terça-feira, 9 de agosto de 2011

A sensualidade e o marketing

Muitas empresas adotam a beleza e a sexualidade feminina como forma de atrair a atenção do público e da mídia.

Linguagens sedutoras, atitudes sensuais e estímulos visuais são componentes bastante assíduos em campanhas publicitárias. 
Os apelos de sedução procuram reforçar a imagem do produto associando-o ao charme, prazer e poder para dessa forma incentivar o consumo. 

Nada contra essa linha de ação, até porque, a satisfação das necessidades fisiológicas – o sexo é uma delas - , é uma das componentes da pirâmide de necessidades preconizada por Maslow, a qual norteia muitos gestores de marketing. 
Entretanto, há que se ter cuidado para esse tipo de ação não extrapolar os limites do ético e não se tornar apelativa. 
Houve um período em que todas as marcas de cerveja incluíam mulheres de biquíni em sua comunicação, até o ponto em que já nem se sabia mais qual a marca do produto anunciado, tamanha a similaridade da campanha. 

Esse mesmo cuidado deve ser estendido ao esporte, sendo que a razão que motivou esse artigo foi o lançamento da LBL (Lingerie Basketball League), uma liga recém criada nos EUA, da qual fazem parte 4 equipes de Los Angeles – Beautis, Dicas, Glam e Starlets-, cujas jogadoras atuam obrigatoriamente de lingerie. 
As regras sofrem pequenas alterações, mas nada que descaracterize significantemente o esporte pelo prisma técnico. 
O argumento que motivou a criação dessa “liga” se baseou no fato de o americano adorar o basquete (não à toa a NBA adotou como slogan o “ I love this game”) e adorar mulheres bonitas. 
Ou seja, uma aposta na convergência de interesses, o que, sem dúvida, não carece de incoerência, mesmo indo contra o pensamento de um dos maiores gurus de marketing, Al Ries, que preconiza que os produtos vencedores surgem da divergência*, pois dessa forma possibilita a criação de uma nova categoria de produtos. 
*Para quem tiver interesse nesse tema, sugiro a leitura do livro “A origem das Marcas”. 

Entretanto, a meu ver, o principal problema da inclusão exagerada da sensualidade no esporte é descaracterizá-lo como tal e propiciar que os aspectos ligados à beleza e sedução do corpo feminino sejam priorizados em detrimento dos princípios básicos do esporte. 
Vale ainda relatar que nos EUA já existe a Lingerie Football League, criada em 2009 com 12 equipes disputando a temporada 2011-2012 e que foi anunciado o lançamento da Bikini Basketball League
Mesmo que as partidas não tenham um razoável nível técnico, devem certamente atrair o interesse do público masculino, mas insisto, o esporte deve sempre ser o motivador das audiências quando se trata de competições esportivas.

Claro que ter atletas bonitas com roupas que valorizem o corpo esculpido pelos treinamentos de suas modalidades esportivas contribuem para que uma competição de alto nível fique ainda mais interessante, porém, o que deve levar a decisão de se acompanhar ou não alguma modalidade esportiva é o esporte em si e todos os componentes que fazem parte de sua essência. Afinal, "apelação" e desonestidades sempre serão mal vistas, tanto no mundo dos esportes como no marketing.

Um comentário:

  1. Oi, Idel Halfen! Interessante seu artigo.Penso que o mesmo acontece com o gênero masculino, tvz de maneira menos agressiva e mais restrita. A sensualidade masculina vem sendo cada vez mais explorada e ganhando espaço na mídia. No esporte não é diferente. O público feminino que acompanha alguns esportes como futebol e voleibol, por exemplo, busca um prazer que vai além daquele provocado pelas vitórias e emoções próprias das modalidades e extrapolam o espaço das arenas de jogo. Muitos atletas emprestam suas belas figuras em campanhas de perfumes, roupas e peças íntimas.O prazer estético e a sexualidade masculina são também fatores atrativos nesse mercado.
    Nira Lima

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