terça-feira, 8 de novembro de 2022

Os "gurus" da internet

Alguns já devem ter ouvido a frase “todo dia sai de casa um bobo”, a qual costuma ser utilizada para explicar condutas desonestas que, sem a utilização de armas ou qualquer outra forma de coação, levam os incautos a sofrerem alguma espécie de prejuízo. 
Com o advento da internet, esses “golpes” se sofisticaram e até aumentaram, a ponto de podermos adaptar a frase do parágrafo anterior para algo do tipo “o bobo não precisa mais sair de casa”, tamanha a quantidade de fórmulas mágicas que são oferecidas para “melhorar” a vida das pessoas.
Ganhe dinheiro sem sair de casa! Emagreça X quilos em apenas um mês! Aprenda inglês em Y semanas!
Quem nunca se deparou com alguma publicidade com os dizeres similares aos narrados acima?
Se não bastassem tais ofertas, ainda há os gurus que, em nome de uma suposta sapiência exclusiva, atraem seguidores e fãs inebriados por palavras e casos espetaculares. 
A argumentação de que muitos desses não cobram nada para repassarem seus ensinamentos e são confiáveis, não se sustenta, pois há monetização em função da audiência, de patrocínios, de palestras e consultorias que certamente farão.
E por favor, não venham com a explicação que tais “gurus” são bons de marketing, pois definitivamente não são. Quem mente e engana não faz marketing, comete golpes, o que é completamente diferente, ainda que possam se aproveitar de alguns conceitos práticos da área.
Aliás, vale observar que as grandes referências em marketing pouco utilizam a auto-divulgação para mostrarem seus conhecimentos e obras, sendo a recíproca verdadeira.
Obviamente que não é correto, nem justo, generalizar e colocar todos os que se utilizam dos canais para proferir “ensinamentos” no mesmo rol de “gurus”. Na verdade, é bem provável que haja muito conteúdo bom. O difícil é separar o joio do trigo, até porque a miopia característica dos fanáticos não permite enxergar algumas questões básicas que permitiriam discernir a respeito.
A título de tentar fazer tal distinção, vale atentar para dois pontos:
- quem realmente conhece sobre algum tema geralmente não é taxativo, nem tenta oferecer receitas de sucessos infalíveis, preferindo colocar hipóteses, provocar reflexões e dar opiniões, ao invés de estabelecer verdades absolutas.
- procurar obter com profissionais realmente conceituados nas respectivas áreas, referências sobre o “guru”, isto é, investigar sobre como ele é reconhecido no meio.
Não há como negar que os canais que surgem no YouTube são ferramentas fantásticas, na medida em que concedem a oportunidade de se conhecer em qualquer lugar e momento sobre algum tema de forma gratuita em grande parte das vezes, mas, por outro lado, permite que pessoas com pouco conteúdo se apoderem de uma autoridade que não possuem para falar um monte de besteiras e desvirtuar de forma massiva alguns assuntos.





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