terça-feira, 24 de maio de 2016

Cuidado com a credibilidade!


Por mais estruturada que seja uma organização, existe um atributo fundamental para a obtenção de bons resultados: a credibilidade.
Ou seja, é primordial que clientes, canais de vendas, fornecedores e colaboradores, entre outros, confiem na capacidade de honrar compromissos da empresa.
Para que isso aconteça, é necessário que ela seja percebida pelo mercado como uma empresa cumpridora das obrigações legais, sejam essas tributárias, trabalhistas e/ou estatutárias. Qualquer arranhão nesse sentido, pode fazer com que os “stakeholders” venham  a preteri-la em eventuais oportunidades de negócios.
Na verdade, a credibilidade é um atributo indispensável em qualquer relação, inclusive pessoal, mas como o foco do blog é esporte, passemos a um caso relacionado a essa atividade.

Mais precisamente às eleições presidenciais do Fluminense, clube que ostenta entre suas principais conquistas, um tetracampeonato brasileiro, um campeonato mundial e a conquista da Taça Olímpica.
Segundo relatos dos conhecedores da política interna do clube, há em curso uma manobra que tem como objetivo dar elegibilidade a sócios com menos de cinco anos de associação. 
Uma mudança que a meu ver poderia até ser discutida, desde que a alteração só passasse a valer na eleição posterior à que se aproxima, sob o risco da medida parecer - ou ser - casuística. 
Para que o caso fique transparente ao leitor, é importante salientar que tal hipótese só passou a ser ventilada após um sócio com tempo insuficiente para a elegibilidade -  mesmo com idade muito mais do que suficiente para ter se associado - manifestar a intenção de ser presidente.

Para ilustrar a importância da credibilidade, farei menção ao processo de privatização das telecomunicações, no qual ficou estabelecido que o IGP (índice geral de preços) seria o índice utilizado para a correção das tarifas, tal definição embasou todo o plano de negócios das concessionárias. Entretanto, em 2003, o IPCA (índice de preços ao consumidor amplo) ficou mais baixo do que o IGP, o que fez com que o governo  ignorasse o contrato e nos tribunais conseguisse que o reajuste tivesse como indexador o menor índice.
Essa “quebra de acordo” provocou, principalmente nos acionistas estrangeiros, uma séria crise que levou muitos investidores a reduzirem seus investimentos no Brasil.
Afinal de contas, empresas sérias escolhem seus parceiros comerciais em função não apenas dos resultados a serem atingidos, mas também da credibilidade no que tange ao cumprimento de acordos, leis e estatutos.

Aqui chegamos no ponto do artigo em que os aspectos relacionados ao marketing passam a se fazer presentes. No caso, ressalto a maior dificuldade que o Fluminense terá em obter patrocínios de empresas sérias e sólidas, caso ocorra a tal "virada de mesa estatutária", visto que ficará com a imagem e a credibilidade fortemente arranhadas. Vale lembrar que recentemente o clube rescindiu de forma unilateral o contrato com a Adidas, sua fornecedora durante 20 anos.
Os dirigentes do clube carioca não podem jamais esquecer que entre as diversas variáveis analisadas por uma empresa estruturada para a decisão sobre "onde investir", existe uma que tem o papel de requisito fundamental: a credibilidade da outra parte.

O argumento de que ao se rasgar contratos e estatutos está se fazendo o melhor para a organização naquele presente momento é frágil, e pior, denota falta de visão de longo prazo, pois em troca de um suposto benefício imediato, se mancha a imagem de uma instituição centenária num ponto em que os resultados esportivos (variáveis incontroláveis) pouco ou nada interferem: sua credibilidade.




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