terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

7 - Eleven

A ideia de escrever sobre a 7-Eleven surgiu por duas razões: o fato da empresa já ter se utilizado do esporte como ferramenta de marketing e pela possibilidade de explorar um pouco o conceito desse tipo de varejo.

A 7-Eleven foi a empresa pioneira no segmento de loja de conveniência e surgiu como uma loja improvisada dentro da empresa Southland Ice Company, que fechada aos domingos vendia pão, leite e ovos aos empregados das docas situadas ali perto. 
Daí o o conceito foi se aprimorando até nascer a primeira loja em 1928 com o nome de Tote’m Stores.
Em 1946, a rede passou a se chamar 7-Eleven em função do horário de funcionamento das lojas 7 AM até 11 PM.
Hoje a empresa tem mais de 50 mil lojas em mais de 15 países e funciona 24 horas por dia.

O sucesso do negócio suscitou o interesse de empresas concorrentes que ingressaram no mercado, principalmente as atreladas a postos de combustíveis, que viram no conceito a solução para dois de seus problemas:

1 – minimizar a insatisfação dos motoristas com o ato de abastecer, visto que o benefício do combustível só é tangível quando o carro para por falta desse, o que faz com que o tempo despendido no ato pareça ser maior do que efetivamente é.
Dessa forma, a possibilidade de se adquirir produtos mais tangíveis, além de poupar tempo em idas a outros estabelecimentos, permite que a iniciativa de abastecer seja mais agradável ou menos desagradável.

2 – permitir que as margens praticadas na comercialização de combustíveis sejam mais flexíveis, já que uma maior quantidade de produtos possibilita que as margens de alguns possam ser reduzidas para ficarem mais competitivos, sem que isso afete o resultado final, pois esse pode ser compensado com margens maiores em produtos onde o fator preço seja menos decisivo.

Feitas as devidas considerações sobre o segmento, voltemos para a 7-Eleven, agora com o foco no esporte como ferramenta de marketing.
A empresa foi durante 16 anos patrocinadora de uma das principais equipes de ciclismo, o Cycling Team 7-Eleven.
No basquetebol foi uma das patrocinadoras do Dallas Mavericks e como parte do acordo, a empresa dava cupons grátis para os torcedores do time.
Enquanto que no beisebol patrocinou o tradicional time do Chicago White Sox. Entre as ativações oriundas dessa iniciativa destaca-se a mudança que o horário dos jogos dessa equipe sofreu, passando de 7:10 PM, horário tradicional de suas partidas para 7:11 PM.

Fora do âmbito esportivo, a empresa tem entre suas principais ações:
- a comemoração do dia 11 de julho – 7/11 – quando as lojas oferecem um slurpee (tipo de bebida) para todos os clientes.
- a criação de copos de café alusivos a cada candidato a presidente no período eleitoral americano, sendo que cada cliente pode escolher o copo de seu candidato, o que propicia uma prévia informal dos resultados da eleição, publicado em seu site.

Todas essas iniciativas reforçam a convicção que, independentemente do ramo de atividade em que cada empresa atua, o esporte pode ser sempre uma excelente ferramenta para se destacar no mercado.
Logicamente que não basta simplesmente patrocinar por patrocinar, sendo fundamental que se estabeleçam objetivos e que todas as iniciativas estejam dentro de uma estratégia bem definida, aliás, toda e qualquer ação de marketing deve ter essas condições como premissa, mesmo as que não contemplem o esporte.



terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Direito é direito


Além do futebol e do marketing, onde surgem “especialistas” a todo momento, outra área também tem sido bastante frequentada por pessoas sem o devido embasamento: a área jurídica.

Em função disto esclareço que, apesar do título, a intenção do texto é discutir exclusivamente os aspectos mercadológicos do tema em questão, a suposta “recomendação” que a Samsung fez aos atletas participantes dos Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi.

A empresa, por ser a patrocinadora oficial dos Jogos, “sugeriu” que os atletas não usassem equipamentos como tablets, celulares e computadores da concorrência, leia-se Apple, em público e, caso o fizessem, tivessem o devido cuidado de “esconder” a logo. A Samsung também ofereceu a cada participante um kit com um de seus produtos, o Galaxy Note 3.
Em reportagens e na própria cerimônia de abertura era possível perceber atletas tapando a parte de trás de seu aparelho quando filmavam ou tiravam foto.
Certamente alguns acharão errada a inciativa da Samsung, sob a alegação de que o patrocinador não pode se intrometer na vida dos atletas, ainda mais não sendo patrocinador individual dos mesmos.
Faz sentido, sem dúvida.
Mas por outro lado, deve ser observado que o patrocinador devia ter essa possibilidade contemplada no contrato com o Comitê Olímpico Internacional e que pagou para isso.
Não se pode também ignorar que uma massiva exposição de marcas concorrentes pode inviabilizar eventuais inciativas de patrocínio não só da Samsung, mas de outras empresas que, por não conhecerem bem as vantagens do esporte, usará desse fato para justificar a decisão de não investir no segmento.
E antes que levantem a situação das marcas esportivas que aparecem nos equipamentos dos atletas nas competições, mesmo sendo diferentes das marcas patrocinadoras, lembro que se trata de uma decisão técnica e que por poder influenciar na performance é permitida, afinal trata-se de uma competição esportiva.

Além do que, não podemos esquecer que todos os demais patrocinadores costumam se fazer valer dos direitos adquiridos para fortalecer sua marca e “atrapalhar” os concorrentes.
O caso da Samsung ficou mais evidente por se tratar de um bem durável, porém, a Coca-Cola, por exemplo, além das ações de ativação nos Jogos, é a bebida oficial do evento e não permite a distribuição de produtos concorrentes na Vila Olímpica.

Diante disso, creio que a decisão de Samsung é salutar para o esporte, só não tenho como mensurar quais as consequências que a mesma pode ter para a empresa em termos de “simpatia” perante o público, que compreende àqueles que tiveram acesso a essa informação e os atletas dos Jogos de Sochi.


terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Quem é o melhor?

Nas competições esportivas a “pergunta-título” é uma das maiores motivações para a atratividade do evento. Não serei taxativo em afirmar que essa é a maior motivação, justamente pelo cunho que pretendo desenvolver sobre o tema.

Constantemente surgem discussões onde se tentam chegar a uma conclusão sobre qual atleta é melhor. Nessas são usados os mais diversos argumentos e, na maioria das vezes, nenhuma das partes sai convencida.
Alegações sobre a importância de cada atributo podem se alterar na mesma velocidade em que se mudam os protagonistas da discussão.
A situação piora quando a comparação se volta para atletas de épocas diferentes, sendo que aí a influência das edições dos vídeos tem importância fundamental, já que parte dos interlocutores nem bem viram a performance de alguns atletas.
Mas como nada é tão ruim que não se possa piorar, há comparações ainda mais surreais, são aquelas que versam sobre atletas de modalidades diferentes.
A propósito, vale tentar ver no You Tube as campanhas da Turkish Airlines protagonizadas pelo jogador de basquetebol Kobe Bryant e pelo jogador de futebol Messi.

Engana-se também quem pensa que em esportes individuais como natação e atletismo, a comparação é evidente. 
Não é, o máximo que se pode concluir é que num dado momento houve superioridade de algum, mas isso não significa ser o melhor, já que vários fatores podem ter influenciado aquele resultado, inclusive a capacidade de preparação, o que por si só já abrange a eventual comparação entre atletas de épocas diferentes.

Todo esse discurso não tem como objetivo “descaracterizar” as tentativas de avaliações, até porque essas são essenciais ao mercado.
A intenção aqui é mostrar o quão frágil podem ser as conclusões obtidas e que a maioria destas guarda um forte componente emocional, seja paixão, recalque ou até mesmo a necessidade de se posicionar.
Obviamente fazendo a ressalva de que isso não se aplica quando a comparação se dá entre partes cujas diferenças de desempenho sejam extremamente significativas, ou seja, não há dúvida de que o nadador Michael Phelps é melhor nadador do que eu, por exemplo.

Apesar de ter usado o esporte como modelo para a reflexão proposta, é importante esclarecer que isso ocorre até em aspectos ligados à gestão. Quantas vez ouvimos e até debatemos sobre quem foi o melhor presidente de algum país? São debates interessantes que descambam para avaliações de governadores, prefeitos, ministros e até dirigentes esportivos.
Nesses casos, as discussões chegam a ser até mais engraçadas, pois nenhuma delas tem condição de considerar com a devida isenção e com o grau correto de expurgo, todas as variáveis que influenciam uma gestão, tais como situação herdada, objetivos traçados, limitações, prioridades, prazos, equipe e etc.

Diante desses argumentos volto à campanha da Tukish Airlines, a qual mostra as “melhores” intervenções de Bryant e Messi, mas em nenhum momento pretende ser conclusiva, o que é exatamente o que acontece nos mundos esportivo e corporativo.
A empresa, de forma inteligente e estratégica, se aproveita da disputa e incorpora conceitos à marca que muito agregam ao seu posicionamento.


terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Lançamento do livro

Excepcionalmente nessa semana não haverá nenhum novo artigo, pois usarei este espaço para divulgar o lançamento do meu livro O desafio de ser diferente.

No livro procurei utilizar assuntos que estiveram ou estão em evidência no segmento esportivo, aplicando análises sob o prisma do marketing e acrescentando, muitas das vezes, casos ocorridos no mercado corporativo que tivessem alguma similaridade com a situação em questão.

Trata-se de um material com teorias e conceitos de marketing aplicados a situações do esporte, com o devido cuidado de destacar as devidas analogias com a vida corporativa.

A parte I do livro é toda dedicada aos aspectos mais abrangentes do marketing em sua essência e traz temas que ajudam a solidificar alguns conceitos dessa disciplina e “esvaziar” alguns mitos.
A parte II versa sobre patrocínio, cujas análises estimulam profundas reflexões sobre objetivos e avaliações.
Branding é a tônica da parte III, onde são mostrados os desafios da gestão de marcas no mundo esportivo.
O composto de marketing também está contemplado nessa edição.
As diversas formas comunicação estão na parte IV, as situações relacionadas à precificação e receitas na V, alguns cases de produtos direcionados ao segmento esportivo são descritos na parte VI, assim como algumas matérias sobre ponto e varejo na parte VII.
Finaliza o livro, uma parte batizada de Esporte & Negócios, cuja proposta é explorar e comparar situações comuns aos dois segmentos relacionadas à gestão.

O desafio de ser diferente será lançado no dia 6 de fevereiro, nessa quinta-feira, a partir de 19h, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon – Avenida Afrânio de Melo Franco, 290.
Após o lançamento, O desafio de ser diferente será distribuído em livrarias de todo país e também terá uma versão em e-book a ser disponibilizada nas grandes redes do mercado.