terça-feira, 11 de novembro de 2014

A imprensa como ferramenta


Ao contrário de alguns setores da economia e de grande parte das modalidades esportivas, o futebol consegue obter espaço na mídia sem a necessidade de fatos extremamente relevantes. 
Obviamente, algumas notícias possuem uma maior capacidade do que outras no que se refere à audiência, porém, a garantia de espaço mínimo que cada clube dispõe permite que esses, de alguma forma, tenham condições de planejar sua comunicação. 
Os objetivos que, em tese, permeiam ou deveriam permear as táticas de comunicação dos clubes são os seguintes:
  1. Deixar em evidência durante o maior tempo possível suas conquistas; 
  2. Fazer com que os noticiários negativos não perdurem em demasia;
  3. Minimizar os sucessos dos rivais
Desses objetivos, talvez o mais difícil seja o primeiro, visto que está mais sujeito aos “ataques” dos rivais e que uma conquista de título tem prazo de validade meio que padrão, no que tange ao noticiário.
A diminuição da “vida útil” da crise também é de difícil gestão, no entanto, acaba sendo ajudada em função da “fértil indústria de escândalos” da sociedade de forma geral e da própria capacidade do clube em crise gerar agendas positivas.
Em contrapartida, ofuscar o sucesso dos rivais, apesar de particularmente julgar como dispensável, é de mais fácil condução, basta ter algum fato, saber valorizá-lo e soltá-lo no momento adequado. 
A importância desses objetivos está ligada à torcida, pois notícias boas têm a capacidade de trazer mais torcedores e engajá-los, sendo a recíproca verdadeira. 
Além disso, certas notícias ainda têm o poder de desestabilizar ambientes, seja no âmbito da direção como no da comissão técnica.
Isso ganha ainda maior gravidade em função da velocidade que a comunicação ganhou através da internet e redes sociais, onde boatos crescem de forma incontrolável e a mobilização dos torcedores fica facilitada. 

Também não pode ser desprezada em termos de estratégia de comunicação, a diferença de tratamento que parte da imprensa costuma dedicar aos clubes, provavelmente fruto de interesses comercias e/ou passionais.
Títulos que quando conquistados por certas equipes saturam o noticiário, têm muitas vezes uma exposição comparativamente reduzida quando o vencedor é outro... 
Da mesma forma, desclassificações vexatórias de certas equipes não têm a mesma duração na mídia do que outras, enquanto contextualizações erradas e mentiras povoam os noticiários do "menos queridos" pelos jornalistas.

Convém ressaltar que o presente texto tem como objetivo mostrar o quanto que o planejamento de comunicação pode ser útil na gestão de um clube, principalmente num cenário onde muitas vezes o teor das matérias guarda estreita relação com a antipatia ou simpatia do jornalista com o time que é objeto do conteúdo.





Nenhum comentário:

Postar um comentário