terça-feira, 5 de abril de 2022

O fim do estadual?

O conceito de "ciclo de vida" é de fundamental importância para se gerir produtos, serviços, marcas e suas respectivas fases de desenvolvimento, lançamento, crescimento, maturidade e declínio, as quais podem ter suas durações gerenciadas desde que se adote uma visão de cunho mercadológico.
Hábitos e anseios mudam, novos concorrentes e consumidores passam a fazer parte do mercado, tais fatos exigem monitoramento constante e, se tais movimentos não forem acompanhados de perto, o declínio chega rápido e de forma irreversível.
O título do artigo faz menção ao “estadual”, o cuidado em não adotar o plural se dá em função de acompanhar mais de perto o campeonato carioca, mas acreditamos que um “s” a mais não o deixaria tão errado.
Já faz bastante tempo que o campeonato de futebol do Rio de Janeiro perdeu parte de sua atratividade, o que pode ser creditado ao fim do protagonismo que tinha quando o campeonato brasileiro não era tão interessante, à concorrência de outras atividades – aqui se incluem as transmissões de campeonatos internacionais e de outros esportes -, e à queda da qualidade dos jogos. Acrescente-se o fato de os principais times pouparem jogadores na fase inicial visando não se sacrificarem demais para o restante da temporada, além das péssimas condições de alguns estádios.
Embora o diagnóstico seja relativamente fácil de fazer, a tarefa de resgatar, ou ao menos não deixar a atratividade cair, é muito difícil. 
Como querer presença de público no estádio se a experiência do evento não é das mais agradáveis? 
Como esperar um bom espetáculo se os gramados atrapalham as boas jogadas? 
Como desejar um campeonato emocionante e justo com regulamentos que, até 2022, não premiavam necessariamente o melhor?
Contudo, mesmo diante de tantos percalços ainda há alguma esperança de sobrevivência, afinal as rivalidades e as tradições conseguem perdurar e a proximidade com o time de coração através das transmissões pela televisão alimentam a chama da paixão.
Mas para isso é necessário rever o modelo de transmissão, pois a substituição da  Globo pela Record fez com que apenas parte dos jogos fosse transmitida, propiciando que clubes, federação e alguns players do segmento de streaming ficassem com essa responsabilidade. 
Diante desse quadro, os torcedores que ainda pretendem acompanhar o campeonato ficam perdidos sem saber onde será a transmissão, a qual, em grande parte das vezes, costuma ter uma qualidade ruim, isso sem falar na necessidade de se pagar por algo de qualidade inferior.
Os clubes com suas próprias TV’s, evidentemente, conseguem no curto prazo alguma fonte de receita ainda que inferior ao que recebiam da Globo, todavia, correm um enorme risco de no futuro ver suas bases de torcedores diminuírem em função do distanciamento narrado acima.
É importante registrar que os clubes não têm culpa do que está acontecendo, ou melhor, um deles, o que causou o rompimento com a Globo, tem.  Na verdade, os clubes estão tentando reter o torcedor através dos seus jogos, porém, diante de uma economia em recessão que afeta o bolso do seu público-alvo no que tange ao poder de compra de pacotes para assistir os jogos e de equipamentos mais apropriados à plataforma de streaming, a tarefa é muito árdua e nos leva a inferir que o fim do estadual pode estar mais perto do que imaginávamos.








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