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terça-feira, 14 de julho de 2026

Da Levi's às listras: Histórias dos uniformes

Ao observarmos os uniformes das seleções da Copa do Mundo de 2026, é difícil imaginar que, até a edição de 1970, nenhuma equipe exibia a logo de seu fornecedor de material esportivo.
Foi apenas em 1974 que as marcas começaram a aparecer nos uniformes, ainda de forma tímida e cercadas de situações que hoje seriam impensáveis. A campeã Alemanha Ocidental, por exemplo, utilizou uniformes produzidos pela Erima sem exibir sua marca, enquanto os agasalhos estampavam a logo da Adidas. Já a Austrália vestiu uniformes fabricados pela Adidas, mas com a marca da Umbro, patrocinadora da federação.
Na mesma Copa surgiu outro episódio histórico. A Holanda, patrocinada pela Adidas, entrou em conflito com Johan Cruyff, que possuía contrato individual com a Puma. Como solução, sua camisa foi produzida com apenas duas listras nas mangas, em vez das três tradicionais da Adidas, tornando-se um dos casos mais icônicos de conflito entre patrocinadores na história do esporte.
A Copa de 1978 também reservou uma curiosidade histórica: a presença da Levi's, mundialmente associada ao mercado de jeans, como fornecedora da seleção mexicana, evidenciando um cenário ainda pouco estruturado sob a ótica do fornecimento esportivo.
Em 1982, a brasileira Penalty forneceu material esportivo para a seleção peruana. Em 1986, foi a vez da Rainha estrear com o Paraguai.
Na Copa de 1990, chamou atenção a participação da Rapido, marca sul-coreana pertencente à divisão esportiva da Samsung. Curiosamente, até a edição anterior, a empresa ainda operava sob o nome Weekend.
A década de 1990 também marcou a chegada de novos protagonistas. Em 1994, a Umbro estreou vestindo o Brasil campeão do mundo, enquanto a Reebok fez sua primeira aparição com a seleção da Rússia. Quatro anos depois, a Nike debutou no torneio e já igualou a Adidas em número de seleções patrocinadas.
Em 2002, a espanhola Joma fez sua estreia. A edição também ficou marcada pela primeira vez em que a Itália exibiu a marca de seu fornecedor, a Kappa, ainda de forma discreta, posicionada apenas na manga. Já em 2006, a Puma alcançou um feito inédito ao superar Adidas e Nike em quantidade de seleções patrocinadas. Na mesma edição, conquistou seu único título mundial até hoje com a Itália.
As Copas seguintes continuaram ampliando a diversidade de fornecedores. A Legea e a Brooks estrearam em 2010, a New Balance em 2018 e, em 2022, foi a vez da One All Sports, de Singapura, e da iraniana Majid. Vale relatar que em 2014, a Nike alcançou pela primeira vez a liderança isolada em número de seleções patrocinadas, consolidando seu crescimento dentro do principal evento do futebol mundial.
Ao longo de pouco mais de cinco décadas, os fornecedores deixaram de ser meros fabricantes para se tornarem protagonistas de uma disputa global por visibilidade, posicionamento e valor de marca. A evolução dos uniformes das Copas ajuda a contar também a história da transformação do marketing esportivo.




terça-feira, 30 de junho de 2026

Conspiração ou inspiração?

No passado, era comum a comparação entre transpiração e inspiração para diferenciar aqueles que alcançavam resultados principalmente pelo esforço daqueles que se destacavam pelo talento. Evidentemente, as duas características não são excludentes. Pelo contrário, quando caminham juntas, costumam produzir os melhores resultados.
Hoje, porém, parece que a inspiração ganhou uma nova concorrente: a conspiração.
Impulsionadas pelas redes sociais e, muitas vezes, pela preguiça, ou incapacidade, de pesquisar antes de emitir opiniões, teorias conspiratórias passaram a ocupar um espaço cada vez maior no debate público.
A Covid foi criada por interesses econômicos. A vacina faz mal. A Terra é plana. E a lista segue.
Com a Copa do Mundo dominando o noticiário e as redes sociais, milhares de conteúdos são produzidos diariamente e, entre eles, encontramos bons exemplos das duas situações descritas no título.
Talvez o caso mais emblemático da categoria "conspiração" seja a de que o jogador Endrick não seria titular da Seleção Brasileira por não ser patrocinado pela mesma marca esportiva da CBF, a Nike.
Os fatos, porém, contam uma história diferente. Dos 26 convocados para a Copa, treze são patrocinados pela Nike, nove pela Adidas, três pela Puma e apenas um pela New Balance, o Endrick.
Mais interessante ainda é observar que a equipe que iniciou a partida de estreia contra Marrocos tinha seis jogadores patrocinados pela Adidas e cinco pela Nike. Pela lógica dos adeptos da teoria, o time titular deveria ser composto integralmente por atletas da Nike. E isso sem mencionar Neymar, patrocinado pela Puma, cuja convocação foi amplamente debatida.
É claro que as marcas preferem ver seus atletas em evidência. Todavia entre ter uma seleção campeã utilizando seus uniformes e ter alguns jogadores titulares em uma equipe derrotada, não há espaço para dúvidas.
Mas se a Copa oferece exemplos de conspiração, ela também proporciona excelentes casos de inspiração.
Recentemente recebi um vídeo brilhante sobre a situação do estádio que possui naming rights da Levi's, mas teve diversas sinalizações da marca temporariamente cobertas para evitar caracterização de marketing de emboscada durante a competição.
A autora, de maneira didática e extremamente clara, apresentou três conceitos que ajudam muito mais a entender o fato do que qualquer teoria conspiratória.
  • O primeiro é a Gestalt, teoria da psicologia segundo a qual nossa mente não precisa receber todas as informações para reconhecer um padrão. Com base em experiências e memórias já armazenadas, conseguimos identificar objetos, marcas e símbolos mesmo quando aparecem parcialmente ocultos.
  • O segundo é o conceito de ativos distintivos de marca (distinctive brand assets). São elementos que permitem o reconhecimento imediato de uma marca mesmo quando seu nome ou logotipo não estão presentes. O swoosh da Nike e as três listras da Adidas são exemplos clássicos.
  • O terceiro é o chamado Efeito Streisand. O fenômeno ocorre quando uma tentativa de esconder uma informação acaba produzindo exatamente o efeito contrário: o aumento de sua visibilidade. O termo surgiu em 2003, quando a atriz Barbra Streisand tentou impedir a divulgação de uma fotografia aérea de sua residência. A ação judicial atraiu enorme atenção da mídia e fez com que milhões de pessoas passassem a ver justamente a imagem que antes quase ninguém conhecia.
E talvez esteja aí a principal reflexão.
Enquanto as teorias conspiratórias costumam oferecer respostas simples para fenômenos complexos, a inspiração nos convida a fazer algo mais difícil e mais valioso: compreender os mecanismos que realmente explicam o comportamento das pessoas, das marcas e dos mercados.




terça-feira, 16 de junho de 2026

Iguais em rosa

O colorido dos uniformes das seleções na Copa do Mundo ganhou a companhia de um item que, no passado, era marcado pela sobriedade: as chuteiras.
O que mais chama a atenção, porém, não é a explosão de cores em si, mas a coincidência das escolhas feitas pelas principais marcas esportivas. Adidas, Nike, Puma, Skechers e New Balance decidiram lançar suas principais coleções para o torneio tendo a cor rosa como o elemento em comum.
A situação chama atenção porque contraria um dos princípios mais básicos do marketing: a diferenciação. É ela que orienta o posicionamento das marcas, justifica investimentos em produtos e direciona decisões estratégicas. 
A escolha do rosa, evidentemente, não foi aleatória. Nos estádios, nas transmissões televisivas e, principalmente, nos vídeos curtos que dominam o consumo de conteúdo digital, uma chuteira dessa cor captura o olhar de forma quase instantânea. Numa sociedade em que atenção se tornou o ativo mais escasso, essa competência de gerar destaque tem expressivo valor. 
Naturalmente, cada empresa procurou construir sua própria narrativa. A Adidas apresentou a coleção “Road to Glory”, associando o produto à jornada rumo ao maior evento do futebol. A Nike lançou a campanha “Quebrar o Roteiro”, conectando inovação técnica e referências culturais.
As histórias são diferentes. As tecnologias podem variar. Mas, quando o jogo começa, é a semelhança que salta aos olhos.
Em marketing, existe um fenômeno chamado isomorfismo competitivo, que vem a ser a tendência de organizações de um mesmo setor convergirem para práticas, formatos e até escolhas estéticas semelhantes.
O mecanismo é relativamente simples. As empresas se apoiam em pesquisas de mercado, estudos de comportamento do consumidor e ferramentas de monitoramento de tendências. Diante dos mesmos dados e dos mesmos sinais de mercado, identificam as mesmas oportunidades. Neste caso, a potência visual do rosa.
Não surpreende, portanto, que cheguem às mesmas conclusões.
Mais do que uma coincidência estética, o fenômeno revela algo estrutural sobre o marketing. Se por um lado os recursos analíticos estão  cada vez mais sofisticados e disponíveis, por outro, estão também mais semelhantes. Quando todos observam os mesmos dados, aumenta a probabilidade de que todos encontrem as mesmas respostas.
O resultado é que o torcedor que acompanha uma partida da Copa do Mundo não vê uma única marca ousando apostar no rosa. Ele vê um gramado repleto de chuteiras rosas.
É exatamente o paradoxo que a teoria do posicionamento já antecipava: diferenciação só existe em relação a algo. Quando todos adotam o mesmo atributo diferenciador, ele simplesmente deixa de diferenciar.
Em marketing, a competição não se restringe às gôndolas, ou no caso, ao campo. Ela acontece na mente do consumidor.
A questão, portanto, vai além de se destacar visualmente durante a Copa do Mundo. É sobre construir uma razão genuína para ser escolhido num cenário em que todos entregam qualidade, todos investem em tecnologia e todos contam histórias inspiradoras. Quando tudo se equivale, o que decide a escolha raramente é racional.
Por isso, diferenciação não é ser diferente. É ser percebido como diferente e essa percepção se constrói muito antes do momento da compra. 


terça-feira, 9 de junho de 2026

Uniformes da Copa - 2026

O estudo produzido pela Jambo Sport Business sobre as marcas de material esportivo que vestirão as seleções participantes da Copa do Mundo de 2026 oferece uma leitura particularmente rica sob a ótica do marketing. Mais do que um retrato do momento atual, o material resgata a evolução dessas relações desde 1974, quando os uniformes passaram a exibir as logos dos fornecedores, permitindo uma análise consistente de como essas parcerias se desenvolveram ao longo do tempo.
Na Copa do Mundo, não são apenas as seleções que competem. Existe uma disputa paralela e altamente estratégica, travada pelas marcas de material esportivo. E, ao observar o comportamento dessas empresas ao longo das edições, um ponto se torna evidente: fornecer uniformes vai muito além de visibilidade. Trata-se de uma poderosa alavanca de posicionamento, distribuição e construção de valor de marca em escala global.
Olhando para o cenário atual, a edição de 2026 marca um novo patamar. Serão 48 seleções e 13 marcas fornecedoras, um recorde que reflete a expansão do torneio e, ao mesmo tempo, a maior fragmentação do mercado. Ainda assim, o protagonismo permanece concentrado. A Adidas segue como a marca mais presente, com forte capilaridade global e liderança em regiões estratégicas. A Nike aparece logo atrás, consolidada como principal concorrente, especialmente no futebol europeu. Já a Puma mantém sua relevância, com destaque para o continente africano, onde lidera em número de seleções patrocinadas.
Essa concentração não é aleatória. O estudo evidencia que o valor de um contrato não está apenas na quantidade de seleções atendidas, mas principalmente na qualidade desses ativos. Seleções com alcance global, histórico vencedor e forte apelo comercial são as mais disputadas e, consequentemente, as que entregam maior retorno em termos de marca. É esse fator que ajuda a explicar por que Adidas e Nike continuam dominando não apenas em presença, mas também em percepção.
Ao mesmo tempo, a natureza dessa disputa evoluiu. Se antes o jogo era majoritariamente sobre exposição, hoje ele é também sobre narrativa. A Nike, por exemplo, vem conectando o futebol à cultura e ao lifestyle, como no uso da Jordan Brand nos uniformes da seleção brasileira. Já a Adidas aposta no resgate de elementos históricos, como o Trefoil, ativando memória afetiva e ampliando o apelo de moda. Em outras palavras, não se trata mais apenas de vestir seleções, mas de ocupar territórios culturais.
Quando olhamos pelo retrovisor, o contraste é significativo e, em certa medida, curioso. Até 1970, nenhuma marca aparecia nos uniformes. Em 1974, os logos começam a surgir de forma mais consistente. E apenas em 2006 todas as seleções passaram a exibir seus fornecedores. Nesse intervalo, o mercado ainda pouco estruturado produziu situações hoje impensáveis: seleções campeãs sem marca visível, empresas fora do universo esportivo fornecendo uniformes e até jogadores recusando o design oficial.
Talvez o dado mais relevante, no entanto, seja a consistência. Ao longo de todo o período analisado, a Adidas construiu uma liderança sólida, mesmo após a entrada da Nike em 1998. Até hoje, a marca alemã segue como referência quando o tema é presença e tradição em Copas do Mundo.
Isso não significa estabilidade. Pelo contrário. O mercado se tornou mais competitivo, mais fragmentado e, sobretudo, mais estratégico. Movimentos recentes, como a troca de fornecedores por seleções historicamente associadas a determinadas marcas, reforçam que essa disputa está longe de se acomodar.
Para quem quiser se aprofundar, o estudo completo traz uma série de análises e insights adicionais que valem a leitura. Basta acessar pelo link: https://www.linkedin.com/posts/halfen_as-sele%C3%A7%C3%B5es-e-suas-marcas-esportivas-nas-activity-7457783735778856960-7skb?utm_source=share&utm_medium=member_desktop&rcm=ACoAAACD-eABK0DvJGc4PVDfwKxXTT_RQjZkKo4

terça-feira, 2 de junho de 2026

O preço de cair

O sistema de acesso e rebaixamento talvez seja o mecanismo mais fascinante, e contraditório, do futebol.
Ao mesmo tempo em que aumenta emoção, audiência e engajamento, também amplia drasticamente o risco financeiro, esportivo e de marca dos clubes.
Diante desse contexto, a Jambo Sport Business desenvolveu um estudo comparando os modelos das cinco principais ligas europeias - Premier League, Bundesliga, La Liga, Serie A e Ligue 1 - além do Campeonato Brasileiro, analisando 24 temporadas de acessos e rebaixamentos sob três perspectivas: esportiva, financeira e de marketing.
O recorte tem início em 2003 na temporada em que o Campeonato Brasileiro passou a adotar o sistema de pontos corridos.
Alguns pontos chamaram bastante atenção:
• O Brasileirão é a liga mais instável da amostra: apenas 6,5% dos clubes que disputaram a competição jamais foram rebaixados no período analisado. Na Premier League, esse índice chega a 15,9%. 
• A Serie A é a liga com o maior número de clubes participantes ao longo do período analisado, totalizando 49 equipes diferentes. Na direção oposta, a Bundesliga apresenta o menor grau de renovação, com apenas 38 clubes distintos disputando a competição.
• Clubes promovidos no Brasil permanecem menos tempo na elite: média de apenas 3,4 temporadas. Além disso, 36% caem já no primeiro ano.
• O futebol brasileiro também apresenta o maior efeito “ioiô”: mais da metade dos clubes rebaixados retorna em até duas temporadas.
• A concentração de receitas amplia o desequilíbrio competitivo. Em determinados anos, os quatro clubes mais ricos do Brasileirão faturaram mais de seis vezes o valor dos quatro rebaixados.
• O rebaixamento moderno deixou de ser apenas uma punição esportiva. Em muitos casos, significa perda abrupta de receita, relevância, exposição e valor de marca.
• Em ligas altamente globalizadas, cair de divisão pode transformar um ativo internacional em um ativo regional. O caso do Leicester City FC talvez seja o símbolo mais forte disso.
O estudo também mostra que o acesso e o rebaixamento são fundamentais para transformar campeonatos em narrativas contínuas. A luta pelo título, vagas continentais e permanência mantém torcedores, mídia e patrocinadores mobilizados até as últimas rodadas.
O desafio passa a ser outro: como preservar a meritocracia esportiva sem comprometer a sustentabilidade econômica?
Talvez a discussão não deva ser “acabar” com o sistema, mas sim aprimorá-lo através de mecanismos que reduzam volatilidade excessiva sem eliminar competitividade.
Porque, no futebol atual, cair de divisão já não significa apenas perder jogos. Significa perder atenção, relevância e valor.


terça-feira, 26 de maio de 2026

A Copa da atenção

A Copa do Mundo nem começou e já assistimos a uma disputa paralela entre as seleções: a batalha pela atenção, criatividade e, evidentemente, engajamento.
O que no passado se limitava a uma simples coletiva de imprensa para divulgar os convocados transformou-se em um produto midiático e comercial. 
Afinal, na economia da atenção, engajamento bem trabalhado costuma significar monetização.
As convocações para a Copa do Mundo FIFA 2026 deixaram isso bastante evidente.
O Brasil apostou na "premiumização" da marca, transformando a divulgação da lista em um megaevento no Rio de Janeiro, com shows, presença de ex-jogadores, centenas de jornalistas credenciados e distribuição multiplataforma. A estratégia parece clara: valorizar comercialmente a seleção e atrair patrocinadores ao reforçar que ela também funciona como uma plataforma global de mídia.
Outras seleções seguiram caminhos diferentes.
A República Tcheca apostou na humanização, utilizando familiares e crianças, para anunciar os jogadores. O objetivo foi aproximar emocionalmente a seleção da torcida e transformá-la em patrimônio afetivo coletivo.
Já Inglaterra e França caminharam pela linha do storytelling patriótico, usando vídeos cinematográficos, símbolos nacionais, músicas épicas e narrativas heroicas para reforçar orgulho nacional e pertencimento.
Também tivemos as seleções que seguiram pela lógica do entretenimento digital, fazendo  uso do humor, influenciadores, memes e linguagem TikTok para dialogar com públicos mais jovens e aumentar o consumo de conteúdo. A seleção da Nova Zelândia ilustra bem essa vertente - https://www.youtube.com/watch?v=axIVEmk6ATA
Há ainda o posicionamento cultural, muito presente em Senegal e Escócia. Nessa estratégia, artistas locais, sotaques, bairros, tradições e referências culturais deixam de ser mero detalhe e passam a ser a própria narrativa da seleção.
Evidentemente, algumas estratégias acabam se cruzando com outras, vide o caso da Escócia, que no material abriga também fortes traços de storytelling patriótico.
Sob a ótica do marketing, tudo isso é extremamente relevante, porque uma simples convocação passa a concentrar simultaneamente diferentes iniciativas mercadológicas: lançamento de produto, campanha institucional, ativação de patrocinadores, conteúdo digital e branding nacional.
Se houve efetivamente um estudo profundo de marketing por trás de todas essas iniciativas é difícil afirmar. Muito provavelmente, em grande parte dos casos, não.
Até porque a confusão entre marketing, comunicação e comercial não é exclusividade do mercado brasileiro, mas uma característica relativamente comum, especialmente no esporte.
Ainda assim, intencionalmente ou não, as seleções acabaram nos entregando um excelente material para refletirmos sobre posicionamento, construção de marca e economia da atenção.





terça-feira, 21 de abril de 2026

Equipamentos dos tenistas TOP 100 - 2026

Desde 2013, quando a Jambo Sport Business iniciou o monitoramento das marcas utilizadas pelos 100 primeiros colocados dos rankings ATP e WTA, o mercado de material esportivo passou por transformações profundas. 
O que começou como uma análise pontual tornou-se, a partir de 2015, um estudo anual importante para compreender a evolução das estratégias das marcas no circuito profissional.
Geograficamente, a hegemonia permanece inalterada, com os Estados Unidos sustentando a maior fatia de representantes em ambos os rankings e consolidando sua posição como o principal celeiro de tenistas para as marcas globais.
No segmento de raquetes, a Wilson ainda preserva a liderança com 28% de participação, embora tenha registrado uma retração de 4,0 pontos percentuais em comparação ao ano anterior. Logo atrás, a Yonex aparece com 26,5%, também em leve queda, enquanto a Babolat sinaliza um avanço estratégico ao atingir 19,5%. É interessante observar como a adoção das marcas varia drasticamente conforme o gênero: Wilson e Yonex possuem uma concentração muito maior no circuito feminino, enquanto a Head e a Babolat dominam o cenário masculino. No recorte do TOP 10, a Head assume o protagonismo com 30% de participação, superando a Wilson (25%) e a Yonex (20%), que dividia o topo anteriormente. 
A batalha pelo vestuário revela um mercado muito mais fragmentado, onde identificamos 47 marcas vestindo a elite do tênis, um universo no qual apenas dois atletas não ostentam patrocínios visíveis. A Adidas lidera com market share geral de 13,5%, superando a Nike, que detém 11,5%. Entretanto, a marca norte-americana manteve a liderança entre os TOP 10 com 25%, garantindo exposição máxima ao vestir ambos os líderes dos rankings mundiais. 
No setor de calçados, a competitividade também cresceu, com 21 marcas mapeadas. A Adidas lidera o volume geral com 19%, mas a Nike retoma a ponta no TOP 10 com 25%, seguida de perto por Adidas e Asics, ambas com 20%.
Os dados de 2026 confirmam a tendência observada no ciclo anterior, no qual a Adidas consolida-se como a marca mais relevante da modalidade em termos de volume e presença. A Nike, que por décadas deteve a hegemonia absoluta, parece ter migrado para uma estratégia de "qualidade sobre quantidade", focando seus recursos em um grupo seleto, ainda que essa dominância tenha sido diluída.
Essa transição sugere que, enquanto a Adidas busca o domínio do ecossistema, via exposição massiva, a marca norte-americana aposta no prestígio e no valor aspiracional dos ícones que ocupam o topo da pirâmide.




terça-feira, 14 de abril de 2026

As receitas dos clubes 2024-25


Com base no estudo da Jambo Sport Business, que utiliza dados do relatório Football Money League da Deloitte sobre os clubes que mais arrecadaram na temporada 2024-25 no mundo, listamos a seguir alguns destaques:
  • O somatório das receitas dos dez clubes de maior faturamento registrou crescimento de 10,5% em relação ao período anterior. Entre essas equipes, apenas o Manchester City apresentou retração de receita.
  • As receitas de matchday evoluíram 17,2% no agregado, refletindo a consolidação do retorno pleno do público aos estádios e a ampliação de políticas de hospitalidade e precificação, no entanto, ela ainda permanece significativamente inferior às demais. Esse comportamento é estruturalmente esperado, dado o limite físico de assentos nos estádios. Assim, o crescimento dessa linha depende majoritariamente de estratégias de precificação, as quais, por sua vez, encontram restrições associadas à elasticidade da demanda por ingressos. 
  • Em contrapartida, as receitas de broadcasting apresentaram retração de 2,8%. Vale destacar que esta é a segunda temporada consecutiva de recuo nessa fonte de receita, sinalizando possível estabilização ou ajuste nos ciclos de direitos de mídia.
  • Já as receitas comerciais cresceram 9,8%, impulsionadas por novos acordos de patrocínio, expansão de ativos digitais e estratégias de licenciamento. 
  • Por fim, é essencial destacar o crescimento expressivo da indústria do futebol nas últimas duas décadas. Em um intervalo de 18 anos, a receita agregada dos dez clubes de maior faturamento saltou de € 2.505,2 milhões para € 7.577,2 milhões, o que representa um avanço de 234,2%. Esse desempenho consolida o futebol não apenas como modalidade esportiva, mas como uma plataforma global de entretenimento, mídia e negócios. Para efeito de comparação, estima-se que o setor de energia tenha registrado crescimento acumulado entre 80% e 120% no mesmo horizonte temporal, enquanto o de bens de consumo apresentou expansão estimada entre 90% e 140%, impulsionada principalmente pelo crescimento populacional e pelo aumento da renda média em mercados emergentes. 
  • O Barcelona foi o clube que registrou o maior incremento absoluto de receitas entre os integrantes do TOP 20, com aumento de € 214,7 milhões. Em termos percentuais, apresentou o terceiro maior crescimento (28,2%), ficando atrás do Aston Villa (45,1%) e da Internazionale (37,3%).
  • O clube catalão também liderou a expansão percentual nas receitas de matchday, com crescimento expressivo de 103,9%. No sentido oposto, apenas dois clubes do grupo analisado apresentaram retração de faturamento: West Ham, com queda de € 46,2 milhões (-14,3%) e Manchester City, com redução de € 8,8 milhões (-1,1%).
  • O Real Madrid liderou o ranking de receitas pela 13ª vez, mantendo-se como o clube de maior faturamento do futebol mundial. A diferença em relação ao vice-líder, o Barcelona, foi de € 186 milhões, reforçando sua posição de destaque. O retorno do Barcelona à vice-liderança após dois anos pode ser associado ao desempenho esportivo na temporada, na qual conquistou a La Liga e alcançou as semifinais da Champions League. Em sentido oposto, o Manchester City, vice-líder nas duas temporadas anteriores, recuou para a 6ª posição, reflexo de sua performance - terceiro lugar na Premier League e eliminação precoce na Champions.
  • Merece atenção especial o movimento de retração do Manchester United. Desde o início da série histórica monitorada (2006-07), o clube jamais havia ficado fora do TOP 5, tendo liderado o ranking nas temporadas 2015-16 e 2016-17. Na edição atual, contudo, aparece apenas na 8ª posição.



terça-feira, 31 de março de 2026

Indignação seletiva

O lançamento dos novos uniformes da Seleção Brasileira despertou o que as redes sociais produzem de melhor e de pior: um ambiente fértil tanto para debates quanto para discursos inflamados de "supostas" sumidades em qualquer assunto, no caso, o marketing. 
A implicância com a assinatura "Vai Brasa" é, até certo ponto compreensível, mas, a meu ver, o erro da Nike foi o didatismo desnecessário. Ao tentar explicar o conceito em um vídeo com estética de agência de publicidade apresentando campanha para cliente, a marca acabou oferecendo munição aos críticos, transformando o detalhe em protagonista.
Muitos ignoram que frases em uniformes são algo recorrente. O Fluminense, por exemplo, já estampou expressões como "Amor igual não se viu", “Retumbante de Glórias”, “Recordar é Viver” e "Guerreiros desde 1902", entre outras. São trechos de hinos ou cânticos que, se fossem o mote principal do lançamento, talvez gerassem debates, mas ali cumpriram seu papel de detalhe. Particularmente, não me encantei com o "Vai Brasa", assim como não me agradou o "Manda Brasa" adotado pelo Comitê Olímpico do Brasil. Mas isso é, em essência, uma questão de gosto, de forma que o ruído gerado foi, pragmaticamente, desproporcional ao incômodo.
O debate, no entanto, ganhou outra dimensão quando a Nike substituiu o icônico Swoosh pelo Jumpman - logo da sua marca Jordan - na camisa número 2 da seleção brasileira, a azul. A presença da silhueta de um jogador de basquete no uniforme foi interpretada por alguns como um “atentado à identidade nacional”. Argumentou-se que a camisa eternizada por Pelé não poderia “homenagear” outro atleta, como se estampar a logo da marca do patrocinador fosse alguma forma de agraciamento e não de reforçar a identidade e o  brand equity. Fico imaginando qual seria a reação se o fornecedor fosse a Kappa, cujo logo já foi interpretado como algo de cunho relacionado à posição sexual.
O racional da Nike para a iniciativa é o mesmo aplicado ao Paris Saint Germain (com a Jordan Brand) e agora ao Barcelona, que estampa o "Kobe Sheath" (de Kobe Bryant) em sua segunda camisa. Alguém viu catalães indignados, mesmo tendo em Paul Gasol, expoente da NBA, como um dos seus maiores ídolos? O objetivo da marca norte-americana é claro: conectar o futebol à cultura urbana e dialogar com um público mais jovem, ampliando o brand equity para uma categoria que hoje consome muito mais do que apenas os 90 minutos de jogo.
Vale lembrar, inclusive, que a seleção japonesa de futebol nos Jogos Olímpicos de 2024 utilizou a marca Y-3, uma submarca da Adidas, sem que isso provocasse grande controvérsia.
São estratégias ousadas? Sem dúvida. Corretas? Só o tempo dirá. 
Mas é descabido que a opinião pública pretenda ditar o planejamento de uma empresa privada que investe cifras milionárias em patrocínios. 
O consumidor tem todo o direito de não gostar e, soberanamente, de não comprar. O que se viu, porém, foi um desvio de racionalidade, muitas vezes guiado mais pela busca por engajamento - e/ou votos - do que por análises bem estruturadas e embasadas.
Curiosamente, esses mesmos "gurus" raramente se indignam e se manifestam contra a pirataria de camisas de clubes e seleções - quem sabe até não as comprem -, um crime que corrói o valor da indústria e prejudica a nação que tanto defendem. 
Não deixa de ser irônico que, para alguns, um logo cause mais incômodo do que a própria informalidade que sustenta o mercado paralelo.





terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Você conhece a Anta?


Peço licença para interromper a sequência de artigos sobre patrocinadores másters para abordar um tema que, certamente, surpreenderá muita gente. 
Para começar, uma pergunta direta: Você conhece a Anta?
Provavelmente, se trocássemos o artigo definido pelo indefinido, o número de respostas positivas seria maior - mas não é esse o ponto aqui. Refiro-me à Anta, a gigante chinesa de material esportivo que, sob diversos critérios, já ocupa o posto de terceira maior do mundo no setor, atrás apenas de Nike e Adidas.
A história da empresa remete a 1986, na província de Fujian, quando Ding Shizhong, munido de um empréstimo de 10 mil yuans, fundou sua própria fábrica. Inicialmente focada na produção para marcas internacionais - o modelo tradicional asiático -, a empresa tomou uma decisão em 1991: criar sua própria marca. A Anta prosperou no mercado doméstico até a virada do século, quando os gigantes globais invadiram a China com marketing agressivo, forçando os players locais a uma reinvenção urgente.
Em vez de dedicar esforços apenas na construção de sua marca principal, a Anta optou por uma estratégia de aquisições e diversificação de portfólio. A compra da operação da Fila na China foi o primeiro grande passo. Desde então, o grupo expandiu de forma consistente, reunindo em seu ecossistema nomes como Salomon, Wilson e Descente.
No entanto, essa expansão gerou um paradoxo: enquanto as marcas adquiridas ocupavam o segmento mais premium, a marca Anta permanecia associada ao público de menor poder aquisitivo. Para corrigir esse posicionamento, a empresa investiu pesadamente em P&D - Pesquisa & Desenvolvimento - e no patrocínio estratégico do Comitê Olímpico Chinês, elevando seu padrão tecnológico e consolidando sua credibilidade na alta performance.
Hoje, o grupo opera sob a “dual brand strategy”:
  • Anta: Focada em alto volume e preços competitivos.
  • Portfólio Global: Marcas posicionadas no segmento de alta performance e luxo esportivo.
Essa engrenagem é sustentada por uma cadeia produtiva verticalizada e uma presença massiva: são mais de 9.000 lojas próprias na China, além de 2.000 unidades da Fila, gerando uma escala que dita as condições de mercado na Ásia.
Se muitos já classificavam a Anta como a marca chinesa mais global da indústria, o cenário mudou de patamar semana passada. A confirmação da aquisição da Puma pelo grupo Anta encerra meses de especulações e promete abalar significativamente o mercado esportivo mundial.
Ao incorporar uma marca com a história, o lifestyle e o alcance global da Puma, a Anta não apenas amplia seu portfólio premium, mas adquire uma plataforma de distribuição e influência ocidental que a coloca em boas condições para buscar a liderança de mercado fora da Ásia.
A Anta, assim, deixa de ser uma "opção chinesa" para se tornar uma gestora de marcas globais com fôlego financeiro e operacional.
Trata-se, sem dúvida, de um mercado que merece atenção - especialmente por quem atua em marketing ou na indústria do esporte.





terça-feira, 28 de outubro de 2025

Terceiro lugar

Antes que o título possa de alguma forma remeter a conquistas esportivas, adianto que o texto aborda um conceito de marketing que tem sido bastante adotado no varejo. 
A origem da nomenclatura visa “hierarquizar” o varejo no terceiro lugar como ambiente social, onde as pessoas podem se reunir e interagir. A casa é considerada o primeiro lugar, seguida pelo trabalho.
O racional do conceito sugere que o estabelecimento varejista precisa oferecer atrações aos que lá frequentam, de modo a atrair públicos com interesses similares e assim propiciar uma sensação de pertencimento aos que participam dessas “atrações”.
A título de exemplos da iniciativa, podemos citar a Apple através do Today at Apple, no qual as lojas dedicam espaço para aprendizado, e a Lululemon, que oferece aulas de yoga em suas instalações. Obviamente, todas essas atividades proporcionam a possibilidade de interação entre as pessoas.
No segmento esportivo, temos a Bandit Running que, além de comercializar produtos para a modalidade, organiza treinos e reúne praticantes. No ciclismo, A Rapha, marca inglesa especializada em ciclismo faz algo similar.
No Brasil, o varejo ainda está bem atrasado no que tange ao conceito, fato que tem entre as causas, o perfil do nosso consumidor que privilegia o preço à experiência. Essa característica acaba fazendo com que os varejistas não invistam no conceito para não terem que repassar os custos para o preço dos produtos. A argumentação de que “boas experiências” atraem mais público é correta, a dúvida que paira diz respeito ao tempo necessário para a conversão dos frequentadores em consumidores. Deve também ser acrescentado que a concentração no varejo brasileiro deixa as marcas, digamos, mais acomodadas do que em países em que haja maior competição pelo mercado.
Apesar dessas dificuldades conjunturais do país, o conceito do “terceiro lugar” não deveria ser ignorado, visto a crescente necessidade de as pessoas buscarem conviver e pertencer a todo momento. Ilustra esse quadro, a proliferação das assessorias esportivas, grupos que treinam principalmente corrida e ciclismo sob a supervisão de treinadores. 
Nessas, vemos amizades e casais serem formados, fotos das atividades registradas e até a realização de treinamentos propriamente ditos, ainda que, aparentemente, esse não seja o objetivo principal.
Vale relatar que as assessorias esportivas, muitas sem essa denominação, começaram a surgir no final da década de 80, só que na época, a relação de motivação era inversa da atual - ou seja, treinar era o objetivo precípuo – e o número de praticantes menor.
É muito bom acompanhar esse movimento e constatar que mais pessoas estão praticando atividades físicas, além de poder ver as assessorias adotando o conceito do “terceiro lugar”, mesmo que nunca tenham lido artigos ou livros do sociólogo Ray Oldenburg, talvez a maior autoridade sobre o tema.
Por outro lado, a massificação também preocupa, já que aumenta o risco de o esporte ser desvirtuado tamanha a incidência de treinadores e “alunos” que não dignificam os valores do esporte. 
A prática de atividades não condizentes com os melhores hábitos de saudabilidade e discursos que preconizam métodos de treinamento claramente enganosos são ofensores do esporte.
Jamais podemos ignorar que o treinador é, antes de tudo, um profissional de educação e, como tal, precisa colocar os princípios nobres do esporte à frente dos interesses financeiros e do egocentrismo.




terça-feira, 16 de setembro de 2025

Marcas esportivas no futebol - 2025-2026

 
Realizado pelo 12º ano consecutivo, o estudo produzido pela Jambo Sport Business acerca das marcas esportivas que fornecem para os times das 20 principais ligas do mundo nos mostra que a liderança conquistada pela Adidas na temporada 2022-23, quando desbancou a Nike, vem sendo ampliada.
Ao todo foram analisados 382 times – dois a mais do que na temporada anterior – e setenta e quatro marcas, agrupando todas as marcas próprias em uma. Vale notar que quatro times estão sem fornecedor de material esportivo e cinquenta e um vestem uniformes de fornecedores diferentes dos que usaram na temporada passada, aqui considerando os que estiveram presentes na anterior e atual.
A marca alemã aparece com 32 times a mais do que a norte-americana. Em 2022-23 a diferença era de apenas um time, em 2023-24 subiu para nove e na temporada passada chegou a dezesseis, valendo ressaltar que a maior diferença imposta pela Nike, quando líder, foi de 19 times em 2019-20.
Tais números parecem indicar que a Adidas voltou a acreditar fortemente no futebol como plataforma de marketing ao vestir 87 times da amostra. 
Além da expressiva quantidade, a qualidade também se faz presente em sua estratégia, fato que pode ser constatado tanto na análise referente à participação entre os 30 clubes que mais arrecadam como também entre os que jogam as cinco ligas mais valiosas, onde também lidera. A conquista de clubes como Liverpool, Sevilla, Eintracht Frankfurt, Fenerbahçe e América do México corroboram para essa afirmação.
A propósito, até no que tange às seleções, a marca das três listras assumiu a primeira posição.
A Nike, agora com 55 times, permaneceu na 2ª colocação, mesmo tendo ficado com cinco times a menos do que em 2024-25. No 3º lugar, vem a Puma se consolidando na posição que ocupa desde 2017-18 e diminuindo sua diferença para a marca norte-americana. 
As três primeiras somadas atingiram 47,9% de participação, um índice de concentração considerável, mas abaixo do alcançado em 2013-14, que foi de 54%.
Completam a relação das TOP 10, na verdade TOP 11, já que há um empate na 10ª colocação: Macron, Kappa empatada com a Umbro, Joma, Hummel, New Balance, Castore e Robbey.
No Brasil, a liderança também pertence à Adidas, empatada com a Umbro, porém, deve ser destacada a queda no número de marcas próprias, apenas duas, sendo que na temporada passada eram três e na retrasada quatro. 
O declínio detectado ganha traços de tendência ao olharmos para a série B, que em 2023 tinha sete times vestindo marca própria, quantidade que caiu para cinco em 2024 e quatro na atual.
Esse movimento, caso se confirme, não significa que as marcas globais voltaram a aportar verba indistintamente nesse formato de patrocínio.  Na verdade, mais parece fruto de uma eventual decepção dos clubes com o modelo de marca própria, atrelado aos projetos das marcas regionais visando esse mercado.
Entre tantas outras informações interessantes do estudo,  finalizamos o artigo citando duas: 
i - no campeonato mexicano, o Pachuca trocou a Charly pela Skechers, marca norte-americana que sempre aparece entre as maiores do setor, mas, até então, pouco ativa no futebol;
ii - no campeonato belga, o Sporting Charleroi passou a ter como fornecedora a Decathlon, gigante francesa do varejo esportivo. Tal iniciativa mostra a importância da ação de patrocínio para os objetivos de branding das marcas, reforça essa conclusão o fato de que anteriormente o time vestia uniformes da Kipsta, que vem a ser a marca da categoria futebol da Decathlon, ou seja, diante da identificação dos benefícios de marketing proporcionado pela modalidade, os franceses optaram por colocar a marca guarda-chuva como destaque e assim fortalecer o institucional. 










terça-feira, 13 de maio de 2025

Marcas e suas estratégias - Atletismo Paris

Assim como foi feito em relação aos Jogos Olímpicos de Londres, do Rio de Janeiro e de Tokyo, apresentamos a seguir uma análise baseada no estudo produzido pela Jambo Sport Business sobre as marcas esportivas que vestiram os 200 países participantes das competições de atletismo nos Jogos de Paris 2024.
A quantidade de equipes, considerando que o time de refugiados seja uma delas, subiu de 197 para 200. O número de atletas caiu de 2.179 para 2.018, já a quantidade de marcas aumentou de 32 para 37, sendo que 25 equipes não apresentaram fornecedores de material esportivo, as quais abrigaram 77 atletas. 
A Nike se manteve como a marca mais presente, enquanto a Puma assumiu a vice-liderança, ambas tanto em equipes como em atletas.
Das 37 marcas que apareceram nos uniformes das 200 equipes que disputaram o atletismo em 2024, dez subiram pelo menos uma vez ao pódio, sendo que representantes de times sem “patrocínio” também conquistaram medalhas. 
Vale lembrar que doze marcas tiveram atletas ganhando medalhas em Tokyo e treze no Rio. Tais números podem indicar que poucas marcas possuem capacidade para investir nas equipes com mais chances de medalhas, visto que, provavelmente, requerem mais verbas.
A Nike foi a marca com mais medalhas de ouro, quatro a mais do que em 2020, além disso, lidera em quantidade de prata e de bronze. A Puma permaneceu como a 2ª marca em conquistas de ouro e a Adidas ficou em 3ª desbancando a Asics que ficou na 4ª posição. No computo geral de medalhas, as três principais marcas são Nike, Puma e Adidas, sendo que dessas só a marca das três tiras cresceu em relação à edição anterior.
A análise não considerou os investimentos financeiros por parte das marcas de material esportivo, já que eles não costumam ser revelados, todavia, acredita-se que grande parte das equipes obteve apenas o fornecimento do material específico.
Em relação aos Jogos do ciclo anterior, houve 109 alterações de marcas nos uniformes das equipes. No comparativo Tokyo em relação ao Rio tinham sido 120. Nessas incluem-se também as equipes que não tinham fornecedor e passaram a ter, e vice-versa, além das trocas propriamente ditas entre fornecedores. 
As principais mudanças ocorreram nas seguintes equipes: França (de Asics para Adidas), Itália (de Asics para Joma), Brasil (de Nike para Puma), Nigéria (de Afa Sports para Acitively Black), Rep. Tcheca (de Nike para Joma), India (estava sem fornecedor em Tokyo e competiu com JSW em Paris) e Ucrânia (de Asics para Puma). As demais mudanças foram em equipes com menos de 20 atletas. 
As marcas que mais conquistaram times foram: Adidas e Puma (14 cada), Nike (11), Joma (9), Asics (8), Mizuno (7) e New Balance (6). Onze equipes que tinham fornecedor ficaram sem nenhum. Já as que mais perderam foram: Nike (24), Adidas (15), Mizuno (12) e Asics (9). Dezesseis times que não tinham fornecedor em 2020 passaram a ter em 2024.
Sem entrar no mérito do investimento financeiro, o estudo, que será publicado em 14 de maio no LinkedIn, sugere também, com relativo grau de assertividade, quais foram as estratégias das principais marcas esportivas.




terça-feira, 6 de maio de 2025

A cor da nação



Entre os temas que tomaram conta do noticiário da semana passada, um particularmente provocou enorme engajamento: a suposta cor da nova camisa da seleção brasileira. 
A Nike é comunista! O presidente Lula pressionou a empresa norte-americana! Vermelho não faz parte das cores da nossa bandeira!
De todas as três afirmações, a única que é verdadeira diz respeito às cores da bandeira. 
Porém, não custa lembrar, entre outros fatos, que a seleção italiana e a japonesa usam camisas azuis, a holandesa veste laranja e que a própria seleção brasileira já teve recentemente uma na cor preta. A relação de uniformes com cores divergentes é maior, principalmente com o advento das terceiras camisas, mas para não me estender muito, finalizo com a informação de que a utilização de camisa vermelha por parte da nossa seleção não seria inédita, tendo ocorrido em 1917 e 1936. 
Faz-se, no entanto, imperioso esclarecer que não se tratava de um uniforme oficial, e sim uma improvisação em função de os adversários estarem com camisas nas mesmas cores da brasileira. Todavia, se formos considerar o uniforme de goleiro, veremos que nossa seleção teve o vermelho em 2011 e 2014 de forma oficial.
Cumpre lembrar que vários clubes tiveram camisas em cores diferentes da sua bandeira. A “laranja” do Fluminense é um ótimo exemplo, pois, apesar do sucesso comercial, foi muito criticada pelos “tradicionalistas”. Faz parte!
Geralmente, os clubes e seus fornecedores de material esportivo lançam uma coleção por temporada, a qual, além de contemplar uma considerável gama de peças com variadas cores e modelos para treinos e viagens, vem com três camisas de jogo: a home - utilizada nas partidas em que se tem o mando de campo – a away para os jogos na casa do adversário e a terceira camisa, que não costuma ter a mesma frequência de uso das demais.
Particularmente, gosto da ideia da utilização de outras cores no terceiro uniforme, só faço a ressalva quanto aos cuidados para que o modelo não traga matizes que remetam a rivais tradicionais.
Esclarecimentos feitos e opinião dada, podemos focar no vermelho.
Historicamente, é fato que a cor esteve/está associada à esquerda, contudo, imputar ideologia às cores não me parece razoável. Seria a Coca-Cola de esquerda? E o iFood? Quem sabe o Santander? 
Se formos enveredar para esse tipo de associação, há o risco de aparecer gente questionando se a camisa preta da seleção – modelo 23/24 – tinha relação com o fascismo, visto a utilização de camisas dessa cor por parte dos apoiadores de Mussolini, os camisas negras (camicie nere). 
Pelo prisma de marketing, acho errado ter uma camisa com as cores diferentes das que constam na bandeira como a número 1 (home) ou 2 (away), exceto nos casos onde a tradição já tenha consolidada a tal cor, como é o caso, por exemplo, da Azurra italiana. Por outro lado, reitero que gosto da possibilidade de outras cores para o terceiro uniforme, desde que se respeite as restrições estatutárias e estéticas - aqui a subjetividade se faz presente, admito.
Sobre branding, consta que a camisa que gerou a discussão deve vir sob a marca Jordan, a qual pertence à Nike e está presente em um dos uniformes do Paris St. Germain. Trata-se, caso efetivamente aconteça, de uma estratégia que visa modernizar a imagem da seleção e atrair um público mais jovem e conectado à cultura urbana, de forma a aumentar o alcance da equipe para fora do universo do futebol, colocando-a como um ícone de lifestyle.
A propósito, essa estratégia, que podemos chamar de “colaboração”, já aconteceu no Real Madrid com adidas e Y-3 e no Arsenal com a mesma adidas e a 424.
Voltando ao tema que originou a polêmica, as informações mais acuradas dão conta que a cor da camisa seria uma espécie de magenta, e não vermelha, a confirmar. Entretanto, o ponto que, no meu modo de ver, deveria ser debatido se refere à utilização de símbolos do esporte na política. Nessa linha de raciocínio, considero que o uso da camisa amarela da seleção deveria ficar restrita às manifestações do esporte, assim como a vermelha, caso ela realmente viesse a existir. 
Afinal, os princípios e valores do esporte são definitivamente diferentes dos da política e, dessa forma, deveriam ser preservados. 
Acorda nação!
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terça-feira, 29 de abril de 2025

Troca de CEOs

A transferência de um jogador ou de um treinador para times rivais costuma despertar sensações e reações bastante passionais. O fato de se tratar de uma atividade profissional é esquecida e julgamentos sobre aspectos pessoais passam a habitar as manifestações dos torcedores do time “rejeitado’, enquanto que os do time que o receberá ficam divididos entre a desconfiança e a perspectiva de bom desempenho.
Natural!
E qual será a reação quando isso acontece com um gestor como o CEO, por exemplo?
Bom, até pelo fato de o gestor não ficar em muita evidência, tampouco ter seus feitos avaliados sob a emoção das vitórias e derrotas, não creio que desperte maiores arroubos.
Agora mesmo, no início de abril, foi anunciado que o novo CEO do Tottenham será Vinai Venkatesham que, apesar de possuir um belo currículo em gestão esportiva, era mais conhecido por ter sido CEO do arqui-rival Arsenal. Essa rivalidade até mereceria um espaço maior no artigo, visto envolver questões territoriais, posicionamentos na 2ª guerra e, não menos impactante, a transferência de dois jogadores: Emmanuel Adebayor, fazendo o mesmo caminho de Vinal e Sol Campbell, o inverso.
No Brasil, talvez até pelo fato de o cargo ser recente no futebol, há alguns casos similares.
Já no mundo corporativo, ainda que muitos contratos contemplem cláusulas de "nom compete" - (não trabalhar no competidor imediatamente quando sai), há inúmeras mudanças para a concorrência, fato que pode ser explicado pela maior familiaridade do executivo com o setor, o que demanda uma curva de aprendizado menor. Somado a isso, a base de clientes e relacionamentos adquirida torna-se um ativo de extrema valia, isso sem entrar no mérito da inteligência competitiva, pois, por mais ético que se queira ser, é impossível não se utilizar de informações do antigo empregador.
Claro que nem tudo são flores, a possibilidade de um choque cultural existe, o que pode dificultar a adaptação. Dúvidas sobre a lealdade do novo CEO também acontecem, tal qual a relativa ao jogador rival que vem para o seu time.
Embora muitos citem problemas concernentes à resistência interna pelo fato de a empresa não aproveitar algum executivo “da casa”, penso que isso aconteceria, independentemente de o novo CEO vir da concorrência ou não. Concordo, no entanto, que a questão salarial pode interferir nesse contexto, pois, muito provavelmente, o salário para atrair um executivo do “competidor” costuma ser mais alto. Na lista de riscos, valem também ser incluídos os relativos à imagem, já que a busca externa pode vir a denotar alguma fragilidade na formação de talentos.
A propósito, na mesma época do anúncio a respeito da contratação do CEO do Tottenham, a Puma comunicou o nome do seu novo CEO: Arthur Hoeld, ex-diretor de vendas da rival adidas. Cumpre relatar que dois anos antes, em 2023, a adidas contratou para essa posição Bjorn Gulden, que ocupava o mesmo cargo na Puma.







terça-feira, 1 de abril de 2025

Equipamentos dos tenistas TOP 100 - 2025


Nesse artigo destacamos os principais pontos contidos na versão 2025 do estudo elaborado pela Jambo Sport Business acerca dos equipamentos dos tenistas TOP 100 nos rankings da ATP (masculino) e WTA (feminino), o qual pode ser acessado através do link https://www.linkedin.com/posts/halfen_equipamentos-dos-tenistas-top-100-atp-activity-7312383313367777283-6X0o?utm_source=share&utm_medium=member_desktop&rcm=ACoAAACD-eABK0DvJGc4PVDfwKxXTT_RQjZkKo4

🅾 Dos tenistas que fizeram parte da amostra em 2024, cento e quarenta e um estão presentes nos rankings que embasam o estudo – setenta e um no masculino e setenta no feminino.
 🅾  Encontramos no estudo quarenta e uma nações com representantes em pelo menos um dos rankings. São vinte e sete no ranking da ATP, trinta e sete no da WTA e vinte e três em ambas as relações. 
 🅾  Somando o ranking da WTA com o da ATP, temos que os cinco países com mais tenistas são: EUA – 28, Rússia – 17 Itália – 14, França e Austrália – 12 cada.
 🅾  Os EUA voltaram a ser a nação com mais representantes na WTA, posição que na edição anterior tinha perdido para a Rússia. Já no ranking da ATP perderam a liderança isolada ao dividirem com a Itália essa posição no estudo atual.
🅾  A propósito, Estados Unidos e Rússia são os únicos países com representantes entre os TOP 10 nos dois rankings.
🅾  As raquetes Yonex continuam em seu processo de crescimento, estando agora apenas a 2,5 pontos percentuais de participação em relação a Wilson (32%).
🅾  Considerando apenas os TOP 10, a Head e a Yonex com 30% cada dividem a liderança que ano passado pertencia à Wilson, que agora aparece com 20%.
🅾  Analisando os dois rankings, encontramos quarenta e cinco marcas vestindo 195 tenistas. São trinta e cinco marcas no masculino, vinte e sete no feminino e dezessete presentes em ambos, enquanto cinco não ostentam nenhuma marca.
🅾  A Adidas, que na temporada passada tinha se tornado a marca de uniforme mais utilizada pelos tenistas da ATP desbancando a Nike, em 2025 ultrapassou a marca norte-americana no somatório dos dois rankings.
🅾  Em relação aos calçados, encontramos dezenove marcas usadas pelos jogadores dos dois rankings – mesma quantidade de 2024. São dezesseis no feminino, dezessete no masculino e quatorze em ambos, sendo que a Adidas passou a ser a mais usada nos dois rankings, tomando a liderança que em 2024 era da Nike no feminino e da Asics no masculino. Entre os TOP 10 a liderança se manteve com a Nike.
🅾  Os números da marca alemã nos permitem inferir que ela passou a dedicar mais atenção ao patrocínio de jogadores dessa modalidade.
🅾  Já a Nike voltou seu foco à qualidade dos jogadores, pois, apesar de não ser a mais utilizada no somatório dos TOP 100, aparece liderando entre os TOP 10 tanto em uniformes como em calçados.