terça-feira, 8 de maio de 2018

Formando times

Antes de focar os aspectos que embasarão o presente artigo, convém notar que  o raciocínio conceitual que será aqui desenvolvido pode ser aplicado tanto em situações relacionadas ao mundo corporativo como também no meio esportivo.
Feita a ressalva, vamos ao texto.
Quando se analisa a utilização de tempo dos gestores fica perceptível que a maior parte de suas jornadas costuma ser dedicada à área que lideram, afinal de contas os objetivos que lhes são impostos estão relacionados aos seus respectivos departamentos. Entretanto, pouco adianta essa extrema dedicação sem a existência de um time capacitado, ou seja, é fundamental que mesmo os que não trabalham diretamente com Recursos Humanos empenhem parte da sua atenção aos aspectos relacionados à equipe, o que inclui a formação, o treinamento e a supervisão. 
Não creio que nenhuma dessas três tarefas possa ser considerada mais importante do que as demais, porém, penso que a formação de uma equipe seja algo que requer maiores cuidados. Tal convicção advém do fato de que muitas vezes a equipe é "herdada" e assim demande ajustes que podem implicar em problemas oriundos do tempo necessário para entrosamento de novos integrantes ou mesmo para se sanar eventuais sequelas causadas no clima organizacional por desligamentos e/ou mudanças radicais. Somado a isso existe o próprio desafio de selecionar profissionais, tarefa que julgo como uma das mais difíceis, já que nenhum processo consegue reproduzir fielmente as situações do dia a dia. 
Baseado nesse contexto, nos serviremos do ensaio chamado The Basic Laws of Human Stupidity (As leis básicas da estupidez humana), escrito pelo economista italiano Carlo Cipolla, que discorre sobre a estupidez da humanidade e estabelece algumas regras a respeito dela através de uma análise bem-humorada e bastante lógica. 
A grande contribuição da obra ao nosso artigo resulta da segmentação que o autor faz da sociedade, onde quatro padrões são delineados através de dois eixos - um privado e um social -, conforme diagrama. 
Apesar de o modelo ser voltado à população de forma geral, o racional empregado pode ser relativamente aproveitado para o processo de formação de um time. 
Assim temos, segundo Cipolla, a população formada por quatro tipos de pessoas, os quais descrevemos a seguir. 
  • Inteligentes – pessoas que buscando o benefício próprio geram resultados para a sociedade. 
  • Ingênuos – aqueles que vão em busca do benefício da coletividade, abrindo mão de seus interesses e/ou até se prejudicando. 
  • Bandidos – indivíduos que obtém vantagens individuais causando malefícios à sociedade. 
  • Estúpidos – seres que causam danos à coletividade sem gerar ganhos individuais. 
Em sua análise, o economista italiano conclui que uma pessoa inteligente consegue entender a lógica dos bandidos, os quais são previsíveis e dentro de padrões racionais, ainda que não éticos. Todavia, é incapaz de compreender ou mesmo se antecipar às ações dos estúpidos, visto serem esses desprovidas de razão, tornando-se assim pessoas mais perigosas. 
Vale lembrar que o autor, apesar de não quantificar os tipos, estima que o número de estúpidos é absurdamente maior do que o de inteligentes. 
No meu modo de ver a aplicação pura e simples da análise de Cipolla para um processo de formação de um time deve ser vista como um elemento meramente complementar, mesmo porque existem inúmeras outras possibilidades de segmentações pertinentes, aliado a isso, discordo veementemente da afirmação de que a inteligência tenha correlação direta e exclusiva com a busca do benefício individual. 
Não obstante, as observações sobre os estúpidos e bandidos me pareceram bem coerentes. 



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