terça-feira, 27 de dezembro de 2016

O desafio de ser sustentável

O presente artigo foi escrito meses antes de sua publicação, porém decidi deixá-lo como o último de 2016, pretendendo que ele sirva como uma espécie de mensagem de conscientização e esperança para os próximos anos. 
Falarei sobre sustentabilidade sem, no entanto, fugir da linha editorial do blog.
Minha preocupação aqui diz respeito ao uso indiscriminado dos recursos naturais, à poluição e aos desastres ambientais, que no ritmo que estão, certamente impactarão o futuro das próximas gerações. 
Vale ainda questionar sobre o efetivo papel que a sociedade e as empresas podem ter nesse cenário, pois não sabemos até que ponto a população, de forma geral, consegue passar do discurso para a prática a suposta preocupação com os aspectos ligados à sustentabilidade. 
Tal cenário, se bem explorado, pode ser uma excelente oportunidade para as empresas que, com mais recursos e menos comodismo, têm a oportunidade de implementar práticas que deixem suas culturas e operações mais sustentáveis, de forma que o consumidor ao optar por seus produtos e serviços, incentivem as ações mais responsáveis.

E para fechar o artigo incorporando o esporte à gestão, colocamos como exemplo dessa prática, a Adidas, uma empresa voltada basicamente ao esporte que, associada à Parley for the Oceans lançou um protótipo de um tênis feito com plásticos retirados do oceano. Para a confecção do produto, utilizaram material coletado nas redes de pescadores ilegais na costa oeste do continente africano. O produto final, denominado Primeknit, é totalmente produzido com materiais recicláveis.
Dando continuidade à ação, a parceria produziu camisas com resíduos plásticos retirados das áreas costeiras das Maldivas no Oceano índico para vestir duas das principais equipes patrocinadas pela Adidas: o Real Madrid, que usou o produto na partida contra o Sporting Gijón, e o Bayern Munich, que trajou a peça no jogo contra o Hoffenheim.
Ainda como parte da iniciativa, as equipes concordaram em não ter as logos visíveis, de forma que as camisas fossem as mais sustentáveis possíveis, além disso, havia na parte de trás do uniforme uma mensagem “For the Oceans”. 
Esse exemplo, vindo de uma indústria do segmento esportivo, busca a coerência com o objetivo do blog.
Contudo, devemos registrar que muitas empresas, oriundas dos mais diversos ramos de atividade, já adotam práticas ecologicamente corretas e socialmente justas, iniciativas que as deixam mais atraentes aos olhos dos consumidores, os quais também deveriam cumprir sua parte no que tange à gestão dos resíduos urbanos, principalmente aqueles que residem nas grandes metrópoles, que por estarem mais perto dos litorais acabam maltratando o oceano.
O esporte, talvez, proporcione um caráter mais emblemático, em função da sua capacidade de engajar e, da maior proliferação de ídolos, que podem servir como exemplos de causas para os mais jovens.
Que sejamos mais felizes em 2017 e façamos nossa parte para um mundo mais sustentável.


terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Recordes e barreiras

Todo atleta, seja esse de alto rendimento ou mero participante de competições, costuma colocar entre seus objetivos o atingimento de alguma meta - ou recordes, mesmo que pessoais.
Geralmente factíveis às suas possibilidades, os objetivos ganham um grau de dificuldade maior quando assumem a condição de barreira. Explico melhor o que quero dizer com o case que narro abaixo.
Na semana passada a Nike anunciou seu novo projeto voltado ao segmento running: o Breaking2, que consiste em preparar alguns de seus principais atletas para correr uma maratona abaixo de duas horas em 2017. Reparem que a Nike não busca apenas o recorde, busca quebrar uma barreira.
Para os menos afeitos à modalidade, informo que o recorde atual é de 2:02:57, obtido pelo queniano Dennis Kimetto – atleta patrocinado pela Adidas – em 2014 na Maratona de Berlim, que tem também a marca alemã como patrocinadora. 
Considero tal marca um assombro, assim como tenho considerado a maioria das quebras, principalmente as que aconteceram a partir de 1998, quando o brasileiro Ronaldo da Costa correu a mesma prova para 2:06:05.
Questiono as previsões que são feitas a respeito, essas, apesar de estatisticamente embasadas, não contemplam, nem teriam como contemplar perfeitamente, os avanços que têm se dado em termos de treinamento, alimentação e equipamentos.
O que não me impede de arriscar um palpite, esse aponta que será impossível obter a quebra pretendida pela Nike em 2017. 
Não faço essa previsão por conhecer as dificuldades da prova, tampouco confio no meu modelo de regressão que também aponta um intervalo superior de anos para alguém correr abaixo de duas horas. A razão da minha aposta se deve a uma análise puramente mercadológica, vamos a ela.
Por mais investimento que a Nike faça nessa preparação*, não é possível garantir que outros atletas ou outros métodos de preparação não sejam mais eficientes. Sendo que esses podem estar sendo patrocinados por marcas concorrentes.
Evoluindo nesse raciocínio, seria um risco enorme para a marca norte-americana lançar um projeto que fosse “furado” por outra marca de calçado de corrida. Afinal, estariam chamando a atenção para um desafio que seria alcançado por quem nada investiu na divulgação do objetivo.
Tal conjuntura me leva a crer que a própria Nike julga como impossível atingir essa meta em 2017, mas com a campanha consegue associar seus produtos à velocidade, superação e demais valores tão importantes nesse mercado, além, é claro, de se destacar para os olhos do varejo.
Ressaltando que a marca, que já foi uma das maiores referências no segmento running, tem perdido espaço não só para as tradicionais concorrentes, como também para outras marcas que invadiram com sucesso esse mercado.
Além do provável ganho de market share, o desafio coloca holofotes sobre a prova, o pode impactar no aumento do número de praticantes e, consequentemente, no crescimento no mercado de equipamentos para corrida.
Se efetivamente é essa a estratégia da empresa só seus executivos poderão responder, mas se for, considerarei genial e com mais chances de sucesso do que correr 42,195 km em 1:59:59 em 2017.

* Há um outro projeto similar, denominado Sub2, que tem como objetivo atingir a marca no prazo de 5 anos.


terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Quem sabe, sabe?

“Quem sabe, sabe...quem não sabe vai para a Europa estudar”.
A frase acima foi proferida em tom provocativo pelo treinador Renato Gaúcho após conquistar seu 2º título como técnico da Copa Brasil e, como esperado, conseguiu mais uma vez causar polêmica.
Claro que creditar o sucesso ao fato de ter aprendido futebol e daí não precisar mais se atualizar é errado, até porque o técnico não ganha – nem perde – sozinho, e para sua "tese" ser verdadeira seria necessário que ele ou outro técnico com tal perfil vencesse todos os campeonatos que são disputados. 
Contudo, se expurgarmos o lado debochado e bem humorado da afirmação, temos um bom tema para desenvolvimento do artigo.
Em minha opinião, é fundamental que o profissional de qualquer área se mantenha sempre atualizado, pois a evolução da sociedade exige novos conhecimentos e aprimoramentos em relação aos adquiridos no passado.
Mas como se atualizar?
No caso de técnicos, fico pouco à vontade para avaliar as opções disponíveis, porém, me permitirei fazer uma analogia com o mercado corporativo e “palpitar” sobre o tema, deixando claro que em gestão - o que inclui capacitação de profissionais - não existem verdades absolutas.
Penso que mais importante do que fazer uma reciclagem, é saber primeiramente quais os objetivos dessa iniciativa, o que se pretende alcançar e o tempo disponível para dedicação. Diante dessas respostas, aí sim, se deve buscar onde – e como – satisfazer os anseios definidos. 
Nessa fase, o trabalho de pesquisa deve ser muito minucioso, pois tem havido uma proliferação exagerada de cursos de especialização e de “MBA’s”, muitos deles com qualidade duvidosa e sem corresponder às expectativas dos alunos.
Não obstante à frustração dos “alunos”, devemos reconhecer que, de fato, é muito difícil organizar um curso onde não há uma uniformidade de conhecimento entre os participantes, isso sem falar na fragilidade do corpo docente.
Diante desse quadro, creio que, no caso de reciclagem, o ideal seja um modelo de curso, cuja atividade principal consista no estudo de cases, onde alguma situação seja discutida sob todos os prismas concernentes à gestão pelos alunos, coordenados por um por um bom orientador/professor. A ideia aqui não é encontrar a melhor solução, mas refletir sobre todas as visões e sugestões que serão dadas a respeito, de modo que o aluno passe, naturalmente, a ter mais referências para serem adaptadas às situações reais com que se defrontará no futuro.
No caso do esporte, esse estudo de cases poderia ser adaptado às observações dos jogos, focando e discutindo lances com outros técnicos da modalidade. Reitero aqui que, assim como em gestão, no esporte não existem verdades absolutas quando se trata de táticas e estratégicas, por essa razão o esgotamento das discussões sobre o assunto é salutar.
Como podemos ver, a frase do Renato Gaúcho, a quem sou muito grato pelo gol de barriga, está longe de ser correta, mas serve ao menos para questionar as formas de reciclagem que se proliferam, grande parte delas com um cunho basicamente comercial, e que pouco agrega a quem procura.



terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Com o verde da solidariedade

As matérias, as imagens e as entrevistas que trazem como tema a Chapecoense parecem não se esgotar. Cada uma mais emocionante do que a outra, gatilhos involuntários de uma tristeza aguda que teima em não cessar.
Foi difícil resistir à tentação de escrever sobre as emoções que envolvem amizade, família e toda a atmosfera que circunda os valores importantes da vida, os quais no esporte aparentam ser amplificados, ainda mais num momento de muita dor. Contudo, sendo o objeto do blog "discutir os aspectos relacionados à gestão", disciplinadamente seguirei a linha editorial traçada. Além do que, erra quem teima em achar que o fator “emoção” pode ser extirpado da gestão. Não pode, visto fazer parte da vida, cabendo aos gestores analisar e entender o comportamento do consumidor, sobre o qual não se é possível controlar.
Nesse contexto, talvez fosse interessante desenvolver o artigo focando as manifestações de pesar e homenagens à Chapecoense realizadas por equipes de vários países e de diversas modalidades esportivas, pois, além da fartura das ações, a criatividade tem se mostrado inesgotável. Porém, o reduzido espaço do artigo deixaria de fora algumas, o que seria injusto, fato que me levou a declinar da ideia.
Vale, no entanto, citar aqui as iniciativas do Atlético Nacional de Medellín que abriu mão da disputa do título em prol do time catarinense e realizou um evento em seu estádio que só de lembrar aciona o tal gatilho mencionado no 1º parágrafo. 
Dessa forma, achei mais interessante chamar a atenção sobre alguns acontecimentos que, certamente, bem analisados muito têm a agregar nos processos de gestão.
Reparem que a ocorrência de acidentes - não apenas aéreos - é algo que, infelizmente, acontece com relativa frequência e algumas vezes com número de vítimas superior, entretanto, não há como negar que a comoção causada com o acidente da Chapecoense foi uma das maiores, se não a maior que já presenciamos. Claro que as redes sociais e a globalização fazem com que os acontecimentos sejam mais reverberados, todavia, creio que o fato do acidente estar relacionado ao esporte tenha sido a principal causa de tamanho choque. O que corrobora para o reconhecimento dessa atividade como um dos principais agentes influenciadores de corações e mentes.
Devemos atentar também para a união dos clubes, que deixaram a rivalidade de lado para prestar solidariedade ao time de Chapecó e aos jornalistas que estavam no avião. Entenderam que a competição se dá dentro dos campos, e que fora deles, todos têm muito mais a ganhar pensando no bem comum, aliás, um bom exemplo disso se dá nas ligas profissionais dos EUA.
Por último, uso as iniciativas das pessoas, clubes, federações, ligas e países para mostrar a importância de ser bem visto no mercado. Como já escrevi em outros artigos, o consumidor não faz mais suas escolhas apenas em função dos atributos tradicionais como preço, qualidade, etc., decidindo também em função das condutas que as marcas/empresas empenham em relação à sustentabilidade e ações sociais. Nesse episódio, pudemos ver clubes que despertam considerável rejeição, terem esse sentimento atenuado em função da solidariedade demonstrada.
Quanto ao título do artigo - o da Copa Sul-Americana é da Chape - devo esclarecer que não houve nenhum engano, sei muito bem que o verde é a cor da esperança, mas nesse caso, a simbiose da cor da Chapecoense com o fator solidariedade faz com que a esperança, tão importante em nossas vidas, abra mão do monopólio do verde.

“Nunca tive 2º time, sou apenas Fluminense, mas a partir da semana que passou, tanto a Chape, como o Atlético Nacional de Medellín têm um lugar especial no meu coração”.

#FORÇA CHAPE 
#OBRIGADO COLÔMBIA


terça-feira, 29 de novembro de 2016

As ações do Green Bay Packers

Entre os principais argumentos que o torcedor dos times futebol no Brasil utilizam para justificar a não adesão ao pacote de sócio torcedor, está a "não percepção" quanto às vantagens que o possa seduzir.
Em função dessa característica, os clubes procuram desenvolver planos de associação que propiciem benefícios mais tangíveis aos sócios, tais como descontos em produtos nas empresas parceiras e/ou vantagens na compra de ingressos para os jogos dos times.
Todavia, mesmo assim, os número de adesões - e retenções - ficam bem abaixo das expectativas que são criadas através das exaltações de paixão dos torcedores por seu time de coração.
Agora, num exercício de reflexão, imaginemos que os clubes, ao invés de ofertarem títulos de sócio futebol, resolvam se transformar em empresas para daí emitir ações. 
Será que assim a adesão seria maior? 
Muito provavelmente, as respostas virão recheadas de condicionantes do tipo, se a liquidez for boa, se a valorização for alta, se os dividendos forem significativos...
Digamos então que os preços das ações se manterão constantes e que não serão pagos dividendos.
Creio que a grande maioria afirmará que a adesão será ínfima. 
Peguemos então o case do Green Bay Packers,  franquia de futebol americano fundada em 1919 no estado de Wisconsin, que em 1950, emitiu ações com o objetivo de levantar fundos e, assim, construir um estádio para a equipe.
Anos depois, em 1998, mais ações foram colocadas no mercado, o que rendeu US$ 24 milhões, os quais serviram para reformar o estádio.
Os leitores devem estar pensando que, evidentemente, cada acionista tem direito a um espaço no estádio.
Lamento informar que estão errados! 
O benefício por ser acionista, é ter direito a voto e ser “dono” do time, ressaltando que para evitar que alguém se torne único dono, cada um dos mais de 360 mil acionistas pode ser proprietário de no máximo 200 mil ações de um total de pouco mais de 5 milhões de cotas. 
Essa condição, que contraria as regras da NFL – que prevê que cada franquia deve ter apenas um proprietário majoritário – só emplacou por ter sido criada antes da implantação dessa regulamentação. O Packers também é a única franquia sem fins lucrativos.
Green Bay, a cidade que sedia a franquia,  tem cerca de 100 mil habitantes, e ainda assim a equipe é uma das mais populares da NFL, isso porque possui um grande número de torcedores no estado Wisconsin e em cidades do meio oeste dos EUA. Tamanho engajamento dos torcedores faz com que a fila de espera para a obtenção do full season ticket – ingressos para assistir todos os jogos em seu estádio – seja de 30 anos. Esclareço que não me enganei na digitação, são realmente 30 anos.
Como podemos deduzir, é notória a diferença de comportamento dos torcedores de qualquer time brasileiro em relação aos fãs do Packers.
Não creio, no entanto, que a razão para tamanha dicotomia esteja associada exclusivamente ao poder aquisitivo das populações, tendo sim, a identificar como causa o modelo adotado pelo Green Bay de dar ao seu torcedor a sensação de “pertencimento” e do modelo de governança que serve como combustível para fortalecer a sensação de ser um dos responsáveis pelo rumo da franquia




terça-feira, 22 de novembro de 2016

Mando de campo

No campeonato brasileiro de futebol tem sido bastante corriqueira a troca dos locais onde as partidas ocorrem ou deveriam ocorrer. Exemplificando, muitas equipes têm levado as partidas marcadas previamente para serem realizadas em suas cidades para outras, muitas vezes bem distante de sua sede.
As razões que levam a essa decisão estão fortemente ligadas ao aumento de receitas e às questões de marketing, já que se trata de uma ótima oportunidade para se atrair torcedores e simpatizantes dessas localidades, além de estar perto de seus torcedores que por ali habitem.
Já os que se opõem à iniciativa, alegam que a transferência influencia o desempenho técnico, visto exigir viagens, o estádio não ser tão conhecido pelos jogadores e a torcida habitual não ser tão presente. Além disso, existe aqui também os aspectos ligados ao marketing, pois os planos de sócio torcedor têm como um dos seus apelos algum tipo de vantagem na compra de ingressos, isso sem falar da inviabilidade de se vender season tickets – ingressos para toda temporada – que muito contribuem para a  garantia de receita e para o fluxo de caixa.
Trata-se de uma típica situação onde os dois lados têm razão, restando avaliar qual tem mais razão. 
Difícil responder!
Ainda mais se derivarmos a análise para as arenas que, construídas para o Mundial de 2014, só têm condições de se manter caso ocorram eventos em suas instalações.
Ocorre que a oferta de arenas ficou maior do que a oferta de “conteúdo”, o que gera um déficit de atrações e acarreta nessa “mobilidade” de jogos.
Ah, não deveriam ter construído tantas arenas. É verdade, mas o estrago já foi feito.
Difícil solucionar!
Mesmo porque, o fato de ter um estádio em alguma cidade não é garantia, nem tampouco tendência, de que se formarão bons times no local. 
A eventual transferência de sede de alguma equipe, como ocorre nos EUA, também está fora de cogitação no Brasil.
Mas voltando às transferências dos locais dos jogos, creio que existe um ponto primordial a ser debatido: a definição do que deve ser prioridade num campeonato: a competição ou o negócio? Deixando claro que não são excludentes, mas que a falta de definição prejudica as decisões.
Explico. Se a prioridade for o aspecto técnico, os jogos devem acontecer sempre nos estádios previamente definidos, visto que a mudança pode trazer prejuízos direta e indiretamente nas equipes envolvidas. Nesse caso, as ações de marketing buscando novos torcedores devem vir através de pré-temporadas, amistosos ou eventos de relacionamento.
No caso da prioridade ser o “negócio”, esqueçam a competitividade e, quem sabe, cogitem até a opção de não haver mais acessos e rebaixamentos, deixando como participantes as equipes com maior poder gerar receitas.

Evidentemente, eu prefiro que a prioridade seja o aspecto técnico, até porque, uma competição séria e disputada tem a longo prazo muito mais capacidade de auferir ganhos financeiros sustentáveis do que as que privilegiam o faturamento imediato.



terça-feira, 15 de novembro de 2016

As marcas esportivas no futebol 2016-2017

Pelo 3º ano consecutivo, a Jambo Sport Business publicou um estudo sobre as marcas que vestem os clubes de 1ª divisão das 20 principais ligas de futebol do mundo. http://www.slideshare.net/jambosb/marcas-esportivas-nas-20-ligas-de-futebol-mais-valiosas-20162017
Nesse último, a análise teve como base os campeonatos da temporada 2016-2017 e 2016, no caso das competições que se iniciam e findam no mesmo ano. No estudo, detectou-se que 55 marcas forneceram uniformes para os 368 clubes que fizeram parte da amostra.

Apesar de estar com seis clubes a menos do que na temporada passada, a Nike ainda é a marca mais presente ao vestir 79 times. Nessa temporada, a marca norte-americana conseguiu melhorar sua participação no campeonato alemão, onde passou a ser a marca mais presente, mesmo não tendo clubes com grande representatividade. Já no campeonato inglês, outro ponto de fragilidade detectado no estudo passado, a situação permanece igual, se mantendo como fornecedora da seleção e do Manchester City, ao passo que a rival Adidas continua como a mais presente em número de clubes, estando entre esses o Manchester United e o Chelsea, duas das principais forças do país. Entre as 20 ligas analisadas, a Nike só não se fez representada no campeonato holandês na Major League Soccer (MLS) dos EUA, no entanto, permanece como fornecedora de material esportivo das seleções desses países.
Em 2º lugar continua a Adidas com 74 times – cinco a menos do que em 2015-16. Perdeu ainda a liderança que detinha na Alemanha e na Argentina, embora se mantendo como fornecedora da seleção desses dois países.
Já na 3ª posição, tomando o lugar da Puma, aparece a Joma com 26 equipes, valendo ressaltar o crescimento expressivo da marca espanhola, percebe-se ainda uma forte concentração da marca na Europa, onde estão 96,2% dos clubes do seu portfólio. 
Num processo inverso aparece a Puma na 4ª colocação com 22 equipes, empatada com a Umbro.
Em seguida aparecem Kappa com 15 equipes, Macron, com 12, ultrapassando a Lotto que se mantém com 11 times.
Completam as TOP 10: Hummel e a Under Armour com sete clubes cada. 
Desde que o estudo é realizado, a temporada atual é a que teve o menor número de equipes sem fornecedor, apenas uma. 
Quando se restringe a análise às 5 ligas mais valiosas: Premier League (Inglaterra), Bundesliga (Alemanha), La Liga (Espanha), Seria A (Itália) e Ligue 1 (França), liderança fica dividida entre Nike e Adidas vindo a Joma em 3º lugar.
Caso se considere os 30 clubes que mais faturaram em 2014-15, de acordo com o relatório Football Money da Deloitte, a Adidas continua como a marca mais presente, seguida por Nike e tendo a Puma como terceira.
O estudo traz ainda uma avaliação individual por país e foca o desempenho das principais marcas, inclusive reserva um slide para as marcas brasileiras, coincidentemente, as mesmas que estiveram no trabalho anterior.
Assim vemos que a Lupo só fornece para clubes brasileiros, a Topper está presente tanto no Brasil quanto na Argentina, enquanto a Penalty está nesses dois países e no Japão. No somatório das três marcas nacionais constata-se um acréscimo de dois clubes, contudo, as perdas do Vélez Sarsfield que deixou a Topper pela a Umbro, a qual por sua vez tomou o Cruzeiro da Penalty, influenciaram qualitativamente o cenário das marcas brasileiras. 




terça-feira, 8 de novembro de 2016

Interferência externa

No artigo “A imprensa que imprensa” comentei sobre o uso de recursos eletrônicos nas partidas de futebol e prometi aprofundar o tema no futuro, o que faço agora nesse texto.
Os que são contra o uso das ferramentas alegam que as partidas ficarão mais demoradas e que o “erro do árbitro” faz parte da disputa.
Quanto ao tempo, concordo, porém, devemos considerar que a maior quantidade de minutos viria acrescida de qualidade, tanto pelo aspecto da emoção e apreensão pelo resultado do lance a ser avaliado, como também pela inserção de mais assertividade às decisões.
Sobre o “erro do árbitro”, discordo veementemente, pois seria a mesma coisa de não se fazer exames clínicos já que a doença faz parte da vida, ora bolas.
Até entenderia a argumentação de que poderia haver problemas quanto à instalação das câmeras nos estádios, pois as estruturas dos mesmos podem variar. Isso de fato é um problema a ser analisado, visto que é de fundamental importância que haja isonomia, ou seja, os recursos não podem ser mais efetivos num estádio do que em outro.
Não podemos também ter a pretensão de achar que a adoção desses recursos seja definitiva, nem que os erros estarão extintos. Longe disso, acredito que será um processo contínuo de aperfeiçoamento no que diz respeito à operação – como, quando, quantas vezes e quem pedirá o “desafio” -, além do que, existirão lances que são meramente interpretativos, o que deixa as câmeras sem tanto poder para ajudar na decisão do árbitro.
Como forma de minimizar os problemas em relação à duração dos jogos, seria importante haver, como já acontece no voleibol e no tênis, um limite de desafios, o que faria com que as equipes fossem parcimoniosas na hora de solicitá-los e ainda possibilitaria uma diminuição na quantidade de reclamações, pois, ao invés de reclamar, seria facultado ao reclamante a opção de “desafiar”. 
A adoção desses recursos também acabaria com os processos dos clubes que alegam “interferência externa”, afinal, essa efetivamente seria permitida.
Na verdade, é muita ingenuidade supor que a interferência externa não existe nos dias atuais, pode até ser que ela não ocorra imediatamente, mas muito provavelmente os lances polêmicos são discutidos no intervalo, o que, no meu modo de ver, se caracteriza como infração.
Com a influência externa liberada e com um limite de “desafios” por tempo, caberá ao time escolher de forma criteriosa os lances a serem analisados, pois caso peça de forma indiscriminada, pode estar desperdiçando oportunidades importantes. Ressaltando que no voleibol e no tênis, caso a equipe esteja com a razão no pleito, a quantidade de desafios a ser solicitada permanece igual.
Assim, se consegue dos times uma espécie de cumplicidade nas decisões do árbitro, já que a "não solicitação" do desafio pode ser um indício de que nem a própria equipe tinha tanta certeza quanto ao lance.
Pelo prisma de marketing, a implantação do “desafio” servirá para o aumento da credibilidade da modalidade – não podemos nos esquecer que as empresas sérias buscam com o patrocínio a associação de seus valores aos dos patrocinados -, e que, se bem formatado, o evento de “checagem” pode se transformar numa propriedade com alto valor comercial. 



terça-feira, 1 de novembro de 2016

Cigarro não!

O goleiro tricolor Félix, tricampeão do mundo e com vários títulos conquistados pelo Fluminense foi um dos maiores ídolos que tive na minha infância.
Suas defesas e a identificação com o Fluminense ficarão marcados para sempre na memória dos torcedores que o viram jogar e/ou ouviram histórias a seu respeito.
É uma pena que na época em que ele jogou não havia internet, redes sociais e nem os meios de comunicação eram tão abrangentes como hoje, se assim fosse, tenho certeza que seu reconhecimento seria muito maior. 
Confesso que sempre desejei escrever sobre o Félix aqui nesse blog, mas infelizmente não fui perspicaz o suficiente para encontrar algum tema ligado à gestão e/ou marketing que pudesse citá-lo, até que tive a ideia de escrever sobre o tabagismo no esporte sob o prisma de marketing.
Como deve ser sabido por todos, nosso goleiro, assim como tantos outros atletas, era um fumante inveterado, o que pode ter sido responsável pelo seu enfisema pulmonar.
Peço desculpas aos que fumam, mas definitivamente o tabaco não combina com a vida, muito menos com o esporte.
Apesar dessa certeza, são inúmeros os casos de esportistas que fazem uso do cigarro, mesmo cientes de que isso afeta o desempenho esportivo e, obviamente, prejudica a saúde.
Hoje então, com o avanço da ciência e estudos mais embasados, não existem mais dúvidas dos malefícios dessa droga.
Anteriormente, até por uma questão de desconhecimento, tal vício era mais tolerado, além do que, não havia restrições ao fumo, aliás, era até incentivada.
Até nos Jogos Olímpicos o cigarro esteve presente, já que em Tokyo 1964 o cigarro Olympias foi um de seus patrocinadores. Nos Jogos de Inverno de 1968, em Grenobile na França, estiveram presentes como patrocinadores mais duas marcas desse segmento.
Vimos ainda o chinês Liu Xiang, medalha de ouro nos 110 m com barreira em Atenas ter como um de seus patrocinadores a marca Baisha, líder no mercado de cigarros na China.
Felizmente, nos dias atuais as medidas restritivas ao fumo estão bastante rígidas no que tange ao COI e as Federações que regem as modalidades esportivas no mundo, que não toleram nenhuma espécie de patrocínio por parte de marcas dessa indústria.
Mas ainda é pouco e não se trata aqui de fazer apologia contra o livre arbítrio, e sim de preservar a própria saúde e a das pessoas ao redor.
Seria muito importante que ídolos do esporte – ou até do segmento de cultura -, não só não fizessem uso do cigarro, mas também “encaixassem” de alguma forma em seus testemunhais o quão salutar e importante é não fumar.
Dessa forma, além de prestarem um ótimo serviço à sociedade, já que são exemplos e referências para os mais jovens, ajudariam a mantê-los mais tempo em nosso convívio, assim como também contribuiria para a longevidade dos que, mesmo não sendo celebridades perante à mídia, são ídolos para seus filhos.
A propósito, o meu maior ídolo também fumava.
Saudades! Muitas saudades!



terça-feira, 25 de outubro de 2016

A imprensa que imprensa

O tema que será desenvolvido nesse artigo pode até, num primeiro momento, parecer fugir do objeto do blog, contudo, não podemos nunca perder de mente que um dos princípios de uma boa gestão está estritamente ligado ao cumprimento de normas e procedimentos estabelecidos, daí a razão desse texto. 
Como instrumento para desenvolvimento do tema, usarei o pleito do Fluminense, junto ao Supremo Tribunal de Justiça Desportiva, para que o último jogo contra seu rival carioca fosse anulado, tendo como alegação a influência externa na decisão da arbitragem num lance em que um gol a seu favor foi invalidado.
Na discussão sobre o tema, parte da imprensa, aliás a mesma parte da imprensa que sempre persegue o clube, empunhou a tese de que o gol foi de fato ilegal. Entendo, porém, deveriam lembrar que o pleito do Fluminense não era relativo à legalidade ou não do gol, e sim ao cumprimento do regulamento que prevê anulação da partida no caso de interferência externa sobre a arbitragem. 
Não serão discutidos aqui os erros que validam gols ilegais e invalidam os legais pois, por mais que fiquemos indignados com tais equívocos, temos que compreender que decidir um lance em fração de segundos é algo extremamente difícil, daí surgir minha predileção para que os recursos tecnológicos sejam utilizados como auxílio da arbitragem.
Contribui ainda para defesa dessa “bandeira”, a dificuldade de se “blindar” os árbitros desses recursos, afinal, seria muita inocência da nossa parte achar que no intervalo das partidas, os lances polêmicos não são conversados tomando como base os vídeos produzidos pela TV. Mas isso é tema para outro artigo.
O que quero trazer à tona é a parcialidade das pessoas quando se trata de defender sua vontade, seu partido político ou seu clube, mesmo que isso vá contra o que determina a lei. Até entendo que se fique feliz ou infeliz com vereditos, prisões e punições que chegam ao nosso conhecimento, seria hipocrisia negar que há dentro de todos um lado passional, esse, porém, deve ser totalmente expurgado quando se trata de julgar, informar e exigir o cumprimento da lei.
Vale lembrar que o próprio rival, num passado não muito distante, pleiteou a anulação de um jogo por ter havido “influência externa” sobre a arbitragem, mas não obteve êxito. Assim como também não obteve o Fluminense, que ouviu por parte do STJD que a leitura labial não era uma prova conclusiva. Entendo - mais uma vez -, só gostaria de questionar sobre a razão da leitura labial ter servido como prova para a punição do Grêmio e de sua torcedora por ofensas raciais ao goleiro do Santos.
Todavia, como não sou da área jurídica, prefiro não me estender sobre essa suposta incoerência. 
Volto assim à imprensa – parte dela, que se esclareça – que na ânsia de perseguir o Fluminense, expõe toda a sua fragilidade através de textos absurdamente incoerentes, deixando bastante  claro que é contra o ilegal até o momento em que a ilegalidade a beneficia.
Difícil entender a razão para esse tipo de postura. Seria fruto da ignorância? Algum interesse escuso não atendido? Quem sabe, algum recalque contra os que buscam o cumprimento de leis, regulamentos e estatutos, afinal de contas, tais pessoas já deram inúmeras provas de que não conseguem abrir mão de suas paixões mesmo que isso implique em ir contra o legal. Vão em busca das "suas justiças" com as próprias mãos, assim como fazem os “vingadores justiceiros” e os corruptos que, não satisfeitos com suas remunerações, aceitam propinas para, dessa forma, terem um salário “justo”.
Perdoo os árbitros, errem esses a favor - não acho ganhar roubado mais gostoso - ou contra, mas não perdoo aqueles que, com tempo para pensarem e refletirem, optam pela reverberação do ódio e usam covardemente suas armas.





terça-feira, 18 de outubro de 2016

Parente pode?

A escolha do técnico Tite para a seleção brasileira de futebol trouxe à tona um bom tema para reflexões sobre gestão: a contratação de parentes como funcionários. Nesse caso o problema surgiu em função do treinador desejar que seu filho faça parte da comissão técnica, sendo que o código de ética da CBF impõe essa restrição a qualquer indivíduo com relação de parentesco até segundo grau com outros gestores, executivos da CBF e seus conselhos e comissões.
Que fique claro que tal condição não é exclusividade da CBF, pois várias empresas privadas adotam diretrizes semelhantes.

Nunca consegui formar uma opinião a respeito desse tipo de determinação, entendo que é uma forma para se evitar nepotismos e eventuais favorecimentos dentro da organização.
Mas quem garante que um parente está sendo escolhido para algum cargo por ser próximo ao gestor que definirá a contratação? Ok, quem garante o contrário?
Como contraponto a essa diretriz restritiva, vem a argumentação de que cargos de confiança deveriam ser preenchidos por pessoas, evidentemente, de confiança do responsável. O que é verdade, mas será que só parentes dispõem dessa prerrogativa?
Óbvio que não, apesar de também concordar que é mais fácil trazer para a equipe alguém que já conhecemos do que correr riscos com estranhos.
Além do que, acho questionável e injusto que alguém seja preterido pelo fato de ser aparentado. 
Não podemos nos esquecer também que, muitas das vezes, uma relação de amizade é bem mais forte do que a que existe entre parentes.
Já vi empresas onde o namoro entre funcionários era permitido, mas caso houvesse a oficialização da relação um dos dois seria desligado, o que pode até ser encarado como uma forma de incentivo às relações “oficiosas”.
Em outras corporações, poderia até haver a relação, desde que atuassem em departamentos diferentes.
Nunca tive certeza se essas empresas temiam consequências no clima organizacional ou tinham receio de que a maior cumplicidade viesse a gerar situações de vulnerabilidade aos controles.

Toda essa argumentação não significa que eu discorde das empresas que adotem essa política restritiva quanto à admissão de parentes, até porque todas as ideias apresentadas têm como embasamento minha experiência na iniciativa privada, o que, talvez, comprometa a análise sobre empresas públicas.
Ressalte-se ainda que, apesar de guardar bastante semelhanças, a vida corporativa apresenta algumas diferenças em relação á esportiva, vide o caso de sucesso da dupla Bernardinho e Bruno. Já imaginaram o prejuízo que a seleção de voleibol sofreria com uma eventual restrição ao parentesco entre técnico e jogador?

O que pretendo com esse artigo é apenas provocar o exercício da reflexão, com a ciência de que regulamentos e normas são - em tese - elaborados por quem conhece bem o funcionamento e as eventuais fragilidades da organização para qual trabalha.


terça-feira, 11 de outubro de 2016

Marcas e suas estratégias - Atletismo 2016

Em 2012, a Jambo Sport Business realizou um estudo sobre as estratégias das marcas que vestiram as equipes de atletismo nos Jogos Olímpicos de Londres, fato que rendeu um artigo nesse blog - http://halfen-mktsport.blogspot.com.br/2012/08/estrategias-das-marcas-no-atletismo.html. O mesmo trabalho foi agora realizado em relação aos Jogos de 2016, e mais uma vez achamos interessante aproveitá-lo para um artigo.
Quem tiver interesse em ler o estudo, pode acessá-lo através do link: http://pt.slideshare.net/jambosb/marcas-e-suas-estratgias-no-atletismo-rio-2016
Comparando as duas edições, pudemos constatar que a quantidade de marcas que vestiram as equipes aumentou de 26 para 27, devendo ficar claro que esse resultado não se deve simplesmente à adição de mais uma marca, visto que onze novos fornecedores entraram, enquanto dez não estiveram mais presentes. Vale ainda ressaltar que a quantidade de países sem fornecedor caiu de 61 para 42.
Em relação aos Jogos de Londres, houve 114 alterações de marcas nos uniformes das equipes. Nessas incluem-se também as equipes que não tinham fornecedor e passaram a ter, e vice-versa, além das trocas propriamente ditas. 
Sem entrar no mérito do investimento financeiro, já que esses valores não costumam ser revelados, é possível identificar, com relativo grau de assertividade, as estratégias das principais marcas esportivas.
A Nike se manteve como a marca mais presente com 62 equipes, dezessete a mais do que em 2012. A empresa norte-americana parece focar os países com grande número de atletas, tais como EUA, Alemanha, Canadá, Ucrânia e China - o que aumenta sua exposição -, além de países com forte potencial de medalhas como o próprio EUA e Quênia, dessa forma consegue associar sua marca também à performance. Complementa sua estratégia, estar presente em equipes de todos os continentes, sendo que o time de refugiados também usou sua marca. 
Na vice-liderança no que tange ao número de equipes, empataram Puma e Asics com 15 cada.
A Puma se destaca principalente por patrocinar o maior velocista de todos os tempos, Usain Bolt, e a equipe da Jamaica, fortemente associada à velocidade.
Enquanto a Asics teve entre suas principais equipes: o Japão, país onde fica a matriz da empresa e a França, que em 2012 tinha a Adidas como fornecedora. Com um investimento provavelmente bem menor do que as gigantes do setor, a marca japonesa aumentou seu alcance em termos continentais, já que passou fornecer para equipes das Américas do Sul e Central. 
A 4ª marca foi a Mizuno com 12 equipes, essa empresa, também japonesa, tem se caracterizado por fornecer para equipes menores e sem grandes perspectivas de medalhas. 
Completou a lista das 5 principais marcas, a alemã Adidas - presente em 10 times de atletismo - que sofreu algumas perdas de equipes importantes entre 2012 e 2016. O que se depreende aqui é que a marca alemã não tem priorizado o patrocínio às equipes nacionais de atletismo, talvez preferindo a opção do patrocínio individual, que lhe proporciona visibilidade mais frequente, ou ainda, investindo nos próprios comitês olímpicos nacionais, como fez com a  Alemanha.
Essas 5 marcas supriram 56,6% dos países, um nível de concentração 2,1 pontos percentuais superior ao encontrado nos Jogos de Londres.
Das 27 marcas que apareceram nos uniformes das 200 equipes que disputaram o atletismo no Rio, 17 subiram alguma vez ao pódio, sendo que uma representante de uma equipe sem “patrocínio” também conquistou medalha.
Se fossemos fazer um quadro de medalhas conquistadas por marcas, esse teria nas três primeiras posições na modalidade em 2016: Nike com 77 (29 de ouro, 27 de prata e 21 de bronze), Adidas com 20 (5 - 4 – 11) e Puma com 15 (7 – 4 – 4).
Vale, por fim, destacar a entrada de duas marcas cujos focos, até então, não eram tão voltados ao esporte, nem tampouco à modalidade: a polonesa 4F, que ao patrocinar o time de atletismo da Polônia - 70 atletas e três medalhas -, inicia um processo de solidificação de sua marca no cenário esportivo do país, além de aumentar seu recall globalmente; e a  multinacional sueca H&M de varejo têxtil, que vestiu não apenas o time sueco de atletismo, mas também todos os atletas olímpicos do país.



terça-feira, 4 de outubro de 2016

A liturgia do cargo

A maior exposição dos ocupantes de cargos de alto escalão requer cuidado redobrado em relação ao comportamento e às formas de se expressar. É o que costumam chamar de liturgia do cargo. Tarefa nada fácil, até porque, a maior exposição vem acompanhada de uma maior vulnerabilidade às críticas, independentemente de quão justas e coerentes essas venham a ser. 
Apesar do termo “liturgia do cargo” estar mais associado às funções públicas, ela se faz presente em todos os segmentos, o que varia é o grau de dificuldade para se mantê-la, o qual é influenciado, a meu ver, por seis grandes fatores:
  • Expressão do cargo – quanto mais alto o posto, maior será a exposição. Vide, por exemplo, a de um presidente da república comparada com a de seus ministros.
  • Influência da mídia – o espaço dedicado pela imprensa e pelas redes sociais costuma ser diretamente proporcional ao interesse público, o que faz com que os assuntos mais populares sejam muito mais noticiados e, consequentemente, provoque mais comentários/críticas. 
  • Fanatismo dos críticos – qualquer tema onde a racionalidade seja relegada a um plano inferior ao da paixão, apresenta argumentações tendenciosas, o que acaba deixando flancos abertos para reações exacerbadas e desproporcionais.
  • Popularidade do tema em questão – é importante esclarecer que popularidade não significa necessariamente conhecimento sobre o tema. Vemos, por exemplo, um enorme contingente de pessoas “discursando” sobre marketing, mas que nada sabem o que isso verdadeiramente significa.
  • Grau de democracia – aqui não me refiro apenas aos regimes políticos, mas também aos ambientes nos quais a hierarquia inibe eventuais manifestações mais “contundentes” de insatisfação. O ambiente corporativo exemplifica bem o que quero dizer, pois por mais que haja contrariedade em relação ao superior, essa fica na maior parte das vezes restrita aos cochichos dos corredores.
  • Paixão dos gestores – a referência aqui se dá aos gestores que, tal como os críticos, apresentam uma relação de paixão com a organização que prestam serviços. Tal característica os deixam mais suscetíveis a reações explosivas.
Diante dos fatores enumerados, creio que o melhor segmento para desenvolvermos o assunto, seja o de gestão esportiva, mais precisamente o futebol, pois satisfaz os seis pontos citados acima e ainda envolve o aspecto político como motivação para críticas, isso sem falar das divergências com os adversários.
Não há dúvida que o meio do futebol possui uma atmosfera de forte pressão, assim não nos surpreende que tantos dirigentes de clubes acabem se descontrolando em situações, onde a liturgia do cargo não deveria permitir. Claro que temos que considerar que são humanos, e como tais falíveis, porém essa reflexão quanto à imperfeição humana deveria ser feita antes de se candidatarem a cargos tão expostos. 
Ilustra o tema, duas notícias publicadas recentemente: numa delas narra-se que o presidente de um clube do Rio reagiu com xingamentos às atitudes hostis de torcedores adversários e na outra, uma confusão de um mandatário de um clube paulista com integrantes de uma torcida rival. São situações lamentáveis mas, como escrevi acima, de difícil controle, pois se tratam de reações.
O que considero de tal forma inadmissível, são ações premeditadas, aquelas em que se tem tempo para pensar nas consequências e na importância da liturgia do cargo. Nesse caso, as redes sociais são terrenos férteis para esse tipo de expressão.
Para finalizar reproduzo uma frase de um texto que escrevi quando deixei de ocupar a VP do Fluminense: “Uma das vantagens em não ser mais VP, é poder defender o Flu sem receio de que confundam uma opinião pessoal com a voz da instituição. ”





terça-feira, 27 de setembro de 2016

Patrocínios pontuais

O período econômico pelo qual passa o Brasil tem feito com que os “patrocínios pontuais” apareçam com mais intensidade do que em ocasiões mais estáveis.
Para os menos afeitos ao jargão, “patrocínio pontual” é aquele negociado por um brevíssimo período de tempo, muitas vezes dura apenas uma partida.
As marcas que buscam essa modalidade de patrocínio vão em busca de exposição, o que faz com que as partidas com transmissão em TV aberta sejam as mais atrativas.
Dentro desse conceito, não é de se surpreender que times sem patrocinadores másters apareçam usando marcas “estranhas” ao seu país, apenas pelo fato de estarem jogando partidas que são transmitidas para locais onde a tal marca seja presente.
Não cabe nesse espaço nenhum tipo de julgamento sobre a eficácia desse patrocínio, principalmente no que diz respeito aos benefícios para os clubes. Para isso seria necessário conhecer a situação financeira do clube, seu fluxo de caixa, a natureza de suas dívidas, etc.
No entanto, pelo ponto de vista estritamente de marketing, considero esse tipo de patrocínio bastante maléfico para o clube, pois, ao equiparar sua camisa a um espaço de mídia, leva sua propriedade para concorrer num mercado onde os veículos de publicidade já estão e com muito mais solidez.
Além disso, perde a oportunidade de trabalhar o branding do clube e de incorporar atributos à marca que a deixaria distinta aos olhos das empresas.
Um trabalho, aliás, que requer tempo, pois demanda extensos estudos e pesquisas.
Quanto às marcas que, nesse caso, “anunciam” nas camisas, penso estarem perdendo uma grande oportunidade de usarem o esporte como uma ferramenta de posicionamento mercadológico.
Difícil precisar de quem é a responsabilidade pela proliferação dos patrocínios pontuais. Seria dos clubes por não identificarem a necessidade de se fazer um trabalho de branding e posicionamento para suas marcas? Seria das empresas por não reconhecerem que o esporte é uma ferramenta de marketing e não de mídia? Ou seria uma composição desses dois motivos.

Evidentemente, a conjuntura econômica tem alguma participação no momento atual, mas conhecendo os bastidores das duas partes – clubes e empresas – tendo a apostar numa responsabilidade mútua, a qual é fruto da imaturidade dessa indústria no Brasil.


terça-feira, 20 de setembro de 2016

Estádio ganha jogo?

Muito se comenta sobre a baixa taxa de ocupação dos estádios brasileiros.
Nas reflexões sobre o tema, a responsabilidade costuma cair sobre o preço dos ingressos e a qualidade dos espetáculos. Faço coro aos argumentos, porém acho simplório não considerar também a conjuntura econômica, a segurança, o calendário e até o momento do time. Sintetizando, parece que o valor do ingresso está desproporcional ao que é oferecido.
Ainda na análise econômica e mercadológica do caso, é preciso considerar que o preço do ingresso precisa remunerar os custos envolvidos na cadeia produtiva da atividade.
Chegamos aqui ao modelo Belíndia que já explorei no artigo "O ingresso está caro e o valor?" http://halfen-mktsport.blogspot.com.br/2015/09/o-ingresso-esta-caro-e-o-valor.html

Mas será que mesmo diante desse cenário, o comparecimento dos torcedores não poderia ser maior?
Na construção da Bombonera, estádio do Boca Juniors, o arquiteto contratado se viu às voltas com um sério problema: como construir uma instalação para 50 mil pessoas num terreno de 200 x 130 metros, considerando que só as dimensões do campo de jogo equivalem a 105 x 68 metros.
O que foi feito em termos de projeto arquitetônico, apesar de interessante, não é assunto para um blog de marketing, porém o conceito do qual a Bombonera se apropria, é um exemplo para qualquer profissional de marketing: entender qual o perfil do público-alvo. Nesse caso, cidadãos cuja paixão pelo time é componente obrigatório e a possibilidade de contribuir para o desempenho esportivo através de sua torcida é mais importante do que o conforto.
É importante ressaltar que há um público que visa o conforto, e também deve ser contemplado, mas que pouco agrega no aspecto motivacional.
Outro case que corrobora para o argumento do artigo, é o da Juventus de Turim. 
Seu estádio, o Juventus Stadium com capacidade para 41 mil assentos, foi construído tendo como principal objetivo satisfazer o torcedor e levá-lo aos jogos, já que a instalação anterior, o Delle Alpi, construída para a Copa de 1990 e capacidade para 67 mil pessoas não atraía a torcida.
A existência de uma pista de atletismo, que deixava os torcedores mais distantes do campo, foi apontada como o motivo principal para a rejeição dos torcedores.
Diante do problema, a diretoria da Juve optou por demolir o estádio, que foi palco da eliminação do Brasil na Copa de 90, e em dois anos construiu o novo que, além de propiciar “maior proximidade” do torcedor com o time, exalta em painéis seus ídolos e sua história, contribuindo assim para reforçar o aspecto “paíxão”. 
A construção do Juventus Stadium também serve como benchmarking em termos de investimentos, pois custou apenas 122 milhões de euros, valor que quando parametrizado com as 12 arenas brasileiras construídas para a Copa de 2014, o coloca como mais caro apenas do que o de Curitiba.
Como era de se esperar, a iniciativa foi um sucesso, tanto em termos de desempenho esportivo - inaugurado em 2011, desde então o clube tem se sagrado campeão nacional – como de presença de público. 
Segundo o relatório Football Money League da Deloitte, na temporada 2010-11, ainda no estádio antigo, as receitas com matchday foram de 11.6 milhões de euros, valor que aumentou para 31,8 milhões já no 1º ano do novo estádio, e depois sucessivamente para €38, €41 e 51,4 milhões na temporada 2014-15. Outro índice que comprova o sucesso do empreendimento é o RevPEPAS (receita por evento sobre lugar disponível) elaborado pela empresa KPMG, que em 2013-14 foi de €37 euros para Juve, enquanto que Milan e Inter atingiram €11 e €12 respectivamente.
É evidente que cada cidade, cada clube e cada torcida possuem características diferentes umas das outras, o que faz com que estudos detalhados e customizados sejam mandatórios em qualquer projeto – não apenas nos de estádio -, porém, o cases apresentados aqui podem servir como bons referenciais para os clubes brasileiros, principalmente no que tange ao conhecimento do comportamento e perfil de seu público.