terça-feira, 18 de abril de 2017

Quando vencer não importa

As últimas rodadas da NBA têm nos colocado diante de decisões que, num primeiro momento, parecem ir contra os princípios e valores do esporte. Aqui me refiro à opção dos times que, sem chance de passar à fase dos playoffs, escalam reservas nesses últimos jogos.
Apesar de nunca admitirem, há uma forte suspeita de que essas decisões tenham o intuito de deixar a franquia nas últimas posições na tabela de classificação. Isso ocorreria porque, no draft – processo de escolha  de jogadores para a próxima temporada – os times mais mal colocados vão para o sorteio que define a ordem de escolha com mais chances de serem os primeiros.
As franquias negam essa acusação com argumentos difíceis de serem contestados, os quais  vão da necessidade de dar experiência e testar os reservas a recuperar os titulares do desgaste da temporada.
Admito que, mesmo com todo o meu fanatismo pela ética em todos os ramos de atividade, trata-se de uma situação de difícil julgamento.
Ir contra o “poupar” coloca em xeque vários ídolos inquestionáveis do esporte, afinal não foram poucas as vezes que Michael Phelps e Usain Bolt disputaram séries eliminatórias abaixo de seus empenhos máximos. E o que dizer dos times de futebol que substituem seus melhores jogadores para não expô-los a lesões e punições? Quem nunca viu um triathleta ou maratonista cruzar a linha de chegada num ritmo mais lento quando o resultado já está garantido?
Enfim, exemplos não faltam em nenhuma modalidade esportiva, a diferença talvez seja a motivação que leva à decisão de se poupar, a qual pode estar ligada ao regulamento e/ou à preservação para uma próxima competição.
Saindo da esfera esportiva, temos o lado do consumidor que, caso tenha comprado um season ticket de um desses times da NBA ou ingresso para uma eliminatória no atletismo, por exemplo, não assistirá à melhor performance, embora provavelmente estivesse ciente desse risco.
Enquanto que pela perspectiva do patrocinador das equipes – a partir da próxima temporada a camisa poderá estampar uma marca - a inciativa de “poupar” não me parece interessante em função dos ataques que as franquias sofrem quando se utilizam das práticas que colocamos em discussão no texto, as quais podem recair para as marcas, ainda que traga maiores chances de melhores resultados no futuro.
Já sob o ponto de vista da competição, a intenção de se buscar o equilíbrio no caso da NBA certamente é satisfeita, porém, colocando em risco o sistema da disputa já que os últimos jogos antes dos playoffs podem ficar desinteressantes como produto.
E antes que se conclua que a fórmula das disputas precisa ser alterada, vale ressaltar que não existe critério perfeito, pois mesmo que se corrija um problema, aparecerão outras vulnerabilidades. Nesse contexto, não há como não trazer ao texto a discussão sobre a melhor forma de disputa do campeonato brasileiro de futebol: pontos corridos ou mata-mata.
Corrobora para uma eventual aceitação do “poupar”, o fato que mesmo as grandes corporações executam manobras gerenciais para se aproveitarem das brechas que a legislação concede, sem que isso possa ser considerado ilegal ou fraudulento, vide, por exemplo, as engenharias tributárias ou mesmo de logística. Enfatizando aqui que para se chegar a essa conclusão é mandatório que as manobras estejam disponíveis também para a concorrência.
Para finalizar um questionamento para reflexão: seria correto haver interferência externa na escalação de uma equipe?


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