terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Como acertar ?

Participar dos Jogos Olímpicos é o sonho de todo atleta.
Em esportes como natação e atletismo, além da obtenção dos índices qualificatórios é necessário estar entre os melhores, pois o número de vagas é limitado por país. 
Obviamente, nas grandes potencias esportivas as disputas ganham uma importância maior, visto a grande quantidade de atletas com tempos excepcionais. 
É o caso dos EUA, onde recentemente ocorreu o olympic trials para maratona. 
Realizada em Houston, teve entre os participantes 43 atletas (22 homens e 21 mulheres) com o índice A da IAAF (International Association of Athletics Federations). 

A prova em si teve passagens bastante interessantes, contudo, respeitando a proposta do blog, não me deterei nos detalhes da competição e passarei direto ao nome do vencedor: Meb Keflezigh
Os mais atentos se lembrarão bem dele, trata-se do norte-americano nascido na Eritrea que foi medalhista de prata nos Jogos de Atenas, aquela em que o “padre” irlandês atrapalhou o brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima. 
Meb tem 36 anos e vinha com resultados bastante irregulares. 
Não conseguiu a classificação para os jogos olímpicos de Pequim em 2008 e era considerado por muitos como um atleta aposentado que insistia em continuar no esporte, como tantos que vemos no futebol, até que em 2009 venceu surpreendentemente a maratona de Nova York.
Entretanto, 2010 não foi um bom ano, além da falta de resultados expressivos ainda teve uma infecção no pé após Nova York, causada pelos ferimentos que teve ao correr os 42 km com um breathing strip – aquela tira nasal que muitos atletas usam - esquecido dentro do tênis, o que muito atrapalhou sua preparação para a seletiva.
Às vésperas desta, mais um problema surgiu:  a Nike, até então sua patrocinadora decidiu não renovar, o que abriu espaço para a Skechers, fabricante sem tradição no esporte, o contratar.

E aqui chegamos ao tema central do artigo. 

Será que o responsável por patrocínio de running na Nike é pior do que o seu par na Skechers? 

Agora com o resultado definido é fácil suspeitar que sim, os “especialistas” argumentarão que: “tava na cara, Meb é medalhista olímpico e vencedor de Nova York 2009”. 
Independente de quem acertou ou errou, garanto que o mais errado de todos é quem realiza julgamentos sem ter a total dimensão dos fatos. 
Quem pode garantir que não havia na Nike uma limitação de orçamento, ou quem sabe, uma política de privilegiar atletas mais jovens? 
Claro que a hipótese de erro do gestor também deve ser considerada, mas com a consciência de que não temos informações suficientes para julgamentos definitivos.

Não há como negar que é extremamente difícil para um gestor decidir onde investir, pois além de todos os “patrocináveis” terem qualidades, o esporte, assim como o mercado, apresenta alto grau de imprevisibilidade e incerteza. 
Por outro lado, isso não significa permissividade ao erro, cabe ao gestor elaborar estudos que permitam avaliar da melhor forma possível os candidatos ao patrocínio.
Variáveis como resultados anteriores, curva de desempenho, vida pessoal, empatia e sinergia com a marca são algumas das que devem ser consideradas na decisão, mas insisto, nem o bom uso delas é garantia de acerto. 

Trazendo para o universo brasileiro, as decisões de patrocínio ainda são bem rudimentares, visto que a grande maioria das empresas não tem em seu organograma uma área que, além de conhecer os meandros do esporte, entenda também de gestão e, principalmente, trabalhe com foco no resultado da corporação. 
Esse quadro acarreta decisões calcadas simplesmente na argumentação dos agentes e empresários, o que, certamente, não contempla os reais objetivos macros da empresa e nem se aquele patrocínio trará o retorno que a empresa precisa para justificar a iniciativa.


3 comentários:

  1. Caro Idel,

    Estou escrevendo da Argentina como Produtor de Marketing Registrado programa de TV, que vai ao ar na Fox Sports, e também tem um site (marketingregistrado.com.ar). (Eu me comunico com você aqui, porque eu não encontrei nenhuma maneira de entrar em contato comigo no site do Flu).
    Em ambos os meios, nos concentramos em marketing esportivo, a realização de programas especiais de ambas as empresas e instituições, e considerando o Fluminense em março, para vir aqui por causa da Copa Libertadores, eu estou entrando em contato porque eu sou muito interessado em um programa especial da gripe, como uma das maiores instituições no Brasil.

    A idéia é realizar uma entrevista para você, ou a autoridade final para viajar com a delegação, o que poderia nos contar um pouco da história do clube, a realidade, metas futuras e crescimento, entre outras coisas.

    Aguardo a sua resposta ao meu email, e entrar em contato, e vai organizar a entrevista.

    Eu envio uma cordial saudação e, claro, muito obrigado pela vossa atenção

    Ramiro Conti
    contiramiro@gmail.com

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  2. Excelente post! Pois é Idel, podemos notar o quão difícil é prever este retorno de exposição quando se agrega uma marca à um atleta. Como vimos nos casos de Michael Phelps e especialmente no de Tiger Woods, milhares de fatores que nem sempre são ligados ao esporte interferem na percepção da imagem destes junto ao publico geral. Afinal, quem em sã consciência acharia que o atleta mais valioso do planeta, o queridinho de qualquer marca que defenda os bons valores, poderia causar tanta decepção.

    No entanto, como vemos neste mesmo caso, o publico geral tem a memoria curta. Tiger já começou a reconstruir o seu império agregando novos “endorsers” como Rolex e Fuse Science (Que claro só reinstauram uma parcela do valor perdido pelo patrocínio da AT&T , Accenture, Gatorade , Gilette etc). Vimos esta mesma situação ocorrer com Kobe Bryant depois do escândalo de estupro e com o nosso fenômeno Ronaldo e os travecos, porque não ne?

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  3. Caro Thiago

    Muito obrigado pelo seu comentário, concordo com vc.

    Quanto à memória curta, isso não é privilégio do setor esportivo, aliás, nesse talvez a memória seja até melhor em função da paixão envolvida.

    Abs

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