terça-feira, 27 de março de 2012

O desafio de ser diferente

A busca pela melhor performance está presente em todos os ramos de atividades. 
Na esfera corporativa, softwares são constantemente aprimorados, processos desenvolvidos, sem falar na maior atenção aos aspectos ergonômicos que propiciam maior conforto aos colaboradores. 

No esporte acontece o mesmo processo, porém o desempenho é mais visível aos olhos da população, visto que faturamento, lucratividade, custos e participação de mercado carecem de elaborados relatórios e, na maioria das vezes, ficam restritos a um pequeno universo, enquanto recordes, medalhas e títulos são fáceis de serem apurados e têm divulgação abrangente. 
Diante dessa particularidade, as empresas de produtos esportivos investem fortemente em pesquisa e desenvolvimento para melhorar a performance dos atletas. 
A lista de categoria de produtos é enorme, abrange alimentação, hidratação, métodos de treinamento, avaliação e, principalmente, equipamentos que ofereçam conforto e diminuição dos arrastos aerodinâmicos. 
Nessa linha, os maios de natação talvez sejam os produtos mais conhecidos e também mais polêmicos, pois sua utilização resultou numa quantidade de quebras de recordes assustadora, a qual culminou na restrição de seu uso. 
No atletismo, outro esporte intimamente associado à busca de recordes, as iniciativas eram basicamente ligadas a calçados, porém recentemente a Nike lançou um uniforme – Pro TurboSpeed - que promete um resultado 23 centésimos mais rápido numa distância de 100 m. 
O produto testado em túneis de vento tem como característica principal, o fato de ser feito de poliéster e com 82% de material reciclado de garrafas plásticas. 
Sua textura reproduz a superfície de uma bola de golfe. 

Pelo ponto de vista de marketing, o que mais chama a atenção nessa inciativa é que tais trajes, ao contrário do que ocorriam com os maios de natação, não serão colocados à venda. 
Num primeiro momento essa decisão pode até parecer equivocada, já que a principal fonte de receitas dessas empresas é o consumo por parte do público em geral, sejam praticantes de esportes de participação, iniciação ou até de pessoas com foco em moda. 
É certo ainda, que a prática de corridas em pistas por atletas que não sejam de alto rendimento é algo bastante raro, mas não creio que seja essa a razão principal da não comercialização dessa “pele” criada pela Nike, que disponibilizará gratuitamente tal produto, mediante a solicitação, para todo atleta que disputar os jogos olímpicos de Londres, independentemente de ter a empresa como patrocinadora.

No meu modo de ver, essa política da Nike faz parte do posicionamento que vem adotando num mercado tão povoado de grandes e ótimas empresas – o mercado de material esportivo. 
De forma que para se diferenciar investe em ser percebida como uma empresa de tecnologia. 
Corrobora para essa opinião, a gama de lançamentos sob essa ótica, são tênis mais leves do que um aparelho celular, uniformes cada vez mais “tecnológicos” para as diversas práticas esportivas e processos de produção que não comprometam a sustentabilidade. 

Na verdade, quase todas as empresas de produtos esportivos investem em R&D (Research & Development - Pesquisa e Desenvolvimento), porém nem todas trabalham para serem percebidas como empresas de tecnologia.
Como insisto em escrever, não existem verdades absolutas no marketing, mas não há como negar que essa estratégia adotada pela Nike é bastante interessante, principalmente num mundo cada vez mais dependente dos avanços tecnológicos. 


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