terça-feira, 8 de março de 2016

Tudo é relativo, inclusive em gestão

Acredito que nunca se chegará a uma conclusão sobre qual seria o modelo mais apropriado para a divisão das cotas de transmissão do futebol, a qual, na minha opinião, é bastante injusta no Brasil e mais perto do ideal na Inglaterra, mas deixarei para desenvolver esse assunto em outro artigo.
Usarei o tema aqui para discorrer sobre as negociações que têm acontecido no Brasil sobre a renovação – ou não – dos contratos acerca desses direitos.
Para alguns, só o fato de se aumentar o valor que o clube recebia em relação ao contrato anterior, já faz com que a nova proposta seja considerada boa. Pela minha ótica, essa conclusão pura e simples é precipitada, ainda mais num cenário de alta competição.
Imaginem um nadador que diminua em 1 segundo a sua melhor marca.
Agora, pensemos numa empresa que aumentou em 20% as suas vendas.
Podemos dizer que o nadador e a empresa de fato melhoraram seus desempenhos?
Continuando o raciocínio, incluiremos nessa narrativa a informação de que o nadador conseguiu esse tempo por estar usando um traje especial, o qual, em função da maior flutuabilidade, propicia uma velocidade maior. E mais, seus principais adversários diminuíram em 2 segundos suas melhores marcas.
No caso da empresa, acrescentaremos o fato de que o mercado cresceu 40% e todos os seus concorrentes tiveram um incremento superior a esse percentual.
Ainda assim pode se afirmar que tanto o nadador quanto a empresa melhoraram suas performances?
Evidente que não.

Voltando às cotas do clube, de nada adiantará ter um aumento nessas receitas, se os que já recebem mais tiverem um adicional percentualmente maior.
Argumentar que esse incremento distancia o clube daqueles que estão atrás é se contentar em ser coadjuvante, abrindo mão das pretensões de ser o melhor. Um pensamento digno de quem torce ou representa times pequenos.

Esse assunto me lembrou um período em que os postos de combustíveis decidiram realizar uma guerra de preços, a qual ficou basicamente localizada num bairro do Rio de Janeiro. Um posto dava um desconto de R$ 1,00 (valor fictício), um outro reagia e baixava o preço em R$ 1,10, seguido por um terceiro que chegava a R$ 1,20, fazendo com que o autor da primeira promoção respondesse com um desconto de R$ 1,30 e a ciranda não parava.
Analisando com a devida atenção, concluiremos que apenas o consumidor se beneficiava da “guerra de preços”, enquanto que os postos queimavam absurdamente suas margens.
O máximo que esses postos conseguiam era aumentar o volume de vendas através de um maior fluxo de clientes oriundos de outros bairros que vinham em busca de um melhor preço, o que nem positivo poderia ser considerado, já que aumentava também o prejuízo caso a margem já estivesse negativa.
Além disso, a percepção do consumidor sobre o posto que praticava o melhor preço tinha como parâmetro algo em torno de R$ 0,10, valor que não condizia com o sacrifício da operação.
Um típico caso de miopia dos donos de postos, já que para obtenção dessa condição bastaria uma união em torno de um valor que atraísse motoristas de outras localidades e as margens não fossem tão sacrificadas.

No caso das discussões sobre as cotas, muito provavelmente a falta de união entre os clubes é também o grande empecilho para que o segmento cresça e seja atrativo globalmente.
Numa analogia ao case sobre os postos, os clubes parecem querer ser os melhores localmente - mesmo que isso implique num resultado financeiramente pior - do que crescer e ter sua lucratividade aditivada por receitas advindas do maior interesse despertado pelo futebol nacional.


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