terça-feira, 14 de outubro de 2014

Avis, a número 2

  
A Avis, apesar de ter uma trajetória interessante em termos de pioneirismo no lançamento de alguns serviços como gerenciamento de reservas em tempo real e oferta de carros adaptados a pessoas com necessidades especiais, não será analisada nesse artigo sob esse aspecto.
Também não exploraremos a ligação da empresa com o esporte, a qual é bem tímida, se resumindo basicamente a golfe, hipismo e ações pontuais.
Preferimos aqui, abordar o posicionamento que a empresa adotou para combater sua principal concorrente, a Hertz, que detinha 75% do mercado americano e uma verba de publicidade 5 vezes maior, o que fez com que a Avis resolvesse, assim, assumir a condição de vice-líder de mercado.


O anúncio ao lado traduz bem como foi a linha adotada pela empresa.
“Avis é apenas a número 2 em locação. Então, por que vir conosco? Nós trabalhamos mais duro, nós nos esforçamos mais”.

O slogan utilizado “We try harder” é considerado até os dias de hoje como um dos melhores de todos os tempos.

Tal conceito foi de fato um sucesso e fez com que a empresa se tornasse um gigante no ramo, com presença em mais de 160 países e uma frota de cerca de 400 mil veículos.

Essa estratégia, além de interessante pelo inusitado, já que todos buscam algum tipo de liderança, também pode servir conceitualmente como inspiração para clubes que não tenham a maior torcida e modalidades esportivas cujo número de praticantes e fãs seja inferior a outras em suas disputas pelo mercado.
Ter mais torcedores não é garantia de melhores resultados, sejam esses esportivos ou econômicos, assim como melhores resultados esportivos não necessariamente refletem maiores lucros, ou seja, de nada adianta quantidade se essa não vier acompanhada de uma identidade que a proteja de eventuais ataques indiretos a sua eficácia.
Evidentemente, o fato de se ter uma maior quantidade pode se transformar numa identidade, porém essa, de forma isolada, corre o risco de ser confrontada pela concorrência com posicionamentos calcados na qualidade, conforme vimos no case da Avis ou, voltando no tempo, à Atlantic com o consagradíssimo “Quem não é o maior tem que ser o melhor”.

No futebol isso pode ser bem observado através dos valores de patrocínios masters, os quais muitas vezes são mais altos para equipes cujas bases de torcedores são menores.
Na verdade, até no caso de patrocínio de fornecedores de material esportivo, onde os valores deveriam ser proporcionais à quantidade de torcedores, essa relação proporcional não acontece.
Também é possível constatar tais “fenômenos” se analisarmos as verbas que circulam entre as modalidades esportivas. Muitos esportes cujo número de praticantes, cobertura da imprensa e “torcedores” não é tão expressivo possuem patrocínios superiores a outros de maior representatividade quantitativa.

Em resumo, o fato de não se ter a maior quantidade não é justificativa para acomodação, ao contrário, é uma excelente oportunidade para utilizar o marketing e encontrar conceitos que posicionarão o clube, a empresa ou o esporte como "único" no mercado em que atuam.





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