terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Como punir?

Uma das consequências que as redes sociais trouxeram à sociedade foi dar voz a todos, inclusive aos que jamais teriam e aos que nunca deveriam ter. O grande problema é que essas vozes passaram a se portar como se de tudo entendessem, inclusive de direito ao opinarem sobre decisões judiciais sem o menor conhecimento jurídico.
Não há como não reconhecer que a tentação de opinar sobre a maioria dos assuntos é grande, até porque o lado passional costuma falar mais forte do que o racional e as concordâncias e discordâncias com o que se foi decidido passam a ter uma plataforma livre. Compreensível, porém, penso ser temerário ser definitivo sobre algum assunto sem que se possua o devido embasamento.
Diante desse meu pudor em opinar sobre o que não estou preparado, esclareço que o presente artigo tem como objetivo simplesmente provocar a reflexão sobre o tema, no caso, o julgamento sobre a punição ao clube mandante do jogo final da copa sul-americana de 2017.
A alegação de que os vândalos não podem ser considerados torcedores tem certa coerência se observarmos pelo lado semântico da palavra, afinal de contas quem torce por algo tem como intuito o sucesso desse algo, e não foi o que vimos.
Contudo, não podemos nos esquecer de que para o cômputo do tamanho de torcida, o qual influencia nas decisões de patrocínio, divisão das cotas de transmissão e de valor da marca, os marginais são considerados torcedores. O que não podia ser diferente, já que as pesquisas não são segmentadas por engajamento, tampouco por bons antecedentes e educação.
Diante desse contexto, sem entrar no mérito da dosimetria da punição não me parece haver outra solução que não seja responsabilizar a instituição pelos problemas ocorridos, problemas esses que se estenderam para longe das cercanias do estádio, onde bandidos vestindo a camisa do time que dizem torcer agrediram o jogador de um clube rival.
Mesmo reconhecendo achar pouco justo que terceiros paguem pelos atos de delinquentes, não enxergo outra forma de minimizar as chances de futuros incidentes.
Lembro que vários países recebem sanções, sejam essas diplomáticas, militares ou econômicas, por atos terroristas de organizações alojadas em seus territórios ou composta por seus cidadãos.
No esporte mesmo, o povo russo ficou alijado de ver seus atletas competindo nos Jogos Olímpicos de 2016 pelo fato de ter havido uma incidência absurda de casos de doping, o que deixou de fora inclusive a atleta Yelena Isinbayieva, que nunca tinha testado positivo em sua carreira.
Tenho sérias dúvidas se punições radicais são as mais adequadas para se coibir a repetição desses fatos, talvez não sejam, até porque os próprios infratores certamente não se incomodarão com as mesmas, mas deixar sem nada também não resolve.
De qualquer forma, pelo bem da imagem do esporte medidas de extrema severidade precisarão ser tomadas, as quais, em nome do respeito aos que conhecem o aspecto jurídico e educacional, não serão por mim sugeridas.


terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Mostrando a cara

Poder escolher, mesmo correndo o risco de se arrepender é, sem dúvida, uma situação melhor do que não ter escolhas, o que não significa dizer que seja um ato fácil.
Creio que o grau de dificuldade seja ainda maior quando se trata de escolher pessoas para sua equipe, afinal de contas, o tempo e as interações para se chegar aos selecionados são exíguos, além disso, os candidatos, cientes de que estão sendo avaliados e precisam “se vender”, não agem de forma totalmente natural, o que é perfeitamente normal.
Ainda que surjam métodos de avaliação cada vez mais avançados, é impossível ter a certeza absoluta de que foi feita uma boa escolha. Aliás, a certeza quanto a isso só se poderá ter ao fim da relação, pois é no dia a dia e no desligamento que as pessoas se revelam. Sendo sucinto, podemos resumir que as situações de conflitos são as melhores para se identificar a firmeza, educação e princípios de um indivíduo.
Na verdade, nas situações do cotidiano é até possível mascarar algum desvio de caráter, já que as reações costumam ser influenciadas pela motivação da continuidade da relação, em outras palavras, do receio de ser demitido. Porém, nos casos de desligamentos ou intenção de que esses ocorram, a verdadeira faceta é prontamente revelada sem o menor constrangimento.
Alguns passam a se dedicar menos enquanto outros, pasmem, chegam ao ponto de faltar constantemente ao trabalho sem dar satisfação. 
E não faço aqui nenhum tipo de crítica ao direito à greve, esse existe e é regulamentado, tendo entre outras características o fato de precisar de anúncio prévio para ser legal. Tampouco critico aqui a possibilidade de um funcionário faltar por motivos de doença, acidentes e demais prerrogativas facultadas pela legislação.
Refiro-me aos atos infames de se faltar para criar situações que levem ao fim da relação e/ou se crie uma forma de resolver alguma pendência. 
Isso no meu modo de ver é inadmissível e mostra com total transparência a personalidade e o caráter de quem comete tais atos.
Evitar que isso aconteça é mais uma daquelas tarefas impossíveis no caso de um primeiro emprego do colaborador, visto ser muito difícil detectar num processo seletivo o grau de insensatez das pessoas, até porque essas costumam ser bastante dissimuladas, além do que, em grande parte das vezes a atenção do contratante se volta muito mais para os aspectos técnicos e de conhecimento sobre a função a ser exercida.
Contudo, é perfeitamente factível que a decepção não se repita com colaboradores advindos de outras instituições, bastaria para isso que as organizações criassem um canal de comunicação eficaz para denunciar atos como esses e se unissem para não absorver pessoas com esse tipo de índole. Claro que para isso funcionar seria fundamental que as instituições encampassem uma bandeira ética, de modo que não exista a menor possibilidade de condutas passionais e persecutórias.

Recolha um cão na rua, dê-lhe de comer e ele não lhe morderá: eis a diferença fundamental entre o cão e o Homem.
MARK TWAIN


terça-feira, 2 de janeiro de 2018

O blog mudou de nome

Em outubro de 2017 resolvi colocar em prática uma decisão que vinha sendo amadurecida há algum tempo: a de mudar o nome do blog de Halfen Marketing Esportivo para Halfen Marketing & Gestão.
Na verdade, o título antigo destoava do meu discurso acerca do marketing, visto ter sempre preconizado que antes de se focar algum segmento, seja ele esportivo, político, bens de consumo, varejo, etc., é fundamental entender o que é marketing. 
Em 2009, ano da primeira publicação com o sugestivo título “A vulgarização do marketing”, por estarmos às vésperas dos megaeventos esportivos, considerei a oportunidade de escrever sobre o marketing utilizando o esporte como forma de ilustrar os conceitos que seriam desenvolvidos nessa plataforma.
Se fizermos um exercício de comparação com outros veículos que falam realmente sobre marketing esportivo, veremos que esse aqui é bastante diferente, pois não dá ênfase às notícias, tampouco explora exclusivamente o esporte, já que inclui em seu conteúdo muitos casos ocorridos no mundo corporativo. 
A incorporação da palavra gestão ao nome ocorreu por entender que a área de marketing contempla e necessita de conhecimentos e interações com outras, tais como recursos humanos, finanças, operações, TI e até jurídica, entre outras. Não adiantava, contudo, ter um posicionamento definido com um nome que pudesse causar algum tipo de confusão acerca do conteúdo oferecido.
Ainda que o complemento “esportivo” tenha talvez ajudado na popularização da plataforma, isso pouca diferença faz, já que em busca da isenção editorial, o blog nunca teve fins comerciais, não admitindo sequer links patrocinados.
Com a troca de nome, o blog tenta se consolidar como uma ferramenta voltada para dois grandes públicos: 

  • os que gostam de esporte e querem refletir sobre gestão;
  • os que gostam de ler sobre gestão e acham interessante o exercício de aplicar os conceitos num ramo de atividade ainda pouco maduro sob esse prisma, e mais próximo do dia a dia do leitor.
A justificativa para estar escrevendo apenas hoje sobre a mudança, quase três meses depois de ocorrida, se deveu ao tempo que foi dedicado à análise comparativa de indicadores de audiência e também ao fato de querer iniciar o ano com a comunicação oficial de um fato novo.