terça-feira, 15 de março de 2016

Solução para o marketing, ou ex-marketing



No meu primeiro texto desse blog, em dezembro de 2009, escrevi sobre a vulgarização do marketing.
Na época não colocava ilustrações nas publicações e revendo o artigo, vejo que a forma de escrever poderia ser mais suave e mais adequada a um blog.
No post, eu falava sobre os rumos que o marketing estava tomando em função da falta de conhecimento, sobre quais eram efetivamente as atribuições desse departamento e como estavam deturpados os entendimentos acerca da disciplina.

Mais de seis anos se passaram e a situação piorou, mais empresas incluíram o departamento em seus respectivos organogramas sem saber o que querem com isso, mais jovens se formaram sem o devido embasamento e as especialidades vão sendo “criadas” para se somarem ao cultural, ao esportivo, ao político, sem que o requisito necessário: conhecer marketing, seja satisfeito.
Ah, surgiram também os críticos, principalmente os que militam no esporte, que sem a menor preocupação com a própria imagem e credibilidade desandam a tecer comentários, recomendações e reclamações sem ciência do contexto, o que já denota a falta de intimidade com o assunto.
Afinal de contas, qualquer um que efetivamente entenda do assunto, saberá que é mandatório conhecer todo o contexto das organizações, o que inclui, entre outros, orçamentos, recursos e objetivos de curto, médio e longo prazo, para daí elaborar e executar os planos de ações.
Diante do cenário que vinha se formando, terminei o artigo com uma sugestão que, apesar de considerá-la viável, foi feita de forma sarcástica e achando que jamais iria acontecer.
“Talvez a vulgarização tenha chegado a um ponto em que a reversão seja impossível e, quem sabe, seja melhor criar um outro termo não tão bonito para designar Marketing, enquanto esse fica servindo como uma espécie de curinga.”

E não é que algo parecido aconteceu.
Em meados de 2014, a Procter & Gamble (P&G), multinacional norte-americana de bens de consumo, a qual julgo como uma das melhores escolas de marketing, decretou o fim do marketing.
Não há mais gestão de marketing, essa passou a ser de marcas, tanto que diretores, gerentes, analistas e demais cargos substituíram o "marketing" por "marcas" em seus cartões de visita.

Não tenho como afirmar se a vulgarização do marketing foi a responsável pela mudança, mas a explicação da P&G permite inferir que essa teve algum peso, pois passa a fazer parte do escopo da função quatro grandes atribuições:
  • Gestão da marca;
  • Conhecimento sobre o mercado;
  • Comunicação;
  • Design/identidade visual.
Na verdade, pouco ou nada mudou em relação às atribuições das áreas de marketing de qualquer instituição bem organizada, arrisco-me a dizer que tudo não passa de uma questão de nomenclatura.

De qualquer forma é um alento constatar que o verdadeiro marketing continua sendo valorizado por quem entende do assunto.
Resta torcer para que as organizações pouco afeitas ao tema, o que inclui grande parte das ligadas ao esporte, se conscientizem e possam aproveitar os benefícios do marketing, ou ex-marketing.





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