terça-feira, 2 de agosto de 2016

As grifes nos Jogos Olímpicos

A cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos costuma ser um dos acontecimentos mais marcantes desse evento. Os olhos do mundo se voltam para tal celebração, que requer dos organizadores um trabalho impecável de criação, produção e ineditismo.
Além dos shows, os desfiles das delegações atraem a atenção tanto dos entusiastas dos esportes como dos que querem apenas ver os atletas, a multiplicidade de culturas e os uniformes, os quais não necessariamente precisam ser da mesma marca dos que são usados para as competições e/ou premiações. Aliás, poucos países “praticam” essa coincidência de marcas no que tange à vestimenta, entre as grandes potências só me vem à cabeça a Alemanha com a Adidas.

O espetáculo é, sem dúvida, uma excelente oportunidade para marcas relacionadas à moda estarem presentes num ambiente amplamente dominado por tradicionais marcas ligadas ao esporte.

Ralph Lauren, Empório Armani, DSquared2, Sportcraft, Lacoste, C&A, Stella McCartney e H&M são algumas das marcas que, mesmo sem peças voltadas à atividade esportiva, vestirão alguns dos melhores atletas do mundo.


Uma estratégia elogiável pelo prisma de marketing, pois conseguem se associar aos valores do olimpismo, sem precisarem investir no patrocínio da competição, nem em tecnologia para o desenvolvimento de produtos voltados à performance.
Nesse processo, cada marca vai em busca dos países mais alinhados com seus objetivos mercadológicos, os quais não se encontram relacionados às vendas de curto prazo e sim ao posicionamento e à divulgação.
A propósito, a visão míope que se tem a respeito do retorno de patrocínios, vem rendendo uma boa discussão sobre a marca que vestirá os atletas cubanos no desfile: na verdade, uma criação conjunta do designer de sapatos Christian Louboutin com a loja virtual SportyHenri, do atleta de handebol francês Henri Tai.
Algumas pessoas acharam um absurdo que os atletas cubanos, por serem de um país comunista, desfilem com uma marca tão sofisticada. Certamente partem da premissa que tal patrocínio tem como intenção principal vender sapatos Louboutin para a população cubana.
Os partidários dessa convicção não conseguiram alcançar que Cuba tem despertado a atenção e curiosidade do mundo, até mesmo em função do isolamento de mais de 50 anos.
Corrobora para essa conclusão, o fato de outras marcas do segmento fashion como Stella McCartney e Chanel já terem se utilizando de motivos cubanos para a criação e/ou lançamento de suas coleções.

Por outro lado, não vejo nenhum motivo para se criticar o país, já que o fato de seguir uma ideologia socialista não significa que se deva abdicar da estética ou mesmo da elegância.

Que venham os Jogos!



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