terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Patrocínios duradouros

O fim da parceria Fluminense/Unimed traz à tona uma discussão que julgo ser bastante pertinente: os patrocínios duradouros.

Não resta a menor dúvida que ter um bom patrocinador pelo maior tempo possível é algo extremamente benéfico e que todos os clubes, confederações e atletas sonham com esse cenário.
Me refiro aqui  ao patrocínio máster, por esse tomar o maior espaço do uniforme e assim ficar com sua marca mais associada à do clube.
No entanto, deve também ser considerado que a perspectiva de uma parceria eterna é utópica, sendo assim, penso haver dois cuidados numa relação como essa:
  • Não deixar que a marca do patrocínio seja uma espécie de extensão da própria marca do clube ou confederação, pois isso, principalmente em países onde a compra de camisas oficiais por parte do consumidor não tenha uma frequência considerável, faz com que o ex-patrocinador se mantenha demasiadamente incorparado ao patrocinado.
Essa situação faz com que potenciais patrocinadores venham a preferir estampar suas marcas em clubes/confederações com graus de simbiose menores.
Para fugir um pouco do futebol, citamos a seleção brasileira de vôlei, patrocinada pelo Banco do Brasil, como um exemplo do que queremos dizer.
As próprias cores do banco, coincidentemente, similares às da seleção corroboram para essa dependência. 
Houve até uma tentativa de alteração das cores do uniforme por parte da confederação - o time feminino usaria rosa e o masculino preto – o que não foi em frente em função da oposição feita pelo banco.
Voltando ao futebol, temos a Inter de Milão sendo patrocinada pela Pirelli desde 1991 e o Bayern de Munique pela Deutsche Telekom desde 2006, o qual se encerrará em ao fim da temporada 2018/2019.
Com essa observação sobre o time alemão, passamos para o 2º cuidado:
  • Fazer contratos e negociações, nos quais haja um tempo razoável para as partes se organizarem no caso de uma não continuidade da relação.
Há que se ter em mente que a empresa patrocinadora tem, geralmente, seu plano de ações definido com relativa antecedência e que uma ruptura do planejado pode alterar toda estratégia traçada.
O mesmo, sem tanta antecedência assim, ocorre no caso de clubes, confederações e atletas.
A utilização do case do Bayern Munich pode servir como benchmarking aqui, já que o próximo patrocinador máster já está definido, a Audi. 
Devemos, entretanto considerar que a Audi é uma das acionistas do clube, assim como a Adidas, seu fornecedor de material esportivo e a Allianz, que detém o naming rights de sua arena.
Numa situação como essa dá até para se almejar uma relação eterna, mas como sabemos que é difícil, que seja pelo menos eterna enquanto dure.



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