terça-feira, 17 de maio de 2016

O desafio de ser estratégico


Como já deixei explícito algumas vezes, a grande motivação para eu começar a escrever de forma frequente foi a possibilidade de unir duas das minhas paixões: gestão e esporte, atividades que, se corretamente analisadas, têm um forte grau de sinergia.
Muitas das características fundamentais ao bom desempenho esportivo podem – e devem  ser aplicadas na vida corporativa, sendo a recíproca absolutamente verdadeira.
Tal convicção não tem como referência nenhuma modalidade ou ramo de atividade específico, entretanto, existe um esporte que a meu ver é o mais completo em termos de conceitos e valores dignos de serem copiados pelas organizações e até em nossa vida pessoal: o futebol americano.

Acredito que esse esporte seja o que mais requeira e se utilize de uma visão estratégica, pois envolve a organização da equipe, a identificação dos pontos fortes, fracos, ameaças e oportunidades - tanto os próprios como os dos adversários -, além de minuciosos estudos para a definição do posicionamento e detalhada atenção ao ambiente e prazo. Cada jogador tem metas e funções estabelecidas pela comissão técnica, que por sua vez coordena sua equipe de forma que a estratégia traçada seja seguida ou alterada de acordo com o desenrolar da partida e competição. 
A complexidade do jogo pode ser atestada pelo fato de cada jogador receber uma espécie de cartilha com centenas de jogadas e funções a serem exercidas, as quais devem ser exaustivamente treinadas e estudadas.
Assistir as transmissões desses jogos, assim como as análises das jogadas por parte dos comentaristas ajudam a entender o quão estratégico é o esporte. 

Antes de prosseguir com o futebol americano, abro um parêntesis para destacar a pouca importância que empresas e pessoas têm dado ao aspecto estratégico na condução de seus negócios e vida, respectivamente. A busca pela satisfação e resultados imediatos está criando uma sociedade que age hoje como se não houvesse amanhã, e que não consegue ouvir, tampouco acreditar que planejar, traçar cenários baseados em estudos e análises é primordial para o sucesso, além de evitar escolhas malfeitas.

Voltando ao futebol americano, destaco a necessidade do trabalho em equipe, onde a atuação de cada um, na maioria das vezes sem ter a posse da bola, é decisiva. Acrescento, ainda nessa linha, a diversidade de biótipos entre os jogadores, o que torna o esporte bem “democrático”, já que para cada uma das diversas funções se exigem valências diferenciadas e consequentemente tipos e condicionamentos físicos distintos.
Como terceira e última característica que elenco entre as principais, está o comprometimento dos envolvidos, o qual embasa a visão estratégica e o trabalho em equipe.

Os três conceitos que foram enumerados, evidentemente, não se restringem ao jogo, sendo também aplicados na gestão do esporte, ou do entretenimento - como queiram - e fazem com que a modalidade seja a mais popular nos EUA com números impressionantes, principalmente quando falamos do Super Bowl, assistido por cerca de 150 milhões de pessoas em 230 países, data que é  a 2ª do país em termos de consumo de alimentos, perdendo apenas para o dia de Ação de Graças.


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