terça-feira, 8 de setembro de 2015

Os simpatizantes



Apesar de o esporte envolver uma forte componente de paixão, não podemos esperar que esse tipo de sentimento seja requisito para criação do mercado de consumidores.
Caso um clube dependa apenas de seus fanáticos torcedores para consumo de ingressos, produtos licenciados ou mesmo para assistir as partidas pela televisão, estará desperdiçando uma gama considerável de potenciais clientes.
Raciocínio similar deve ser aplicado às modalidades esportivas que, se dependerem apenas dos que a praticam ou que a acompanham assiduamente, ficarão com um universo de espectadores aquém do que poderia ser explorado.

Obviamente, não se deve esperar que um torcedor do Fluminense venha a comprar camisas de seu rival, nem vice-versa - apesar da beleza da camisa tricolor - mas seria algo perfeitamente normal se torcedores de times de outros países e até cidades o fizessem.
Na verdade, isso já acontece através da figura do “simpatizante”, principalmente no exterior.
Somando-se às receitas diretas, um maior número de simpatizantes tem o poder de popularizar o “simpatizado”, que passa a ser mais e melhor falado, além de conquistar mais “defensores”, ativos valiosíssimos para qualquer organização.
Para melhor entendimento do conceito, podemos definir simpatia como “a atração por uma coisa ou ideia”.
Dentro dessa perspectiva, vejo os clubes e as confederações brasileiras explorando muito timidamente esse nicho.

Para aproveitar um fato recente que serve para exemplificar o poder da simpatia, reportamos a ajuda do Bayern Munchen aos refugiados da Síria, doando 1 milhão de euros e disponibilizando um de seus CT’s para abrigo.
Alguém tem alguma dúvida de  que com essa iniciativa o clube arregimentou um expressivo número de simpatizantes?
Muitos desses devem ter se tornado seguidores da fanpage do clube, ou, quem sabe, até ter passado a ser um potencial comprador de suas camisas, além, é claro, de ter um time pelo qual estará mais inclinado a torcer na Alemanha.
Evidentemente, que não são apenas as ações humanitárias que têm tal poder, essas, aliás, devem ser feitas sem se pensar nesse tipo de retorno. 
Entre algumas iniciativas a serem executadas com o intuito de atrair simpatizantes estão visitas a outros países, contratação de ídolos internacionais, sites em vários idiomas, etc.
Adaptá-las ao universo nacional também não é tarefa das mais difíceis.

No caso das modalidades esportivas, é fato que não existe uma fidelidade canina por parte dos fãs, porém é fundamental que mais pessoas passem a acompanhar outros esportes.
Isso se consegue tanto com a presença de ídolos e atletas que possam representar bem o país, como também pelo “aculturamento” da população acerca da modalidade - fazer com que o, até então, leigo, passe a conhecer suas regras e particularidades interessantes.

Esse raciocínio pode até ser estendido a cidades, e para se manter no âmbito do esporte, usar como ferramenta de “atração de simpatia” o recebimento de competições importantes. Isso faz com que o local fique conhecido sob um prisma ligado aos valores intrínsecos do esporte, e dessa forma consegue despertar em potenciais turistas o desejo de visitar a cidade.
Vale observar que aqui também há a necessidade do aculturamento, porém na esfera de mostrar à população que eventuais transtornos na cidade fazem parte da cota de sacrifício do cidadão e que, em tese, trarão como retorno divisas para o município.
Se tais divisas serão investidas de forma inteligente e honesta é outra conversa, sobre a qual prefiro não me pronunciar nesse foro para deixar que a reflexão se concentre no potencial a ser explorado através dos "simpatizantes".








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