Quando um clube anuncia um novo fornecedor de material esportivo, a discussão normalmente se concentra no desenho da camisa, no valor do contrato ou na expectativa de vendas. Mas existe uma disputa muito mais ampla por trás desses acordos.
Fornecer material esportivo é muito mais do que colocar uma logomarca sobre a camisa. Dependendo do contrato, a relação pode envolver royalties, luvas, verbas de marketing e bônus por desempenho. Por isso, esses acordos precisam ser vistos também como instrumentos de posicionamento, branding e construção de valor.
É sob essa perspectiva que a 13ª edição do estudo da Jambo Sport Business sobre as marcas esportivas nas 20 ligas mais valiosas do mundo traz alguns sinais interessantes.
Foram analisados 384 clubes e 71 marcas, sendo que 47 equipes mudaram de fornecedor em relação à temporada anterior.
A principal constatação é a consolidação da liderança da Adidas. A marca alemã chegou a 90 clubes, contra 60 da Nike. A diferença, que era de apenas um time em 2022-23, alcançou 32 na temporada passada e agora recuou ligeiramente para 30. A Nike, portanto, dá sinais de reação, já que ganhou cinco equipes, contra três da Adidas.
Nos Estados Unidos e na China, os contratos são negociados
pelas próprias ligas. Quando MLS (Major League Soccer) e CSL (Chinese Super
League) são retiradas da análise, a vantagem da Adidas cai substancialmente,
embora a marca permaneça na liderança. Nesse recorte, a Puma se aproxima da Nike.
Outro dado relevante aparece quando observamos os clubes de maior poder econômico.
Adidas, Nike e Puma representam juntas 48,7% dos clubes da amostra, mas, entre os 30 times de maior faturamento, essa participação chega a 76,7%. A Adidas veste 12 desses clubes, a Nike sete e a Puma quatro.
Os números revelam um mercado de duas velocidades: bastante
concentrado no topo e muito mais pulverizado no restante da indústria.
Nesse segundo grupo, marcas menos globais encontram espaço
para avançar. A Hummel, por exemplo, atingiu nesta temporada seu melhor
resultado histórico e, considerando apenas as cinco principais ligas europeias,
passou de cinco para nove equipes, alcançando a quarta posição.
Na América do Sul, o cenário é ainda mais fragmentado.
Apenas 28,6% dos clubes são vestidos por Adidas, Nike ou Puma. Argentina,
Brasil e Colômbia reúnem 70 equipes atendidas por 33 marcas diferentes.
No Brasil, chama atenção o reduzido protagonismo das marcas nacionais: 18 clubes utilizam fornecedores estrangeiros e apenas dois vestem uma marca brasileira, ambos atendidos pela Volt.
Merece atenção o recuo das marcas próprias. Entre as 20 ligas pesquisadas, apenas o Estudiantes de La Plata mantém atualmente esse modelo.
Mais do que indicar quem ganhou ou perdeu clubes, os números no estudo ajudam a entender as diferentes estratégias adotadas pelas marcas, pois, por
trás dessa disputa existem decisões sobre segmentação, posicionamento,
distribuição, rentabilidade e construção de marca.
Por isso, acompanhar quem veste quem é tão interessante.
Quando olhamos para os uniformes, estamos observando também como elas escolhem competir no futebol.
O estudo completo que embasou esse artigo pode ser acessado através do link https://www.linkedin.com/posts/halfen_marcas-esportivas-nas-20-ligas-mais-valiosas-activity-7497624051385966592-IpPD?utm_source=share&utm_medium=member_desktop&rcm=ACoAAACD-eABK0DvJGc4PVDfwKxXTT_RQjZkKo4



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