terça-feira, 1 de março de 2016

A Premier League e a quebras de paradigmas


Além de ser considerado o berço do futebol e de ter uma política esportiva que deixou o país entre as cinco maiores potências olímpicas nos dois últimos Jogos, a Inglaterra tem se destacado pela capacidade de geração de receitas de sua liga principal de futebol, a English Premier League.
O fato de ter uma distribuição dos direitos de TV bastante equilibrada - na qual se privilegia a competitividade do campeonato -  é um dos fatores desse sucesso.
Vale ressaltar que o atual líder do campeonato é o Leicester City, que entre 2004 e 2014 disputava a 2ª divisão inglesa – na temporada 2008/2009 jogou a 3ª divisão – e que na temporada 2014/15 obteve apenas a 14ª colocação.
Podemos ainda acrescentar que o último relatório da Deloitte (2014-15), o Football Money, que elenca os clubes de futebol com maiores receitas, trouxe 5 times ingleses entre os 10 com maiores arrecadações, 8 entre os 20 e 14 entre os 30.
Devendo ficar claro que esses resultados não estão ligados direta e exclusivamente ao expressivo faturamento com as transmissões, mas a atratividade da competição, que faz com que empresas queiram patrocinar as equipes. 
Ilustram essa afirmação, o Manchester United e o Manchester City - 2º e 6º respectivamente no ranking mencionado - que têm as receitas advindas do marketing, como as de maior participação percentual no total de faturamento.
Não resta a menor dúvida de que a escolha desse modelo de distribuição é uma grande quebra de paradigmas, afinal vai contra os tradicionais e obsoletos critérios relacionados ao tamanho da torcida.
Mas engana-se quem acha que a “revolução” para por aí.
A partir do campeonato 2016-17, o banco Barclays que detinha o direito a dar o nome à competição, pagando 40 milhões de libras por temporada, não estará mais presente e, apesar da Premier League ter recebido uma proposta de 45 milhões de libras por parte da cervejaria Guiness, ela preferiu não comercializar mais essa propriedade.
Abrir mão de uma receita de title sponsor é outro paradigma quebrado.
Evidentemente que as razões que levaram a essa decisão não estão ligadas simplesmente à busca por uma marca “limpa” e sem a interferência de outros logos e elementos.
Essa decisão tem na verdade dois grandes objetivos  mercadológicos:
- Valorizar as demais propriedades de patrocínios da Premier League, pois embora o title sponsor traga uma receita significativa, ele também faz com que os demais patrocínios percam importância. 
- Permitir que os clubes possam negociar melhores patrocínios com empresas de qualquer ramo de atividade, visto que o title sponsor inibe as empresas daquele mesmo segmento a investirem como patrocinadoras de clubes, tamanha a desproporção em termos de exposição e associação.

Apesar de não haver uma relação de causa e efeito entre as quebras de paradigmas relatadas no artigo, penso que a distribuição equilibrada dos direitos de TV foi a condição fundamental para a pavimentação do terreno que levou a “extinção” do title sponsor.

Ao futebol brasileiro resta copiar os casos de sucesso, devidamente adaptados à nossa realidade, e partir para a quebra de um paradigma que muito tem prejudicado a modalidade, que é querer sempre agradar aos maiores, ao invés de pensar em deixar o esporte maior.


2 comentários:

  1. Que blog ótimo post. Encontrei o blog enquanto fazia uma pesquisa para uma analise SWOT para a faculdade. Estou cursando Sports Marketing aqui na Florida e gostei muito do blog, meus parabéns.

    Espero que continue a postar e mantendo o blog atualizado.

    Um abraço.

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  2. Oi Brian
    Legal vc ter gostado do blog.
    Agradeço seu comentário e suas palavras.
    Toda 3a feira tem um post novo.
    Abraços
    IH

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