terça-feira, 19 de abril de 2016

Tá em falta...

Creio que todos já passaram pela situação de tentar comprar um produto e ao não tê-lo disponível, ouviram do vendedor que o bem "tá em falta”.
Comumente, também, escutamos do varejista como justificativa para a falta que se trata de um problema do fabricante que não entregou o tal produto.
E quando se procura o fabricante, não é raro receber a informação de que não existe nenhum problema na produção, tampouco de atraso na entrega.
No esporte, mais precisamente no futebol, onde a demanda por camisas de clubes é bastante significativa, o "conflito varejo vs. fabricante" ganha ainda mais força, já que é insuflado pela paixão do torcedor e pelos leigos em assuntos relacionados a varejo bens de consumo e marketing, que teimam em abusar do clichê: "a distribuição é ruim".
Mas afinal, quem está falando a verdade? Quem está com a razão?

Sem acesso ao pedido do varejista, jamais teremos condições de responder essas questões com absoluta certeza, porém, podemos com um bom nível de assertividade inferir a origem da falta. Para isso basta atentar para alguns indícios, tais como:
O produto que se procura estava sendo comercializado anteriormente - um ou dois meses -  naquele estabelecimento.
Em outras lojas, principalmente nas localizadas na mesma cidade, existe o produto.
É possível encontrar outros tamanhos do mesmo bem naquele estabelecimento.
Há produtos do mesmo fabricante naquela loja.
As situações descritas acima denotam um quadro onde há enormes chances de ser um problema mais ligado ao varejista que, provavelmente, fez uma estimativa de vendas conservadora, fato que traz como consequencia a falta de produtos.
Por outro lado, quando não se encontra o produto durante muito tempo, pouquíssimas lojas o comercializam e falta outros produtos do mesmo fabricante, a probabilidade de ser um problema de distribuição é bastante grande.

No caso de camisas de clubes de futebol, a detecção da origem do problema é até mais fácil, visto que o preço desses itens não costuma variar em relação ao time nem em relação ao fabricante. Ou seja, o fator preço na “negociação comercial” interfere bem menos do que no setor de bens de consumo, por exemplo, onde muitas vezes as marcas usam a precificação como principal diferencial competitivo.
Nesse mercado – de camisas de times -, o porte do fabricante, sim, é um dos fatores de maior importância para a colocação do produto no ponto de vendas. Isso se deve a sua melhor estrutura em relação à cadeia de distribuição, e à maior dependência do varejista a outros produtos do portfólio da marca. 
Não vai com esse último motivo nenhuma alusão a uma eventual venda casada, visto tal prática ser ilegal, mas ao maior maior esforço das áreas de marketing e comercial dessas grandes fornecedores no intuito de aumentar seu "drop size" (quantidade de caixas/unidades de embarque por cliente/entrega) e assim reduzir os custos de logística, o que, evidentemente, melhora o resultado da operação.

Diante dos pontos que foram aqui levantados para reflexão, podemos com relativo índice de asseveração identificar os responsáveis nos casos de ruptura de estoque - o tal "tá em falta".
Quem sabe assim, consigam abrir mão dos clichês e tentem entender como funciona o mercado. 



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