusão.
Já os patrocinadores do evento, tiveram provavelmente um prejuízo maior, visto que a audiência do principal jogo deve ter sido menor em função da perda da importância da partida, o que consequentemente gerou uma exposição abaixo do esperado.
Situações como essa podem acontecer, principalmente em esportes individuais onde não há a substituição do atleta na competição, e o pior, não vejo nenhuma forma de evitar que imprevistos como esse aconteça. 
Contudo, imagino que possam existir formas de remediar o estrago, entre as quais cito:

  • Pelo lado do patrocinador, através da associação de sua imagem ao fato de que mais importante do que a vitória e a competição em si, está  a integridade dos atletas e o respeito ao público.
  • Já para os organizadores e espectadores, poderia ser criado uma espécie de seguro que incluíssem casos de contusões de atletas e até intempéries climáticas.
No mais, resta torcer para que a superação dos limites ocorra de forma que a saúde dos grandes atletas não sofra maiores danos.


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